Em 1973, quando abriu as portas de uma pequena mercearia no Abraão, na parte continental de Florianópolis, Odorico Bernardo provavelmente não imaginava que seu nome se transformaria em uma das marcas mais conhecidas da gastronomia da capital catarinense.
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Conhecido pelos moradores simplesmente como “seu Ori”, ele criou um boteco na década de 1970 que funcionava do jeito mais simples possível: cerveja, algumas bebidas e poucos petiscos. Nem salgados havia na época, como forma de evitar uma concorrência direta com o vizinho, que faturava com os quitutes na época.
Décadas depois, a mercearia que começou pequena se tornou um império na Grande Florianópolis, com 10 unidades espalhadas entre Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, recebendo mais de 300 mil clientes por mês e vendendo mais de um milhão de almôndegas por ano. Mas, para os filhos Alex Bernardo e Odorico Bernardo Neto, o maior patrimônio continua sendo outro.
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— O Ori carrega o nome dele, não o meu nem o do meu irmão. É dele. Para nós isso é motivo de muito orgulho. Espero que, onde ele esteja, esteja feliz com o reconhecimento que está tendo na cidade — diz Odorico.
A receita que transformou a história da família
Os dois irmãos praticamente cresceram dentro do bar. Enquanto outras crianças brincavam na rua, Alex começou a ajudar o pai aos sete anos. Odorico veio pouco depois, aos 10. A rotina começava cedo: a mãe, Oscarina Delza Bernardo, preparava um café em uma garrafa térmica, e todos seguiam para o estabelecimento.
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Naquela época, o Ori era praticamente uma extensão da casa da família. Localizado no conhecido “beco da igreja”, no Abraão, o comércio funcionava graças à participação dos vizinhos.
— Às vezes, o bar abria com ajuda dos próprios clientes, que montavam as mesas. Antigamente era só uma porta — lembra Alex.
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Foi também naquele período que nasceu a receita que se tornaria marca registrada da casa. Quando o bar vizinho fechou após a morte do proprietário, seu Ori decidiu começar a vender salgados. Ainda assim, sentia que faltava alguma coisa no balcão. Comprou uma pequena estufa com quatro bandejas e criou uma receita própria de almôndegas.
O que começou utilizando apenas 20 quilos de carne moída por mês hoje movimenta oito toneladas mensais.
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— O pai fez a receita, ficou boa e nunca mais saiu do cardápio. Hoje vendemos mais de um milhão de almôndegas por ano — conta Alex.
Veja fotos da história do bar
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Bar de bairro virou império com 1 milhão de almôndegas por dia
O crescimento, porém, esteve longe de ser planejado. Quando seu Ori adoeceu, reuniu os filhos para uma conversa que ambos guardam na memória. A orientação era simples: vender o estabelecimento e procurar outro emprego. A mãe sonhava que os dois estudassem e trabalhassem em um banco.
Os irmãos, porém, decidiram seguir outro caminho. Alex tinha cerca de 19 anos e Odorico, 15, quando resolveram assumir o negócio da família.
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— Foi meio que um chacoalhão. Ou ia ou não ia — resume Alex.
Na época, o bar tinha apenas duas fritadeiras e não havia cozinheiros. Os irmãos se revezavam entre a cozinha e o balcão: colocavam as almôndegas para fritar, controlavam o tempo e corriam para atender os clientes.
Pouco tempo depois, seu Ori morreu, aos 57 anos, deixando a mercearia sob responsabilidade dos filhos. Durante décadas, eles mantiveram apenas a unidade do Abraão.
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Foi somente em 2019 que a ideia de expandir apareceu, quase como uma brincadeira. Um conhecido perguntou por que eles nunca haviam pensado em abrir novas unidades.
— Eu respondi que, do jeito que estava, era mais fácil fechar do que expandir — lembra Alex, rindo.
A pandemia adiou os planos, mas também mudou o rumo da história. Depois dela vieram as unidades da Pedra Branca, Santa Mônica, Centro, Kobrasol, Biguaçu, Campeche e as demais operações inauguradas na sequência. Hoje, a marca soma 10 unidades, resultado de uma expansão que os próprios irmãos nunca imaginaram quando decidiram continuar o negócio criado pelo pai.
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Mesmo com o crescimento, os irmãos dizem que a essência continua sendo a mesma deixada pelo pai há mais de cinco décadas: um bar de bairro, construído pela família e pela comunidade que ajudou a fazê-lo existir.























