A maior cidade de Santa Catarina alcançou um número histórico ao inaugurar uma nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), na última semana, e chegar a 52% de esgoto tratado. Apesar de ter se destacado no Ranking do Saneamento 2026, Joinville ainda “corre” para atingir meta do Marco Legal do Saneamento.

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Esgoto em Joinville

A publicação do Ranking do Saneamento, do Instituto Trata Brasil, colocou Joinville na 64ª posição do em 2026. A conquista significa um avanço de 11 posições comparado ao resultado do último ano — quando a cidade ficou em 75º lugar.

Para o diretor-presidente da Companhia Águas de Joinville, Sidney Marques de Oliveira Junior, os investimentos feitos nos últimos anos mostram a evolução da cidade.

— Ao subir os 11 pontos no ranking, os números refletem todo o trabalho que vem sendo feito pela companhia, com apoio da prefeitura, tanto na melhoria no sistema de água, implantação de rede de esgoto e também no combate a perdas de água — destaca Sidney.

Apesar do avanço, as notas mais baixas de Joinville foram nos indicadores de esgoto. A pontuação ficou entre 4,6 e 4,7 (em escala de zero a dez) nos critérios de cobertura da rede, tratamento e atendimento em área urbana.

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O esgoto tem o maior peso no ranking do Trata Brasil, com 50% da formação do desempenho. A rede de coleta de Joinville apareceu com 41,4% e o tratamento, com 39% (nesse caso, o cálculo é feito em relação à proporção de esgoto tratado em comparação com a água distribuída). A nota geral de Joinville foi 6,77.

Novas ETEs

Com investimento de R$ 26,8 milhões, a ETE do bairro Jardim Paraíso, na zona Norte de Joinville, foi inaugurada na última quinta-feira (26). A estação vai beneficiar cerca de 30 mil moradores dos bairros Jardim Paraíso, Vila Cubatão, Jardim Sofia e parte do Bom Retiro.

A construção da estação teve início em 2022 e foi finalizada em 2024, quando passou a ser operada pela empresa terceirizada responsável pelo projeto executivo e pela construção da ETE. De acordo com a Prefeitura de Joinville, a fase de pré-operação é essencial para execução de eventuais ajustes operacionais e realização de análises do esgoto tratado, a fim de atestar conformidade com a legislação ambiental.

A ETE possui uma tecnologia para controle de odores, que inclui a instalação de lavadores de gases nas unidades de tratamento preliminar. Com capacidade de tratamento de 60 litros por segundo, a estação é composta por tratamento preliminar, flotadores primários, tanque de lodo primário e floculadores, além de casa das prensas e tanque de contato.

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As redes coletoras de esgoto que fazem parte da região atendida pela ETE Jardim Paraíso totalizam 62 quilômetros de extensão já instalados, sendo que, deste total, 70% estava em bom estado de conservação. O restante está sendo recuperado, e 18 quilômetros das redes já foram reformados ou substituídos e estão em operação.

— A entrega desta estação é um salto histórico para o sistema de tratamento de esgoto em Joinville. Ao colocar o saneamento como uma política prioritária, estamos fazendo uma cidade segura em todos os sentidos, a começar pela saúde — diz o prefeito de Joinville, Adriano Silva.

Já a ETE Vila Nova fica localizada na rua Hermínia Penski e será inaugurada na próxima semana. Com construção iniciada em dezembro de 2023 e concluída em 2024, a unidade atenderá inicialmente o bairro Vila Nova, beneficiando 27 mil pessoas, e futuramente, também o Morro do Meio. O investimento foi de R$ 40 milhões.

Com as duas estações em operação, a cidade ultrapassou os 52% de esgoto tratado. O prefeito de Joinville ainda revela que, devido aos investimentos realizados na cidade, e com o início da operação das ETEs, a expectativa é de que até 2028 o percentual de esgoto tratado em Joinville chegue a 75%.

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— O aumento no tratamento de esgoto é fundamental para a segurança e saúde de todos os joinvilense. Em 2021, tínhamos 40% de esgotamento tratado em Joinville. E agora já conseguimos ultrapassar mais de 52%, justamente pelas novas estações que estão sendo inauguradas — afirma Adriano Silva.

O Marco Legal do Saneamento, previsto na Lei nº 14.026/2020, determina o atendimento de 99% da população com abastecimento de água e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033. Em dezembro do último ano, o Tribunal de Contas (TCE/SC) iniciou um levantamento para verificar o que os gestores municipais estão fazendo para alcançarem essa meta.

A Secretaria do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae) e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) ainda lançaram, em dezembro de 2025, um edital para seleção da empresa responsável pela elaboração do Diagnóstico detalhado do Saneamento Básico em Santa Catarina.

O diagnóstico terá papel central para que o Estado tenha um retrato claro, atualizado e comparável do saneamento básico. As informações levantadas subsidiarão o Plano Estadual de Saneamento Básico (PESB-SC), instrumento essencial para a implementação da Política Estadual de Saneamento e que deve estar alinhado aos planos estaduais de recursos hídricos e resíduos sólidos, além de outras políticas ambientais, de saúde e educação.

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