A vivência de um acadêmico com deficiência visual na faculdade de Jornalismo virou livro em Cocal do Sul, no Sul de Santa Catarina. Em “jornalista.dv88”, Laélio Inácio, de 57 anos, reúne aprendizados e desafios enfrentados durante a graduação.

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Laélio perdeu a visão em decorrência de um glaucoma diagnosticado ainda na adolescência e, aos 30 anos, em 2002, ficou totalmente cego. Desde então, toda a formação em jornalismo aconteceu dentro dessa realidade.

Para estudar e acompanhar as atividades, ele utiliza tecnologias assistivas, como leitores de tela no computador e no celular, que permitem acessar conteúdos, produzir textos e navegar por diferentes plataformas.

O nome do livro também carrega esse contexto. “Jornalista porque eu me formei em jornalismo. O ponto DV é porque eu sou deficiente visual. Já o 88 é explicado no livro”, conta.

A iniciativa tem mobilizado pessoas da região. Uma delas é o ex-vereador e mestrando em Educação, Luan Varnier, que destaca o impacto do projeto.

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“Apoiar a iniciativa do Laélio é reconhecer a importância de dar visibilidade a histórias que muitas vezes ficam esquecidas. Um livro com esse propósito se torna um instrumento de conscientização e transformação social”, afirma.

Jornalista cego fala sobre trajetória na graduação

Segundo Laélio, o conteúdo reúne conhecimentos adquiridos ao longo da graduação, passando por áreas como rádio, televisão, jornalismo digital e impresso, além de temas como marketing, publicidade, sociologia e esporte.

A proposta, segundo ele, é que a obra possa servir como material de apoio. “Vai ser um livro que pode ser usado por acadêmicos, professores, jornalistas de hoje, de ontem e de amanhã e também por curiosos. Está bem completo mesmo”, diz.

A trajetória narrada na obra começa ainda na preparação para o vestibular, em 2019, passa pelos anos de graduação, que se estenderam por causa da pandemia, e vai até a formatura, em abril de 2025.

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“Todos têm capacidade”

Mais do que contar a própria história, Laélio quer reforçar uma ideia simples: o acesso à educação é possível.

“Primeiro, para mostrar que todos têm capacidade. Mesmo com deficiência, todo mundo pode estudar, pode fazer faculdade. Pode até escrever um livro. Como eu consegui, qualquer um pode conseguir também, eu não sou melhor que ninguém”, conclui.

Autor busca apoio para publicar livro

Para viabilizar a publicação, o autor criou uma vaquinha online. Os custos envolvem revisão, adequação às normas da ABNT, registro da obra e preparação editorial, somando cerca de R$ 3,5 mil.

Depois disso, ainda há a etapa de impressão, que pode elevar o valor em mais de R$ 3 mil, já que gráficas costumam exigir tiragens mínimas.

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