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Jornalistas são agredidos por seguranças de Bolsonaro durante passeio em Roma

Jornalista que tentou filmar a ação chegou a ter o celular arrancado por um dos seguranças

31/10/2021 - 16h29 - Atualizada em: 31/10/2021 - 16h31

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Folhapress
Por Folhapress
Bolsonaro com apoiadores na Itália
Bolsonaro com apoiadores na Itália
(Foto: )

Jornalistas credenciados e identificados foram agredidos na noite deste domingo (31) durante a cobertura da visita de Jair Bolsonaro (sem partido) a Roma. O caso ocorreu em uma caminhada improvisada pelo presidente brasileiro no Centro da capital italiana.

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Por volta das 16h55 (horário local), quando Bolsonaro ainda estava dentro da embaixada brasileira, um agente, que não quis se identificar, empurrou uma repórter, credenciada pelo jornal Folha de S.Paulo, dizendo que ela devia se afastar do local. Ele ignorou a credencial e a informação de que os jornalistas estavam a trabalho, e começou a gritar com outros profissionais, que disseram que era inaceitável o contato físico com brutalidade.

Minutos depois, o presidente Bolsonaro saiu para falar com cerca de 60 apoiadores que o esperavam aos fundos da embaixada brasileira. Depois de fazer um discurso, impossível de ser ouvido mesmo pelos apoiadores, resolveu fazer sua terceira caminhada improvisada pela cidade.

Neste momento, seguranças italianos e brasileiros tentaram fazer uma corrente de proteção enquanto Bolsonaro partiu a passo apertado em direção ao largo Argentina, por uma via estreita, na qual apoiadores se aglomeravam para tentar acompanhá-lo. Um repórter e um cinegrafista da Globonews foram empurrados em direção à parede e chegaram a se desequilibrar.

Quando a repórter da Folha tentou filmar a agressão, outro agente tentou arrancar o seu celular e a ameaçou. Outro jornalista, do UOL, teve seu celular arrancado, e repórteres do Globo e da BBC Brasil foram agredidos verbalmente e empurrados.

Em meio à correria e ao empurra-empurra, ao menos uma manifestante ficou ferida ao ser derrubada, e um grupo de pessoas que tentou se aproximar dela também foi empurrado.

Durante todo o trajeto, Bolsonaro não deu atenção aos acontecimentos, olhando fixamente para frente. Quando a repórter da Folha perguntou por que a segurança estava agredindo os jornalistas, ele parou, ouviu o que um assessor lhe disse ao ouvido e decidiu voltar à embaixada. 

As agressões dos agentes continuaram no caminho de volta – ao todo, o passeio durou cerca de dez minutos.

Após a confunsão, a reportagem da Folha se dirigiu a um homem uniformizado, o único que tinha um escudo que indicava que era um funcionário público. Ele disse ser da polícia, mas, quando questionado sobre o motivo de os seguranças italianos estarem impedindo a imprensa brasileira de trabalhar, afirmou que isso não acontecera e caminhou em direção à porta dos fundos da embaixada, onde passou a impedir a passagem dos repórteres.

Repórter recebeu soco no estômago 

Outro alvo dos ataques foi o correspodente da Globo em Roma, Leonardo Monteiro. Segundo ele, ao perguntar o motivo de o presidente não ter participado de alguns eventos do G20 com outros líderes, ele recebeu um soco no estômago e foi empurrado com violência por um segurança. As informações são do G1.

A imagem não mostra o momento do soco, por causa da confusão. Antes, o presidente havia sido hostil com o trabalho do repórter.

Jornais se manifestam sobre o ocorrido

Em nota, o jornal Folha de S.Paulo afirmou: "A Folha repudia as agressões sofridas pela repórter Ana Estela de Sousa Pinto e outros jornalistas em Roma, mais um inaceitável ataque da Presidência Jair Bolsonaro à imprensa profissional."

Já a Globo se manifestou por meio de um editorial, que foi publicado no G1. No texto, a emissora pede uma apuração completa de responsabilidades.

"No momento, ficam o repúdio enfático, a irrestrita solidariedade a Leonardo Monteiro e demais colegas jornalistas de outros veículos e uma constatação: é a retórica beligerante do presidente Jair Bolsonaro contra jornalistas que está na raiz desse tipo de ataque. Essa retórica não impedirá o trabalho legítimo da imprensa. Perguntas continuarão a ser feitas, os atos do presidente continuarão a ser acompanhados e registrados. É o dever do jornalismo profissional. Mas essa retórica pode ter consequências ainda mais graves. E o responsável será o presidente", diz a nota da emissora. 

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