A vida da jovem Eduarda Atkinson, moradora de Jaraguá do Sul, mudou completamente após a catarinense sofrer um acidente de carro há cerca de dois meses. Por conta da batida, ela fraturou a coluna e teve uma lesão na medula, perdendo os movimentos das pernas. Recentemente, a jovem foi até Foz do Iguaçu, no Paraná, para passar por uma cirurgia inovadora com polilaminina.
Continua depois da publicidade
Desenvolvida por cientistas brasileiros, a polilaminina é um biomaterial bioativo desenvolvido no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela é uma forma polimerizada (unida em longas cadeias) da laminina, uma proteína que já existe naturalmente no nosso corpo, fazendo parte da “cola” que mantém as nossas células unidas (a matriz extracelular).
Em uma postagem nas redes sociais, Eduarda contou que não conseguiu o tratamento que precisava em Jaraguá do Sul e, com ajuda de um empresário, conseguiu fazer uma viagem aérea até Foz do Iguaçu para a aplicação da polilaminina.
“Ir até lá, nas condições em que eu estou, com costelas fraturadas e a coluna lesionada, parecia impossível. Seriam quase 14 ou 15 horas de viagem de carro, com dor. Mas, mais uma vez, a vida colocou pessoas boas no nosso caminho. Um empresário, com uma generosidade que não cabe em palavras, tornou possível algo que parecia impossível: me ajudar a chegar até Foz. E no fim, tudo foi se encaixando”, escreveu Eduarda.
Apesar de ser uma terapia ainda em estudo, conforme cita a jovem, Eduarda está animada com o novo tratamento. “Eu sei que não existem promessas. Mas também sei que existem possibilidades. E se tem uma coisa que eu aprendi depois de tudo isso, é que eu não posso duvidar. Eu escolho acreditar”, concluiu.
Continua depois da publicidade
O que é a polilaminina e como ela foi descoberta?
A polilaminina é um polímero de uma proteína chamada laminina. Polímero significa que são várias unidades dessa proteína ligadas entre si. A laminina é uma proteína natural que temos no corpo durante toda a vida, por isso pode ser isolada das placentas.
Ela tem várias funções, uma delas de estimular a regeneração dos axônios, que são as estruturas dos neurônios danificadas numa lesão medular.
No interior da coluna vertebral tem um canal por onde passa a medula espinhal, que é parte do sistema nervoso central e tem a função de fazer a comunicação entre o cérebro e o resto do corpo.
Quando ocorre uma lesão ali, essa comunicação é perdida. Então, a pessoa não consegue levar a informação sobre o seu desejo de fazer um movimento para os músculos, e também não consegue ter informação sensorial.
Continua depois da publicidade
Como é a aplicação da polilaminina?
A aplicação é feita diretamente na medula espinhal. No estudo de Tatiana, o protocolo é fazer durante a cirurgia, porque na fase aguda, logo após a lesão, quase todos os pacientes precisam operar. Mas é possível fazer também sem cirurgia.
Com um raio-x, por exemplo, é possível localizar o local exato da lesão e faz uma injeção percutânea, em que a agulha passa através da pele.





