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Parabéns, Itajaí!

Laços e fatos: de quem não sabia cozinhar a dono do prato mais consumido da Marejada

No aniversário de 162 anos da cidade, conheça Heriberto Cadore, responsável por fazer a sardinha na brasa na festa típica itajaiense desde a segunda edição do evento

15/06/2022 - 17h00 - Atualizada em: 15/06/2022 - 17h49

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Bianca
Por Bianca Bertoli
Heriberto Cadore diante do centreventos de Itajaí, onde ocorre a Marejada
Heriberto Cadore diante do centreventos de Itajaí, onde ocorre a Marejada
(Foto: )

— E a sardinha!?!?

Heriberto Cardore caminhava a passos largos no centreventos de Itajaí quando foi interrompido pelo brado de um funcionário que trabalhava na montagem do SC Beer Festival. A pergunta em tom divertido não causou estranheza ao homem de 64 anos, que respondeu o conhecido com um sorriso e um aceno.

Heriberto sabe muito bem de onde vem a fama: é ele quem faz, há mais de 30 anos, a sardinha na brasa da Marejada, festa típica da cidade.

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Diretor municipal de Infraestrutura, Heriberto ajudou na organização do SC Beer Festival, um dos eventos de comemoração do aniversário da cidade neste ano. Na correria em deixar o espaço adequado para receber os visitantes, pôde ter uma pequena amostra do que passará em outubro, quando a 34ª edição da Marejada ocorrer, depois de dois anos suspensa por conta da pandemia.

A espera é grande.

Heriberto participou de 32 das 33 edições. Trouxe para festa uma releitura do prato português. Ele, que já provou a sardinha na brasa em Lisboa, garante que a oferecida no evento popular de Itajaí supera a receita original.

— Lá eles deixam com a cabeça e vísceras, o que torna o peixe mais amargo. Aqui eu compro limpo. Tempero com óleo, sal grosso, pimenta e congelada vai direto para a grelha — revela.

De oficial a empreendedor

A ideia de fazer o prato na Marejada surgiu quase que por acaso, assim como a ida de Heriberto para o setor alimentício. Nascido na localidade de Laranjeiras, o itajaiense mal sabia fritar um ovo quando deixou a casa dos pais para estudar em um seminário de Brusque.

A infância não foi fácil. Filho de colonos, trabalhou desde cedo na roça, plantando e colhendo. Madrugava para ir vender frutas em feiras da região. Brincar com os seis irmãos, só aos finais de semana. Mesmo morando no litoral, o então menino só foi conhecer o mar quando estava no seminário.

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Durante os anos no interior de Itajaí, Heriberto carregava dentro de si um único desejo: ser militar. Quando fez 18 anos se apresentou no 23º Batalhão de Infantaria de Blumenau.

Fez parte do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva e permaneceu no Exército por oito anos, lotado na cidade de Tubarão, no Sul de Santa Catarina. Depois de encerrado o serviço como oficial, poderia recomeçar em qualquer outro canto do Estado, mas o amor por Itajaí o fez voltar. Assumiu um emprego de segurança em um estaleiro naval e, por chefiar o setor de alimentação, acabou conhecendo Francisco Reis, que passou a fornecer refeições ao local.

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Os dois formaram uma sociedade e a partir daquele momento Heriberto estava com um novo negócio. Ou melhor, alguns. Foram 13 anos administrando restaurantes e garantindo refeições em eventos. À época, partiu dele a ideia de criar um prato para a Marejada. Com uma churrasqueira de tijolos, improvisada no chão, a dupla fez um teste. E vendeu feito água.

Prato mais pedido

— Espero ansiosamente pela Marejada, não pelo retorno financeiro, mas pela alegria da festa. Criei amigos que vejo uma vez por ano. Muitos deles são categóricos em dizer que vem só pela sardinha — alegra-se.

Pesquisas feitas nas edições anteriores da Marejada comprovam o que diz Heriberto. O prato preferido é a sardinha na brasa. “O carro-chefe” do evento, como resume o secretário de Turismo Evandro Oliveira.

O tempero e modo de preparo é o mesmo desde o primeiro prato servido. O que mudou foi o entorno. Onde é o centreventos havia um terminal rodoviário. Os pontos de ônibus viravam quiosques. Por mais de duas décadas, os restaurantes funcionavam dentro de barquinhos. Não havia muita estrutura, mas sobrava animação.

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Hoje o espaço dentro e fora do pavilhão é mais equipado, tem música, conforto aos visitantes e uma churrasqueira grande para dar conta de tantos pedidos, descreve Heriberto.

São cerca de oito assadores de sardinha que atuam com o idealizador nos dias de festa. Heriberto já não tem restaurantes há anos, mas faz questão de participar de eventos que movimentam a cidade. Desde 2009 trabalha em cargos de direção na prefeitura, outra forma que encontrou de contribuir com o presente e futuro do município.

— Eu amo esse lugar. É difícil explicar o motivo, mas tem morro, tem praia, tem campo… Eu me encanto com o mar.

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A marejada

A Marejada foi criada em 1987 como Festa Portuguesa e do Pescado, um evento popular que buscava atrair visitantes por meio do turismo gastronômico, mas com uma temática diferente da Oktoberfest em Blumenau. Já recebeu artistas nacionais e locais ao longo dessas três décadas e desde 2012 não cobra ingresso para entrada.

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