O governo brasileiro ainda não decidiu se o presidente Lula (PT) aceitará o convite feito por Donald Trump para integrar um novo conselho internacional de paz. A criação do grupo foi anunciada na semana passada e, até agora, o presidente brasileiro não respondeu se aceitará ou não o convite.
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De acordo com o jornal O Globo, no Planalto, a orientação é de cautela e de observar como os demais países convidados irão se posicionar antes de qualquer resposta formal.
A maioria dos governos tem adotado postura de espera, avaliando o conteúdo da proposta apresentada pelos Estados Unidos, considerada complexa e pouco detalhada, ainda conforme o jornal. O texto foi enviado como uma iniciativa fechada, sem indicação clara de espaço para negociação, o que levou diferentes países a ganhar tempo para análise.
O que é o Conselho de Paz de Gaza?
A iniciativa foi anunciada na sexta-feira (16) por Donald Trump e faz parte da segunda fase do plano respaldado por Washington para encerrar a guerra no território palestino. Segundo a Casa Branca, o conselho de paz vai discutir questões como “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.
Cautela no Planalto e no Itamaraty
Auxiliares de Lula afirmam ao O Globo que ainda faltam informações essenciais para uma decisão. Entre os pontos em análise estão os objetivos do conselho, os custos envolvidos e a relação da iniciativa com organismos multilaterais já existentes, como a Organização das Nações Unidas (ONU).
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Também pesa a concentração de poder prevista no desenho do órgão, que ficaria sob a presidência de Trump, além da ausência de representantes palestinos entre os convidados anunciados até agora, o que gera dúvidas sobre o alinhamento da proposta com princípios do multilateralismo.
Argentina destoa
A composição final do conselho ainda não está definida, assim como os prazos e os procedimentos formais de adesão.
Nos bastidores, a Argentina é vista como um caso à parte. O governo de Javier Milei é apontado como mais disposto a aderir às iniciativas de Washington, enquanto a maioria dos países convidados prefere aguardar antes de se posicionar.
Quem foi convidado
Além de Lula e Milei, estão entre os convidados para integrar o conselho:
- Recep Tayyip Erdoğan — presidente da Turquia
- Tony Blair — ex-primeiro-ministro do Reino Unido
- Marco Rubio — secretário de Estado dos EUA
- Jared Kushner — genro de Donald Trump
- Ajay Banga — presidente do Banco Mundial
- Nickolay Mladenov — diplomata búlgaro indicado para diretor-geral do conselho
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Custo de US$ 1 bilhão para cargo vitalício
Lula teria que desembolsar a quantia de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,37 bilhões) em dinheiro vivo caso queira ter um cargo vitalício no Conselho de Paz da Faixa de Gaza. A quantia é citada dentro do projeto de estatuto do conselho ao qual a Agência Reuters teve acesso. Conforme o texto, os integrantes vão exercer o mandato por três anos, no entanto, caso queiram estender a função por mais de três anos, terão que desembolsar a quantia milionária.
“Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da entrada em vigor desta Carta, sujeito a renovação pelo presidente. O mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em fundos em dinheiro para o Conselho de Paz no primeiro ano”, diz o documento.
No sábado (17), outra agência de notícias também havia divulgado informações sobre a taxa. Porém, em comunicado, a Casa Branca negou a informação e disse que não existe taxa mínima de adesão para integrar o conselho.
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“Isso simplesmente oferece filiação permanente a países parceiros que demonstrem profundo compromisso com a paz, a segurança e a prosperidade”, disse em publicação na rede social X, o antigo Twitter.
Tentativa na ONU
O Brasil, diferentemente dos Estados Unidos e de Israel, reconhece o Estado da Palestina. Em outubro de 2023, quando a guerra na região se intensificou — após ataques do grupo terrorista Hamas ao território israelense —, o Brasil tentou aprovar no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) uma resolução que levasse a um cessar-fogo e à entrada permanente de ajuda humanitária para os palestinos.
A tentativa, no entanto, fracassou. Na época, o governo dos EUA vetou a movimentação e alegou que o texto não deixava claro o direito de Israel de se defender. À época, o país era chefiado por Joe Biden.
Desde então, Lula tem criticado tanto as ações do Hamas como a forma de Netanyahu de lidar com os palestinos, o que provocou um distanciamento diplomático entre Brasil e Israel.
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