A confirmação de Geraldo Alckmin (PSB) como vice de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as Eleições 2026 oficializa a longevidade de um dos “casamentos” mais improváveis da política nacional. O que antes era uma rivalidade histórica, marcada por embates diretos, consolidou-se como uma aliança pragmática. No tabuleiro de Brasília, a dupla prova que a sobrevivência no poder exige a capacidade de converter desavenças em conveniência estratégica.

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Do retorno à cena do crime ao brinde no Planalto

Para compreender a magnitude dessa reviravolta, é preciso resgatar o cenário bélico de 2006. Naquele embate, o PT carimbava Alckmin como o “fascista do tucanistão”, enquanto o então tucano reagia acusando o governo Lula de ser gerido por uma “quadrilha”, o famoso bordão sobre o “retorno à cena do crime”. Hoje, a harmonia exibida nos salões do Planalto parece ignorar um passado de ataques éticos agressivos, que o pragmatismo político tratou de varrer para debaixo do tapete.

O fantasma de Temer e a resistência no DNA petista

A aliança não foi feita sem cicatrizes. Dentro do PT, a presença de Alckmin gerou resistência imediata de setores que defendiam o isolamento ideológico da chapa. O argumento era o risco de descaracterização do programa de governo, mas o pano de fundo era o trauma de 2016. O receio de colocar “o inimigo no quarto ao lado” alimentou a comparação inevitável com Michel Temer e o desfecho do impeachment de Dilma.

O mapa de 2022 como guia para a sobrevivência em 2026

Mesmo com o constrangimento de arquivos históricos sendo usados como munição digital, a conta do poder fechou no azul. Em 2022, Alckmin entregou o que prometeu: segurança ao mercado financeiro e diálogo com o conservadorismo. A vitória no detalhe foi o aval definitivo para a estratégia de Lula. Ao repetir a dose para 2026, o governo sinaliza que as rusgas de ontem são irrelevantes diante da necessidade de manter o controle do tabuleiro hoje.

Eleições 2026: o que pode e o que não pode no dia da votação

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.