Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está eleito presidente da República. O petista recebeu 50,90% dos votos válidos (60.343.142) no segundo turno das eleições de 2022 e está eleito com 99,99% das urnas apuradas. Jair Bolsonaro (PL) ficou com 49,10% dos votos (58.205.255).

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Por uma hora e meia de apuração, o atual presidente estava na primeira colocação nas parciais do TSE. Às 18h44min, quando 67,76% das urnas estavam apuradas, Lula passou à frente e assim se manteve até o fim.

A vitória de Lula manteve o cenário do primeiro turno, quando o petista também ficou à frente, com 48,43% dos votos válidos (57.259.504), seguido por Bolsonaro, com 43,20% (51.072.345).

A vitória de Lula no segundo turno também já era sinalizada por pesquisas eleitorais ao longo de toda a corrida para a Presidência da República, mas por uma vantagem cada vez mais ajustada, o que se consolidou agora.

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A trajetória da vitória de Lula

O presidente eleito poderá cumprir pelos próximos quatro anos seu terceiro mandato à frente do Palácio do Planalto, agora com o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSB) como vice. O petista já havia chefiado a República do início de 2003 ao final de 2010, ao emendar dois mandatos ao lado do já falecido empresário José Alencar, com quem compôs chapa à época.

Nos 12 anos em que ficou distante da Presidência, Lula conseguiu eleger por duas vezes ao cargo sua correligionária Dilma Roussef (PT), testemunhou ela sofrer um impeachment e foi preso ao ser alcançado pela Operação Lava Jato.

Ele também tentou disputar a eleição presidencial de 2018 ainda da prisão em Curitiba, quando, no entanto, Fernando Haddad (PT) precisou encabeçar a chapa petista devido ao impedimento da Justiça à candidatura de Lula e foi quem acabou derrotado por Bolsonaro.

No primeiro ano de governo do atual presidente, em 2019, Lula foi solto após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que um condenado só pode ser preso quando esgotados os recursos de um processo, ou seja, quando há trânsito em julgado da sentença.

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A partir de então, o petista passou a articular uma eventual reeleição, apesar de, à época, ainda estar barrado pela Lei da Ficha Limpa, já que estava condenado em segunda instância.

Já em 2021, ele teve anuladas as suas condenações nos casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e de doações ao Instituto Lula, pelo entendimento do STF de que não caberia à Justiça Federal do Paraná julgá-los, e viu também o Supremo reconhecer a suspeição do ex-juiz Sergio Moro nos julgamentos em que o petista era réu, fatos que levaram os processos de Lula à estaca zero e, assim, permitiram que ele pudesse concorrer nas eleições deste ano.

Lula baseou a campanha para o terceiro mandato no discurso de retomada da economia e distribuição de renda, destacando os índices que entregou ao governo Dilma e minimizando os números que foram deixados pela companheira de partido.

O presidente recém-eleito também atraiu antigos críticos, caso do próprio vice, ao se colocar como o único nome capaz de vencer Bolsonaro e apostar em um discurso de retomada da ordem democrática, o que, em sua tese, estaria em risco sob um eventual segundo governo do atual presidente.

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Lula conquistou alianças assim também na corrida para o segundo turno, quando passou a ter em seu palanque a senadora Simone Tebet (MDB-RS), que ficou em terceiro na votação presidencial do último dia 2. O quarto colocado naquela ocasião, Ciro Gomes (PDT), prestou apoio comedido ao petista com declaração de seu partido.

Na véspera do primeiro turno, a candidatura petista chegou a intensificar o discurso antibolsonarista, para que simpatizantes de outros candidatos aderissem a Lula já naquela ocasião com o chamado voto útil e, assim, a eleição fosse liquidada sem a necessidade de um segundo. A disputa acabou, no entanto, avançando para uma nova votação.

Lula não indicou até aqui quais nomes devem compor os ministérios de seu terceiro mandato. É ao menos esperado que o novo governo tenha indicações dos partidos que compõem a coligação com a qual o petista foi eleito, que tem PSOL, Rede, PCdoB, PV, Solidariedade, Agir, PROS e Avante, além do próprio PT e do PSB de Alckmin. A aliança deu a ele o maior tempo da propaganda eleitoral entre os candidatos à Presidência.

Fotos mostram a passagem de Lula por SC no 1º turno

Comício de Lula em SC
Comício de Lula em SC – (Foto: Tiago Ghizoni, Diário Catarinense )
Comício de Lula em SC
Comício de Lula em SC – (Foto: Tiago Ghizoni, Diário Catarinense )
Comício de Lula em SC
Comício de Lula em SC – (Foto: Tiago Ghizoni, Diário Catarinense )
Comício de Lula em SC
Comício de Lula em SC – (Foto: Tiago Ghizoni, Diário Catarinense )
Comício de Lula em SC
Comício de Lula em SC – (Foto: Tiago Ghizoni, Diário Catarinense )
Comício de Lula em SC
Comício de Lula em SC – (Foto: Tiago Ghizoni, Diário Catarinense )
Comício de Lula em SC
Comício de Lula em SC – (Foto: Tiago Ghizoni, Diário Catarinense )

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A derrota de Bolsonaro

Já Bolsonaro se torna agora o único presidente empossado por eleições diretas no período posterior à redemocratização no Brasil, que teve seu primeiro pleito em 1989, a ser derrotado em uma tentativa de reeleição. Antes dele, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o próprio Lula e Dilma haviam tido sucesso ao tentar emendar um segundo mandato.

Ele buscava a reeleição em chapa com Walter Braga Netto (PL), e não mais com o também militar da reserva Hamilton Mourão (Republicanos-RS), atual vice-presidente e senador eleito.

Bolsonaro também reforçou a condução da economia em sua campanha, destacando a taxa atual de desemprego e os auxílios pagos em seu governo, e apostava na agenda de costumes que defende, como a pauta armamentista e a proibição do aborto.

O atual presidente ainda buscou polarizar a disputa com Lula desde o primeiro turno, na tentativa de atrair votos dos eleitores que não são bolsonaristas convictos, mas, ainda assim, se consideram antipetistas.

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A candidatura bolsonarista também se fiou em um discurso anticorrupção, atribuindo a Lula o mando sobre escândalos surgidos nos governos petistas e minimizando episódios ao menos questionáveis do próprio Bolsonaro, como a aquisição com dinheiro vivo de 51 imóveis pelo núcleo familiar do presidente, fato revelado pelo portal UOL.

Também foi parte da estratégia bolsonarista fazer ataques ao sistema eleitoral, embora a segurança, confiabilidade e auditabilidade do pleito sejam características consolidadas. O mais recente deles diz respeito a um suposto boicote de rádios na veiculação da propaganda eleitoral pró-Bolsonaro.

Os ataques também se estenderam a outras instituições. Aliado de Bolsonaro, o ex-deputado Roberto Jefferson, por exemplo, protagonizou ofensas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e um atentado armado contra agentes da Polícia Federal (PF) na semana da votação.

A campanha favorável a Bolsonaro ainda esteve associada à divulgação de notícias falsas contra o adversário, como a que acusava Lula de pretender fechar igrejas no país se eleito. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a determinar a remoção de publicações assim das redes sociais e concedeu direitos de resposta ao candidato petista na propaganda eleitoral.

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Por outro lado, o TSE também concedeu resposta a Bolsonaro, após a propaganda de Lula cogitar que o presidente abortaria seu filho Jair Renan e estaria associado a milícias.

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