Em Balneário Camboriú, a cidade ostenta verdadeiros gigantes da construção civil, são diversos prédios e arranha-céus que garantiram o apelido de “Dubai brasileira” ao município. No entanto, em dias com fortes rajadas de vento, imagens das estruturas balançando se tornam comum na internet.
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Vídeos mostram momentos que prédios balançaram
Mas afinal, por quê esse movimento acontece, e ele é capaz de oferecer algum tipo de risco aos moradores? A engenheira e diretora executiva da Talls Solutions, empresa do Grupo FG, Stéphane Domeneghini explica o que está por trás dos edifícios que “dançam” com o vento na cidade.
Considerada uma das principais especialistas de prédios altos e projetos complexos no mundo, Stéphane explica que as estruturas sofrem com a ação do vento, assim como qualquer outro elemento na natureza. Quanto mais alto for o prédio, mais suscetível ele será às ventania.
— Quando você sobe em altura, e principalmente quanto mais fino é um prédio, mais esse efeito se acentua. Como na natureza, as árvores mais altas sofrem mais a ação de vento, analogamente é com prédios. Ao comparar uma sequoia, que é alta mas possui um tronco espesso ao bambu que é também alto mas muito fino, o bambu precisa se movimentar mais para não quebrar do que a sequoia. Assim é a engenharia de prédios altos, para que se mantenha seguro, a lógica é que haja o movimento, controlado para que as pessoas não sintam — esclarece.
Movimentação é considerada normal
De acordo com a engenheira, cada caso precisa ser verificado mas é normal que os prédios se movimentem dentro dos parâmetros de conforto. Os moradores podem perceber elementos como lustres e pendentes se movendo dentro da residência, porém o ideal é que não se sintam desconfortáveis.
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Limites de segurança
Domeneghini afirma que apesar de ser um movimento natural para a estabilidade da construção, há um limite em que os prédios podem se movimentar até ser considerado anormal, principalmente nos “gigantes” de Balneário Camboriú.
— É importante em arranha-céus não se limitar às normas nacionais e acompanhar a tendência mundial de análises, e também analisar o prédio com dados vindos de ensaio de túnel de vento, que atualmente é a única forma de prever com maior assertividade o que ocorrerá em edifícios expostos a ventos extremos, para que se comportem bem quando construídos e passarem por tempestades e situações críticas — explica.
Moradores sentem o balanço?
Em eventos realmente extremos, como fortes tempestades, ciclones, e alta velocidade do vento, é possível perceber a movimentação da estrutura, principalmente através dos elementos que podem se mover brevemente dentro da residência.
Segundo Stephane, a percepção de movimento pode durar poucos segundos, é considerada normal e aceitável em critérios internacionais e não compromete a segurança dos moradores, ou da própria estrutura.
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Tecnologias de construção
Os prédios altos são projetados para suportar a ação do vento desde a sua concepção estrutural, que é o principal fator para garantir segurança e bom desempenho mesmo em situações extremas. Em edifícios muito altos e esbeltos, que estão mais sujeitos ao movimento, podem ser adotadas soluções complementares para ajudar a controlar a oscilação.
Entre as medidas, estão a utilização de grandes massas, como tanques de água, no topo da estrutura. Esses itens são conhecidos como mass dampers e possuem a capacidade de reduzir o balanço. Além disso, estruturas adicionais, como os outriggers, contribuem para aumentar a rigidez do prédio e melhorar seu comportamento diante do vento.
A engenheira e diretora da Talls Solutions reforça que no início de um projeto, na solução estrutural, já são traçados sistemas capazes de resistir à ação do vento e somente em casos muito atípicos, a indicação é recorrer à sistema secundários como o mass dampers.
— O movimento necessita existir, a exemplo do bambu, que ao se “dobrar” ao vento, encontra aí sua resiliência de não quebrar — conclui.
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Quais são os prédios mais altos de Balneário Camboriú?
Na cidade de gigantes, diversos empreendimentos se destacam pela altura imponente em meio à arquitetura tradicional de Balneário Camboriú. Entre eles, se destaca o Senna Tower, em construção na Avenida Atlântica e projetado para ser o maior edifício residencial do mundo.
Senna Tower — 544 metros
Em fase inicial de construção, a Senna Tower será o prédio mais alto do Brasil e o maior edifício residencial do mundo. Com 154 andares, o empreendimento da FG Empreendimentos será uma homenagem a Ayrton Senna. O prédio terá 228 unidades, incluindo mansões suspensas e coberturas de alto luxo. A previsão de entrega é de 2035.
Yachthouse by Pininfarina — 294 metros
Com duas torres gêmeas, esse empreendimento é um ícone da arquitetura de luxo. Localizado na Barra Sul, o Yachthouse foi projetado pelo estúdio italiano Pininfarina e finalizado em 2023, após a instalação de pináculos decorativos que o colocaram no topo do ranking à época.
One Tower — 290 metros
Inaugurado em 2022, o One Tower é um edifício residencial com 84 andares e vista frontal para o mar. Fica na Avenida Atlântica e é conhecido pelo seu padrão de acabamento e pela tecnologia de ponta. Na época da entrega, foi considerado o mais alto da América Latina.
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Infinity Coast Tower — 235 metros
O arranha-céu residencial localizado na Barra Norte de Balneário Camboriú, Santa Catarina. Com 234,7 metros de altura e 66 andares, foi concluído em 2019 e, na época, tornou-se o edifício mais alto do Brasil, título que manteve até a inauguração do One Tower em 2022.
Epic Tower — 191 metros
Na Barra Sul, o Epic Tower, também da FG Empreendimentos, tem 56 andares, que somam 191,1 metros de altura. Lançado em 2012, a construção iniciou em 2014 e foi concluída em 2020.







