Macacos vendidos por até R$ 100 mil foram resgatados nesta semana em um estabelecimento na cidade de Xanxerê, perto de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. De acordo com o Ibama, responsável pela operação, os animais eram vítimas de maus-tratos. O órgão diz que o criadouro funcionou por mais de uma década com uma liminar da justiça.

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O local já havia sido alvo de outra operação, quando resgataram 126 aves e 41 primatas, os quais foram levados para os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) situados em Brasília (DF), Lorena (SP) e Porto Alegre (RS), no ano passado.

Dessa vez, para a retirada dos 26 macacos-prego que ainda estavam no estabelecimento, foi necessário um mandado judicial para entrar na propriedade, pois os proprietários não queriam permitir a entrada do Ibama. Os animais apreendidos foram encaminhados a instituições especializadas em reabilitação física e comportamental, situadas em outro estado, com apoio logístico da Polícia Rodoviária Federal. A

A ação contou ainda com o apoio do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC), da Polícia Militar Ambiental e de outras instituições parceiras.

O encerramento desse estabelecimento, que operava sem o devido licenciamento ambiental, amparado apenas por decisão judicial posteriormente revogada, representa uma importante vitória para a proteção das espécies do gênero Sapajus no Brasil, algumas das quais ameaçadas de extinção comemora o superintendente do Ibama em Santa Catarina, Paulo Maués.

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Funcionamento irregular e flagrante de maus-tratos

De acordo com uma das fiscais do Ibama envolvidas na apreensão dos animais, “o criadouro funcionava apenas para a reprodução dessas espécies, visando ao lucro com a exploração desses animais, tratando-os como meras mercadorias”. Além disso, o estabelecimento não atendia às normas de estrutura definidas pelo Ibama, nem garantia o mínimo de bem-estar para os espécimes.

Durante a vigência da liminar que permitiu o funcionamento do criadouro de 2013 a 2024, o estabelecimento declarou a venda de 240 primatas, sendo 86 macacos-prego e 154 saguis, com valores que ultrapassavam R$ 100 mil por animal.

Com a cassação da liminar, o Ibama iniciou, em 2024, o processo de desativação do criadouro, onde foram constatadas graves irregularidades, incluindo situações de maus-tratos. Os animais eram mantidos em pequenas gaiolas, que não possibilitavam espaço suficiente para movimentos básicos dos macacos, como a escalada. Foram observados ainda quadros de desnutrição funcional, sinais de estresse crônico, privação de luz solar e a separação precoce de filhotes e suas mães.

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“Esses macacos apresentavam alto grau de comportamento típico de estresse, de cativeiro inadequado. O manejo desses animais era feito na base do terror, com jatos d’água de alta pressão. Todos tinham sintomas de aversão a pessoas, demonstrando um medo exacerbado”, relata a fiscal.

Segundo ela, o estresse era tão elevado, que eles já não desenvolviam mais os comportamentos esperados para a espécie, como a estruturação hierárquica de grupos.

A criação de macacos-prego como animais de estimação não é recomendada pelos órgãos ambientais, tendo em vista sua inadequação ao ambiente doméstico, o que compromete seus comportamentos naturais e frequentemente resulta em manejo abusivo, maus-tratos e riscos sanitários relevantes.