O Natal na casa de Maria das Dores Machado será diferente. Mãe do ator catarinense Jeff Machado, encontrado morto dentro de um baú concretado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, ela enfrenta a dor do luto e à espera de que os acusados pelo assassinato sejam julgados por um júri popular. Um sentimento que fica ainda mais intenso com a chegada das festas de fim de ano.

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— Como vai ser o meu Natal? O Anderson [outro filho], eu perdi em um acidente de carro, mas o Jefferson, me tiraram ele. O Natal pra mim é em família, vai ser triste. Eu me agarro ao meu neto, meu outro filho, e minha mãe de 94 anos — contou em entrevista ao g1.

O que se sabe da morte brutal de Jeff Machado no RJ

Maria ainda não acredita que o filho morreu a quase um ano. Ela vai à missa quase todos os dias em busca de um alívio. Para as comemorações deste ano, montou uma árvore de Natal com fotos dos filhos e do pai, que também já faleceu. Uma atitude que tem como intuito se sentir mais próxima daqueles que partiram.

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— Esse laço vermelho eu trouxe do apartamento do Jefferson, usei tudo que eu consegui trazer para decorar. Eu não acredito que perdi meu filho com toda saúde. Ele era parceiro, um filho querido, é uma dor física, um sofrimento enorme para uma mãe — explicou.

Até o momento, duas audiências sobre o caso foram realizadas pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). A primeira ocorreu em outubro, quando três pessoas foram ouvidas, entre elas a mãe do ator. Na ocasião, ela descreveu Bruno de Souza Rodrigues — ex-produtor, amigo de Jeff e réu pelo assassinato — como alguém “extremamente maquiavélico” por ter se passado pelo filho e mentido para ela.

Além de Bruno, o garoto de programa Jeander Vinícius da Silva Braga também é réu pela morte do ator, por ocultação de cadáver e outros crimes.

O inspetor da Delegacia de Descoberta de Paradeiros, Igor Rodrigues Bello, afirma ter certeza de que o crime foi premeditado. Para ele, o ponto de virada das investigações foi o depoimento de um táxi dog, contratado para levar os oitos cachorros do ator para um centro de umbanda desativado.

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Como cães de ator de SC ajudaram na descoberta do crime no RJ

Em depoimento, o taxista afirmou que em 31 de janeiro Jeff fez contato por meio de um aplicativo de mensagens, mas quem apareceu para acompanhá-lo no transporte dos cães foi Bruno. O catarinense já estava morto no dia.

Após ver postagens nas redes sociais sobre cachorros da mesma raça dos animais do ator, que estavam perambulando pela Zona Oeste do Rio, o homem procurou espontaneamente a polícia.

Ao fim das investigações, a polícia concluiu que Bruno se passou por Jeff também em outras ocasiões após o crime, inclusive para falar com a mãe do ator.

Já a segunda audiência ocorreu em 11 de dezembro quando mais testemunhas foram ouvidas, como amigos das vítima. A última sessão está marcada para 26 de janeiro de 2024, três dias depois da morte do ator catarinense completar um ano.

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— Eu quero que vá a júri popular porque eu preciso da ajuda de outras pessoas para que eles fiquem o máximo de tempo na cadeia. Que eles fiquem velhos, de cabelo branco, dentro da cela, por todo sofrimento que eles me causaram com a perda do meu filho — complementa Maria das Dores.

Relembre o caso

Jeff desapareceu no final de janeiro e foi encontrado morto em maio. Segundo a polícia, o corpo estava dentro de um baú concretado em uma casa em Campo Grande.

Conforme as investigações, o crime ocorreu após o ator ter cobrado Bruno por uma falsa promessa de vaga numa novela. Jeff teria pago cerca de R$ 18 mil aos criminosos.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou denúncia contra o ex-produtor pelos seguintes crimes:

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  • Homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, emprego de asfixia, uso de recurso que impediu a defesa da vítima e para ter vantagem de outro crime);
  • Ocultação de cadáver;
  • Estelionato;
  • Crimes patrimoniais contra o espólio do ator (saques, tentativa de venda do carro e da casa, compras com cartão de crédito);
  • Invasão de dispositivo eletrônico;
  • Falsa identidade (por se passar por Jeff Machado);
  • Maus-tratos aos animais.

Jeander, no entanto, é acusado por homicídio, ocultação e maus-tratos a animais.

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Quem é Jeff Machado

Natural de Araranguá, Sul de Santa Catarina, Jefferson Machado da Costa tinha 44 anos. Ele possuía experiências no jornalismo e em outras áreas da cultura, como produção. Além disso, atuou no voluntariado.

Em Santa Catarina, atuou como colunista social na imprensa de Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, e em Florianópolis. Mas a carreira começou a deslanchar em 1997, quando deixou o estado e foi para a efervescência cultural carioca. Lá estudou técnicas artísticas, direito e comunicação social.

Após dez anos transitando no Eixo Rio-SP, voltou a capital catarinense, onde
trabalhou como assessor de imprensa, produtor, diretor de arte, cenógrafo, vitrinista e stylist em campanhas, eventos desfiles, videoclipes e televisão.

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Voltou ao Rio de Janeiro em julho de 2014 para interpretar um soldado filisteu na novela “Reis”, que estreou em março de 2022 na TV Record.

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