Uma rotina urbana em Blumenau, o silêncio da natureza preservada na Costa da Lagoa ou o desafio em dobro de criar gêmeos em Itajaí. Embora vivam realidades geográficas e estilos de vida distintos, Luana, Cristina e Thamiriz compartilham um propósito: usar a voz digital para mostrar os desafios e as alegrias de colocar um filho no mundo. Neste Dia das Mães, celebrado neste domingo (11), o NSC Total ouviu as histórias dessas três mulheres que transformaram a maternidade em conteúdo e conexão nas redes sociais.
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Para Luana Naffien, de Blumenau, a vida como influenciadora de maternidade começou de forma natural após ela compartilhar a rotina, momentos felizes e dificuldades nas redes sociais. Com o tempo, outras mães se identificarem com ela.
— Quando percebi, aquilo que era apenas troca virou também responsabilidade e trabalho. Hoje consigo unir as duas coisas: viver minha maternidade e, ao mesmo tempo, transformar isso em conteúdo que ajuda outras mães — diz a influenciadora.
Mãe de dois filhos — Francisco, de 8 anos, e Helena, de 1 ano e três meses —, Luana conta que gosta de mostrar a “maternidade real”, como os momentos de desafios e cansaço, mas também preserva a intimidade:
— Nem tudo precisa estar na internet. Existem momentos que são só nossos, em família. A internet julga muito. Desde a forma de criar os filhos até decisões simples do dia a dia. Já recebi julgamentos sobre trabalho, rotina, sono, alimentação, exposição na internet… mas aprendi que sempre vai existir opinião. O mais importante é saber que estou fazendo o meu melhor como mãe.
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Apesar dos julgamentos, ela também destaca que as redes sociais podem servir como uma rede de apoio entre mães que não se conhecem pessoalmente.
— A troca entre mulheres que vivem a maternidade é muito forte. Já recebi mensagens que me ajudaram em momentos difíceis, e também fico feliz em saber que meu conteúdo ajuda outras mães — diz.
Maternidade na “floresta”
Assessora parlamentar, fotógrafa e doula, Cristina Souza, de 37 anos, escolheu criar seus filhos em meio à natureza, na Costa da Lagoa, bairro de Florianópolis que tem acesso apenas por barco ou trilha. Mãe de Rudá, de 8 anos, e Caeté, de quase 4, além de uma gestação que não evoluiu, a influenciadora defende nas redes sociais que o contato com a natureza é essencial para o desenvolvimento físico, emocional e social das crianças.
Cristina, conhecida nas redes sociais como Odara da Floresta, decidiu trocar a vida urbana em 2017, após conhecer a Costa da Lagoa durante um trabalho. Caeté, inclusive, nasceu em casa em um parto domiciliar.
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— Foi um parto bem rápido, com três horas de parto ativo, e foi uma delícia. Eu não quero ter mais filhos, mas se eu tivesse, com certeza, eu optaria novamente pelo domiciliar — conta.
A maternidade, no entanto, também trouxe desafios. Morar em uma comunidade com acesso restrito, dependente de horários de barco, exige planejamento constante. Atividades, escola, esportes e serviços levam mais tempo, e a logística pode ser cansativa, especialmente com crianças pequenas.
O pós-parto do primeiro filho foi marcado pela solidão, já que Cristina conhecia poucas mulheres e mães na comunidade naquele período. Com o tempo, a realidade mudou: hoje, ela descreve a Costa como uma grande rede de apoio, onde as crianças crescem juntas e constroem vínculos desde cedo. Mesmo com as dificuldades, ela defende que os benefícios superam os obstáculos. Para ela, o contato diário com a natureza impacta diretamente a saúde física, emocional e sensorial das crianças:
— Fui uma criança criada em contato com a natureza, a minha realidade era mais de praia, mas também sempre tive essa conexão com as árvores, com a terra, e para mim isso é essencial na infância. Gostaria eu que mais crianças pudessem ter essa oportunidade. Eu observo o quanto faz bem para a vida deles, para a inteligência física, emocional.
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Cristina enxerga a maternidade como uma questão social e política. Ela defende que maternar é um trabalho de cuidado fundamental, ainda invisibilizado e não remunerado.
— É a coisa mais difícil que eu já fiz na vida, mas é a coisa mais linda também. Não tem um dia na minha vida que eu não sou rica com os meus filhos. Então, eu luto muito pela valorização desse trabalho, né, que é maternário, que é tão profundo, tão intenso e tão bonito — conta.
Veja as fotos das mães de SC
Mãe de gêmeos e a vida nas redes sociais
Presente nas redes sociais desde os 16 anos, Thamiriz Garcia, atualmente com 31, fez da internet não apenas um espaço de troca, mas também de trabalho. Moradora de Itajaí, ela atua como influenciadora digital desde 2017, compartilhando diferentes fases da vida e, mais recentemente, a maternidade, com a chegada dos gêmeos Vinícius e Arthur.
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Para ela, a chegada dos filhos marcou uma mudança natural no foco dos conteúdos que compartilha. Se antes eles giravam em torno de moda e autoestima, hoje o lifestyle e, principalmente, a maternidade ocupam o centro das conversas.
— As redes sempre acompanharam a minha vida. Com a maternidade, foi natural compartilhar essa nova fase — conta.
A rotina é dividida entre o cuidado com os filhos e a criação de conteúdo, equilibrada com o apoio da rede familiar. Com ajuda da mãe e do marido, que participa ativamente da criação, Thamiriz organiza o dia entre gravações, mamadeiras, atenção aos bebês e produção de conteúdo.
A influenciadora fala da maternidade como um lugar de vulnerabilidade. Justamente por isso, estabelece limites claros sobre o que mostrar. Embora seja tranquila com os conteúdos que publica, faz questão de preservar a intimidade da família e, especialmente, dos filhos.
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— Eu acho que o principal da internet é que as pessoas se identificam com a gente e elas vão criando essa conexão. São como amigas virtuais. Existe uma troca muito grande mesmo de experiências. O meu filtro é sempre viver aquilo primeiro para depois compartilhar a minha experiência pensando realmente em como ela pode ajudar outras mães — conta.
O peso do julgamento
A exposição do dia a dia com a maternidade nas redes sociais pode vir acompanhada de julgamentos. No caso de Thamiriz, os mais comuns são os “pitacos”, opiniões não solicitadas que surgem sobre decisões cotidianas em relação aos filhos.
Para a influenciadora de Itajaí, o mais doloroso está ligado ao fato de ser mãe de gêmeos. Comentários que questionam se existe um filho preferido a atingem diretamente.
— Quem é mãe de gêmeos sabe o quanto a gente se desdobra. Quem tem dois filhos já é assim, mas eu digo, quando você tem dois bebês ao mesmo tempo, desde o primeiro minuto de vida deles, que você está ali se desdobrando, dando tudo de si para dar conta, para dividir. Eu acho que dói quando a gente ouve esse tipo de coisa — alega.
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Mas para além dos julgamentos, a internet também pode funcionar como rede de apoio. Trocas de mensagens, pedidos de ajuda e sugestões sinceras criam um espaço de acolhimento entre mulheres que, muitas vezes, não se conhecem pessoalmente, mas compartilham desafios semelhantes.
Neste Dia das Mães, Thamiriz define a maternidade como a realização de um sonho. Após uma perda gestacional e um período de dor, a chegada dos filhos representou um recomeço:
— Ser mãe sempre foi um sonho. Então eu hoje vivo o meu sonho realizado. Eu tenho dois bebês lindos sorridentes. São duas bênçãos que Deus enviou para a minha vida.








