A Arrancada de Caminhões de Balneário Arroio do Silva, no Sul do Estado, não será realizada em 2025 após decisão judicial, que estabelece a elaboração do licenciamento ambiental. O maior evento de arrancadas na beira-mar da América Latina iria para a 33ª edição neste fim de semana, entre os dias 13 e 16, conforme calendário da prefeitura.
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O cancelamento da competição foi confirmado na manhã desta sexta-feira (7), após aproximadamente dois meses de polêmica. A suspensão da licença ambiental se deu como cumprimento de uma sentença de um processo que iniciou em 2011 e tramita na Justiça Federal. A prefeitura foi notificada em dezembro de 2024.
Em coletiva, o prefeito de Arroio do Silva, Evandro Scaini, afirmou que a licença ambiental do município, junto ao Instituto do Meio Ambiente (IMA) tinha validade até maio de 2026. Com isso, a administração ainda busca reverter a situação, apesar de, no momento, o evento ter sido cancelado.
— Tentamos um recurso no Tribunal de Justiça. Na última sexta-feira a liminar foi contrária ao nosso desejo. Mas no momento, a corrida está cancelada — afirmou o prefeito.
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A decisão judicial ainda estabelece a necessidade de elaboração do licenciamento ambiental denominado EIA/RIMA, que é um estudo de impacto ambiental. Essa ação deve ser feita junto a uma audiência pública de três em três meses. Conforme a sentença, caso a prefeitura descumpra a ordem, estará sujeita à multa diária de R$ 100 mil, além da possibilidade do cancelamento também, da corrida de 2026.
O município contratou os serviços da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), que protocolou um termo de referência no IMA para identificar quais estudos são necessários. Não há certeza se o processo será concluído a tempo para uma nova competição no próximo ano.
Prejuízo econômico para o comércio
As corridas reúnem caminhoneiros e pilotos profissionais de todo o país, movimentando mais de 200 mil visitantes nos dias de competição. Com a não realização, de acordo com o chefe do executivo arroio silvense, o comércio deve sofrer um impacto econômico.
— A gente sabe do prejuízo que a corrida vai causar socialmente e financeiramente para Arroio do Silva e para a região Sul. Isso prejudica a cadeia produtiva de Terra de Areia (RS) até Tubarão (SC). São redes de combustíveis, mecânicas, transportadoras, restaurantes, pizzarias, hotéis, mercados, tudo — comenta o prefeito.
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Por fim, a administração ainda afirmou que dará seguimento às determinações, assim como manterá conversas com a Justiça Federal e com o Ministério Público, com o objetivo de viabilizar legalmente a execução da arrancada.
Conheça a Arrancada de Caminhões
O evento iniciou em 1986, que surgiu da ideia de Luiz Carlos Verdieri. O primeiro “Km de Arrancada de Caminhões”, como era chamado, foi realizado quando Arroio do Silva ainda fazia parte de Araranguá. Aquela havia sido a primeira corrida de caminhões do Brasil, considerada também, inédita na América do Sul.
A primeira edição, nomeada como “Praia, Verão e Caminhão”, foi realizada nos dias 1º e 2 de fevereiro daquele ano, contando com 50 competidores. As categorias de competição foram: Toco, Truck e Cavalo Mecânico. O público foi de aproximadamente 45 mil espectadores no entorno da pista.
Após isso, mais 31 edições foram feitas, passando a serem chamadas de Arrancada de Caminhões de Balneário Arroio do Silva.
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