nsc
dc

Violência

Maioria das vítimas de feminicídio em SC não denunciou violência doméstica

Em comparação com 2020, 4.834 mulheres a mais foram vítimas de ameaça, calúnia, injúria, difamação, estupro, lesão corporal dolosa ou de vias de fato em 2021

18/01/2022 - 16h59 - Atualizada em: 18/01/2022 - 19h55

Compartilhe

Gabriela
Por Gabriela Ferrarez
Em 2021, 67.270 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência doméstica
Em 2021, 67.270 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência doméstica
(Foto: )

A maioria das mulheres vítimas de feminicídio em Santa Catarina não tinha feito denúncias por violência doméstica. Os números do balanço da criminalidade do Estado de 2021, divulgados nesta terça-feira (18), revelaram que 82% das mulheres mortas estão nesta estatística, sem denúncias prévias ao assassinato.

> Receba as principais notícias de Santa Catarina pelo Whatsapp

O levantamento registrou 55 feminicídios em 2021. Uma das vítimas foi Deniza Soares Kukul, de 29 anos, mãe de dois filhos e morta com um canivete pelo marido, em frente à mãe, na volta de uma viagem em família. O crime aconteceu em Blumenau, no dia 28 de novembro. O homem foi preso quatro dias depois.

Apesar do ano que passou ter tido dois assassinatos de mulheres a menos que 2020, quando 57 sofreram feminicídio, a taxa de violência doméstica cresceu em 6,5% em 2021. Isso significa que 4.834 mulheres a mais foram vítimas ou de ameaça, calúnia, injúria, difamação, estupro, lesão corporal dolosa e vias de fato. 

Os dados de violência doméstica são registrados desde 2019, mas em 2021, 67.270 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência por pessoas que elas conheciam. Foi o maior número registrado em três anos. 

> Três casos de violência contra a mulher são registrados na Grande Florianópolis em 24h

Para a coordenadora das Delegacias de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcamis), delegada Patrícia Zimmermann D’Ávila, é na investigação do assassinato de uma mulher por uma pessoa próxima, que muitas vezes se descobre que ela sofria algum tipo de violência. 

— O nosso problema é que existe muita subnotificação, por uma série de motivos, por dependência financeira e emocional, por exemplo. Na investigação a gente acaba descobrindo que ela vinha sofrendo agressões e ameaças e não pediu ajuda. São muitos casos de mulheres que não denunciam — fala a coordenadora.

Foi o caso de uma mulher de 30 anos, que foi salva pela mãe, que denunciou que a filha era repetidamente espancada pelo namorado. O caso chocante de tortura aconteceu em Blumenau e foi descoberto pela polícia no início de janeiro. O ex-companheiro ameaçava a vítima e seus filhos, para tentar impedir que ela pedisse socorro. Em uma operação, o homem foi preso.

Segundo a delegada, quanto maior o número de registros de violência doméstica, menor o número de ocorrências de feminicídio. 

— Quando as mulheres notificam antes, interrompe o ciclo da violência no início. A violência começa de forma sutil, com censura e descontrole. Mas quando ela denuncia, isso não vira em feminicídio. Sempre que a gente vê um aumento desses caso de violência doméstica, isso significa que haverá menos feminicídios — explicou a delegada. 

> Mulher grávida é morta a facadas em Ibicaré, e marido confessa o crime

O levantamento apontou que 82% dos homens que cometem feminicídio estão vivos. Destes, 11% estão foragidos e o restante foi preso em flagrante. 

Violências mais comuns contra a mulher são difamação e ameaça

Mais da metade das mulheres que sofreu violência doméstica em Santa Catarina, cerca de 53%, são vítimas de crimes contra a honra ou ameaças em 2021. Em seguida, ficam os crimes de estupro e vias de fato, ambos com 17,4%. Por último estão os registros de lesão corporal dolosa, com 12% das denúncias. 

> Medo de feminicídio leva 36 mulheres a pedirem medidas protetivas diariamente em SC

Leia mais

SC tem 15% das vítimas de feminicídio em 2021 mortas pelos próprios pais

Homem que matou a ex na véspera de Natal em Jaraguá do Sul é condenado a 27 anos de prisão

SC recebe segunda remessa com vacina contra a Covid para crianças; veja quem recebe

Colunistas