Nos últimos meses de vida, quando o cuidado deveria ser simplificado, muitos idosos com câncer ainda convivem com rotinas intensas de medicação. Um estudo recente mostra que remédios sem efeito continuam sendo mantidos até o fim.
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A pesquisa analisou mais de mil pacientes idosos no Japão e revela dificuldades na descontinuação de tratamentos sem benefício clínico.
Em vez de alívio, o cotidiano inclui cartelas cheias de comprimidos e horários rígidos. Para idosos com câncer avançado, a carga medicamentosa permanece alta, mesmo quando a prioridade passa a ser qualidade de vida.
Tratamentos que seguem sem revisão
Pesquisadores da Universidade de Tsukuba analisaram 1.269 pacientes com câncer avançado, todos com mais de 65 anos. As prescrições foram avaliadas seis, três e um mês antes da morte.
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Os dados revelam um padrão persistente. Seis meses antes do óbito, 77% dos pacientes utilizavam ao menos um medicamento considerado potencialmente inadequado. No último mês, o índice ainda atingia 70%.
Esses números indicam que a retirada de tratamentos sem benefício não acompanha a progressão da doença. Mesmo com expectativa de vida reduzida, grande parte das prescrições segue ativa.
Quando o risco supera o benefício
A média de medicamentos por paciente chegou a sete por dia. Em contextos de fim de vida, tratamentos preventivos de longo prazo podem causar efeitos adversos sem trazer retorno clínico relevante.
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Entre os medicamentos mais frequentemente suspensos estavam anti-hipertensivos, antiplaquetários, estatinas e antidiabéticos orais. Também apareciam vitaminas, minerais e remédios para osteoporose.
Esses fármacos costumam ser indicados para prevenção futura, o que perde sentido quando o tempo se torna um fator crítico e o foco muda para conforto e bem-estar imediato.
Evidências que se repetem fora do Japão
Estudos internacionais reforçam o mesmo cenário. Na França, uma pesquisa com idosos com câncer de pulmão metastático apontou média de seis medicamentos diários, sem contar os oncológicos.
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Nesse grupo, 64% apresentavam polifarmácia, além de prescrições inadequadas e interações medicamentosas clinicamente relevantes. Ajustes eram necessários com frequência.
A cada intervenção farmacêutica, pelo menos uma modificação era feita, indicando que muitas prescrições poderiam ter sido revistas mais cedo.
Paliativos mostram caminhos, mas desafios persistem
No estudo japonês, a interrupção de medicamentos inadequados ocorreu com mais frequência em pacientes hospitalizados e em cuidados paliativos. Mulheres e pessoas com múltiplas comorbidades também tiveram mais revisões.
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A internação em unidades especializadas aumentou significativamente a chance de simplificação terapêutica, mais do que consultas clínicas isoladas.
Ainda assim, mais de 70% dos pacientes mantinham medicamentos sem benefício no último mês de vida. Para especialistas, ampliar programas de desprescrição é essencial para um cuidado mais humano.
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