O deputado estadual Marcos Vieira criticou a vinda de Carlos Bolsonaro (PL) para disputar o Senado por Santa Catarina nas eleições deste ano. A declaração foi dada ao podcast Café nas Eleições, do NSC Total, publicado nesta quarta-feira (4).
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— Sou contra, e pronto. Quer vir para Santa Catarina se estabelecer? Venha. Venha trabalhar, venha ralar, venha produzir, venha contribuir para depois pegar confiança da população, se colocar à disposição para disputar um dos mais altos cargos da República, que é ser senador da República — pontuou Vieira, que é presidente do PSDB no Estado.
Segundo Vieira, a chegada do filho de Jair Bolsonaro (PL) bagunçou a disputa eleitoral no Estado. Ele também criticou a pré-candidatura de Jair Renan Bolsonaro (PL), atual vereador em Balneário Camboriú, para deputado federal:
— Porque é uma imposição. Estão tentando empurrar de goela abaixo. E o que é pior, o outro filho [Jair Renan] que quer ser candidato a deputado federal. Me admiro o governador Jorginho Mello aceitar a imposição de que o número 2222 tem que ser dele. Não vai nem para sorteio entre os pré-candidatos do PL. Esse é um absurdo, gente, tem imposição. E nós catarinenses não aceitamos nada de goela abaixo, não. Nós somos um povo valente, um povo trabalhador, um povo que contribui muito.
Vieira também opina que Carlos Bolsonaro não chega às eleições como favorito a senador:
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— Não entra como favorito, não. Tanto é verdade que as pesquisas não demonstram isso. Ele entra como favorito no índice de rejeição. Então, para mim, quer vir para Santa Catarina? Todos serão bem-vindos, todos serão abraçados, mas venha trabalhar primeiro.
Candidato a governador
No quinto mandato como deputado estadual, Marcos Vieira optou por colocar-se como pré-candidato a governador de Santa Catarina em 2026. Condição esta que, segundo ele, dependerá do que o partido dele decidir. A sigla, porém, é comandada por ele mesmo no Estado.
— O meu desejo maior é ir para a majoritária. Sempre foi meu desejo. Eu desejo encerrar a carreira pública como candidato ao governador de Santa Catarina. Me acho preparado tecnicamente para isso — disse o político, filiado ao PSDB há 36 anos.
Apesar de afirmar que o PSDB pode disputar a eleição “sozinho”, Marcos Vieira disse que mantém diálogo com lideranças como Carlos Chiodini (MDB), Raimundo Colombo (PSD), Jorginho Mello (PL), Leodegar Tiscoski (PP), Gelson Merisio (Solidariedade) e Décio Lima (PT). Porém, destacou que, neste momento, está em fase de articulação.
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— A gente conversa, eu tenho conversado sim. […] Quem disser hoje que tá fechado com alguém, com raras exceções, não é verdade. Dificilmente alguém consegue fechar uma coligação seis meses antes da convenção [partidária] — disse.
Ele também negou conversas por uma eventual troca de partido.
— Ninguém tem coragem de vir e me convidar. Porque eu sou pessedebista de cruz na testa. Alguém de outro partido, se vier me convidar para a agremiação deles, a cruz que eu tenho na testa espanta — brinca.
Encolhimento do PSDB
O deputado também reconheceu a perda de tamanho do PSDB. O partido chegou a eleger 99 deputados federais em 1998, mas passou para 13, nas eleições de 2022, e vem perdendo lideranças nacionais como Geraldo Alckmin, Eduardo Leite e Raquel Lyra. Em Santa Catarina, perdeu aliados históricos como Leonel Pavan e Clésio Salvaro.
— Nós perdemos lideranças, é verdade. Não vou tampar o sol com a peneira. Perdemos, perdemos bastante — afirmou.
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Para Vieira, o partido deixou de assumir com clareza o papel de principal oposição ao PT em 2018, o que abriu espaço para o crescimento de outras forças políticas.
— Se em 2018 o PSDB tivesse dito claramente “nós vamos ter candidato à Presidência para tirar o PT do governo”, teria ganho a eleição — avaliou.
Apesar disso, ele afirma que a sigla mantém uma base ativa em Santa Catarina, com crescimento no número de filiados, mesmo após perdas de lideranças:
— Nós crescemos em termos de filiação partidária. Perdemos liderança, a militância permaneceu. O que é que cabe agora nós fazermos, qual o nosso dever de casa? É treinarmos novas lideranças do PSDB.
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Aposta no discurso moderado
Vieira defendeu sua posição de centro-direita e criticou a polarização política no país. Na visão dele, o eleitorado começa a demonstrar cansaço com os extremos.
— Eu não sou da extrema esquerda, não sou da extrema direita. […] Eu sofri muito por ser de centro-direita. Tanto que eu perdi 15 mil votos na eleição de 2018, mas me preparei e recuperei e um pouco mais de 2022. Agora, eu recuperei, não dizendo eu sou da extrema direita, não dizendo que sou bolsonarista, não dizendo que era lulista. Eu mantive a minha posição, reafirmei a minha posição. É isso que o PSDB tem que fazer.
Para ele, há espaço para candidaturas moderadas neste ano, mesmo com pré-candidaturas de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Ele afirma que o PSDB está estimulando candidaturas a deputado federal neste ano:
— Tem cerca de 30% que vão descidir a eleição no Brasil. Você tira a extremo-esquerda, você tira o extrema-direita, tem ali um um um espaço de 30%. Agora, se as lideranças desses 30%, que é o meio, que é o centro, souberem trabalhar, vai diminuir a extrema esquerda, vai diminuir a extrema direita. Isso é fato.
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Veja a entrevista completa
Café nas Eleições
O Café nas Eleições, podcast do NSC Total, está ouvindo os protagonistas da eleição catarinense nas próximas semanas. Além de Marcos Vieira, outras três figuras protagonistas do processo eleitoral de 2026 em SC já passaram pelo podcast: Décio Lima (PT), João Rodrigues (PSD) e Carlos Chiodini (MDB). Outros nomes serão ouvidos nas próxima semanas.
A produção é de Ânderson Silva, Mariana Barcellos, Luana Amorim e Jean Laurindo. A captação e edição é com Gabriel Lentz e Yuri Micheletti, e a coordenação é de Augusto Ittner e Luana Amorim.

