Os maricultores de Florianópolis, responsáveis pelo cultivo de ostras, mexilhões, algas e peixes, protocolaram uma ação no Tribunal de Contas do Estado (TCE) contra a Companhia Catarinense
de Águas e Saneamento (Casan) pela poluição na água onde os organismos marinhos são cultivados.
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Segundo o presidente da Federação de Empresas de Maricultura de Florianópolis, Vinícius Ramos, a ação tem como objetivo verificar os investimentos feitos em saneamento básico de Florianópolis, com um pedido de esclarecimentos sobre a aplicação de dinheiro público no setor.
— Nós sentimos na pele que esse dinheiro que está sendo gasto não está surtindo efeito, não está melhorando a nossa qualidade de água. Muito pelo contrário, está piorando e muito — disse.
Região é referência na criação de moluscos
Santa Catarina é o maior produtor nacional de moluscos bivalves. Os principais municípios polos de produção, segundo a Epagri, são Palhoça, Florianópolis e Penha. O monitoramento das áreas de cultivo de ostras é feito pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc)
— Nós estamos identificando a piora da qualidade da água junto com o setor produtivo, além de alguns fechamentos de algumas áreas de cultivo. Com o passar dos anos, nós estamos acompanhando, vivenciando, esse dia a dia das análises que estão sendo feitas pela qualidade da água e frequentemente nós temos notícias de fechamentos de área de cultivo — explicou.
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O que está sendo feito
Segundo Vinícius, algumas alternativas estão sendo encontradas pelos produtores, como a migração do cultivo de ostra para o cultivo das macroalgas marinhas. Entretanto, para ele, essa é suma solução paliativa.
— Pessoas que viviam tradicionalmente do cultivo de ostras e mariscos, hoje em dia não podem mais cultivar nas áreas que eles cultivavam por causa da poluição dos mares pelo esgotamento de esgoto nas águas e pelo não tratamento desse esgoto. Estamos muito preocupados — disse.
Segundo ele, o objetivo da ação protocolada é buscar diálogos e soluções sobre o tratamento de esgoto na cidade, sugerindo a “emissão submarina” do esgoto.
— A Casan tem que se comprometer com tratamento eficaz, eficiente, e um emissário submarino que jogue isso no mar, onde tem a correnteza, onde tem o fluxo de água, onde tem a profundidade, onde isso possa ser dissipado, mesmo sendo tratado — disse.
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O que diz a Casan
Em nota, a Casan informou que recebeu o documento do TCE e está avaliando para responder aos questionamentos necessários dentro do prazo previsto.

