A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deixa o cargo nesta quarta-feira (1º) para se lançar na disputa eleitoral em São Paulo. Ainda não há definição se ela integrará como vice a chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista ou se buscará uma vaga no Senado pelo estado. Ao comentar o cenário, Marina recorreu a uma metáfora do futebol, afirmando que a situação “está na fase de prorrogação”.

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— Hoje estou filiada à Rede, tenho um partido, somos da Federação Rede-PSOL (…). Não se trata de mudar de partido para viabilizar candidatura, pois eu tenho partido. Fundei a Rede, sigo na Rede e sou filiada a ela — declarou a ministra, cujo grupo político move na Justiça uma ação contra a ala ligada à ex-senadora Heloísa Helena, atualmente responsável pelo comando da sigla.

A chefe da pasta do Meio Ambiente disse que, por ora, aguarda uma decisão favorável da Justiça no embate com o grupo político de Heloísa Helena, que hoje dirige a Rede Sustentabilidade.

Ao ser questionada sobre a possibilidade de disputar as eleições pela própria Rede, Marina respondeu:

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— Essa discussão ainda está em andamento. Sabe quando o jogo vai para a prorrogação e já se aproxima dos pênaltis? Estamos exatamente nesse momento.

Durante o discurso de despedida, a ministra afirmou que ainda não tomou uma decisão definitiva sobre seu futuro político, mas ressaltou estar disponível para “cumprir sua missão”. Ela mencionou a possibilidade de disputar o Senado, embora o cenário permaneça indefinido, e destacou que recebeu convites de partidos como PSB, PCdoB e PDT.

Marina deixa o ministério com resultados como a redução do desmatamento, a retomada das ações de fiscalização ambiental e a realização da COP30 no Brasil. Em contrapartida, não conseguiu viabilizar a criação da Autoridade Nacional de Segurança Climática, proposta que buscava centralizar ações federais voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas e de eventos extremos, como secas e enchentes.

Ao longo de sua gestão, também entrou em divergência com integrantes da Esplanada, como o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, especialmente em relação à defesa da exploração de petróleo na Foz do Amazonas — posição na qual ficou em minoria no governo. Ainda assim, o Ibama autorizou a Petrobras a perfurar um poço exploratório em águas profundas do Amapá, localizado a cerca de 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas e a 175 quilômetros da costa, na chamada Margem Equatorial.

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Sobre novas licenças para exploração de petróleo, Marina defendeu publicamente que as decisões sejam tomadas sem interferência política, com base exclusivamente em critérios técnicos.

A ministra transmite o cargo a João Paulo Capobianco, seu atual secretário-executivo e aliado de longa data. Segundo ela, a gestão deverá manter a linha de continuidade.

*Com informações de O Globo