Não poderia haver coincidência melhor para a brasileira Angela Carla Raso Prata e para o marroquino Abdelaziz Bahsain como a estreia do Brasil contra o Marrocos na Copa do Mundo 2026, neste sábado (13). Apesar de não serem tão ligados ao futebol, o casal vai transformar o jogo em uma oportunidade de divulgar o próprio negócio, estando presentes em eventos que transmitirão a partida em Florianópolis.

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A ligação entre Ângela e Abdelaziz, no entanto, ocorreu muito antes do Brasil enfrentar a seleção do país africano. Casados há 22 anos e donos do Du Maroc, um foodtruck que oferece comidas típicas da gastronomia marroquina, a história dos dois começou do outro lado do Atlântico, mais precisamente em Portugal.

Foi tudo um grande acaso da vida. Angela morava no Brasil e já era formada pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. De repente, precisou ir à Portugal após o falecimento do pai, em 2007, para tratar de documentações e assuntos familiares.

Abdelaziz, por outro lado, já era um imigrante experiente na Europa, tendo saído do Marrocos aos 17 anos e vivido em diversos países, como França, Holanda e Espanha. Mas foi em Portugal, com a ajuda do cunhado que, na época, era jogador de futebol, que ele se estabeleceu.

Antes de conhecer Angela, na cidade de Faro, o marroquino já tinha trabalhado em hotéis, na construção civil. No entanto, foi como artista plástico que ele conquistou a brasileira, também formada em artes, algo que trouxe uma grande identificação ao casal.

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Hoje, inclusive, ela dá aulas sobre decoração em madeira de demolição com pinturas de referência histórica, enquanto Abdelaziz trabalha com arte de caligrafia árabe.

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As aventuras do casal pelo Brasil e a escolha por SC

Já casado com a brasileira, ainda na década de 2000, os dois começaram a perceber que o custo de vida estava muito alto em Portugal, e resolveram se aventurar em outros lugares, sempre com a arte presente na vida deles. Ambos, aliás, se definem como “cidadãos do mundo”, cheios de curiosidade sobre o que os países têm a oferecer.

— Um dia ela me disse: “Olha, vamos visitar o Brasil?”. Começamos em 2009, ficávamos um mês e depois voltávamos. Até que em 2017 resolvemos ficar aqui, trabalhando com exposições em todo o Brasil. Na pandemia [da Covid-19], nos estabelecemos em Santa Catarina — contou o marroquino.

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Nesse período, com a paralisação das exposições, Abdelazis decidiu montar uma estrutura de tenda e cozinha móvel em Florianópolis, para oferecer receitas mediterrâneas, como o cuscuz marroquino, utilizando a experiência que adquiriu trabalhando na Europa.

O casal conta que a adaptação cultural entre os dois é um processo complexo. Angela rejeita a ideia de cultura como algo “genérico” e critica estereótipos sobre o Marrocos. .

Há alguns anos, eles resolveram escolher a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para apresentar a culinária marroquina aos estudantes que passam pela praça central da instituição de ensino. Além disso, aos 58 anos, Abdelazis aproveitou a ligação com a universidade para começar a estudar antropologia, buscando entender as ciências humanas e o comportamento social.

A rivalidade Brasil x Marrocos na Copa

A estreia da Seleção Brasileira é contra justamente o Marrocos, um dia após o Dia dos Namorados, comemorado no dia 12 de junho no Brasil. No entanto, essa coincidência não deve afetar a rotina do casal.

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Apesar de ser brasileira, Angela conta que, se tivesse que torcer para alguma seleção, escolheria o Marrocos, sem um motivo específico para isso. Já Abdelaziz vê com esperança e otimismo a atual seleção marroquina, e destacou o salto de qualidade do país no futebol, que terminou em quarto lugar na última Copa do Mundo, em 2022.

— Com esses novos jovens que estão na seleção e essas técnicas bem preparadas, eu creio que eles vão conseguir fazer uma boa classificação. É capaz, sim, de até de ganhar a taça do mundo — opinou.

Aos risos, no entanto, o marroquino afirmou que não acha que o Marrocos não terá um resultado positivo neste primeiro jogo contra o Brasil na partida de sábado no MetLife Stadium, nos Estados Unidos.

— Fiquem tranquilos que o Marrocos não vai ganhar do Brasil — disse.

No dia do jogo, eles estarão em pelo menos três estabelecimentos na Lagoa da Conceição, comercializando pratos como o cuscuz marroquino. Tamanha a fama positiva que o casal já construiu ao longo dos 10 anos de negócio, eles chegaram a receber convites para outros dois locais, mas como trabalham sozinhos, precisaram recusar.

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O trabalho funciona de forma articulada: os dois preparam os alimentos e cuidam da organização, “diplomacia” com os clientes e divulgação, que acontece de forma orgânica, “passada de boca em boca”. Angela também tem pós-graduação em Marketing, o que ajuda na divulgação feita nas redes sociais.

Amor unido por parceria e companheirismo nos negócios

Com tantos anos juntos, Angela vê a relação dos dois como uma estrutura de parceria e companheirismo que vai além de um relacionamento sustentado pelo romantismo convencional.

— Nós nos abraçamos por ter um sonho parecido de criar projetos, de gostar de arte, de cultura, de gastronomia. Isso que fez essa união. Eu diria que a gente é mais um sócio do que dois apaixonados. A nossa relação é de companheirismo, de parceria — disse.

Hoje, os dois trabalham com encomendas para aniversários, casamentos, jantares e outros tipos de eventos com o menu de gastronomia internacional. Abdelaziz afirma que Angela é essencial para a estabilidade financeira e emocional dos dois, e brinca que torce para que ambos mantenham o equilíbrio mesmo com as dificuldades econômicas que enfrentam no Brasil.

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—  Eu rezo sempre para que ela fique bem, porque sem ela eu não consigo. Sem ela eu não tenho foco, eu não consigo nada aqui — conta.