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Problema precoce

Médico alerta que mortes de jovens por infarto, como a do surfista Fanta, são cada vez mais frequentes

Para cardiologista Artur Herdy, caso de Fernando Moura, que morreu aos 36 anos, não é isolado

20/08/2019 - 19h20 - Atualizada em: 22/08/2019 - 15h46

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Por Guilherme Simon
Fernando Moura morreu nesta segunda-feira, em Palhoça

O surfista Fernando Moura, o Fanta, morreu nesta segunda-feira (19) em Palhoça, devido a um infarto fulminante, segundo informaram amigos e familiares dele. A causa da morte chama a atenção pela idade de Fernando, um atleta de 36 anos, mas, segundo o cardiologista catarinense Artur Herdy, as estatísticas mostram não se tratar de um caso isolado.

Herdy, cardiologista e médico do esporte, comenta que o número de infartos entre pessoas jovens tem crescido. Para o especialista, a mudança se deve, sobretudo, à combinação entre elementos como estresse, má alimentação e sedentarismo, além do tabagismo.

— O infarto tem vindo cada vez mais cedo, em pessoas cada vez mais jovens, como demonstram as estatísticas. O fator principal é o cigarro, que é o grande antecipador da doença. Mas, ao mesmo tempo em que percebemos que o tabagismo tem diminuído, outros fatores de risco estão crescendo, como o estilo de vida com má alimentação, focada em carboidratos, o estresse e o sedentarismo — comenta o médico.

Para o cardiologista, a prevenção passa pela adoção de um estilo de vida saudável desde a infância, já que não se trata de uma doença que surge de repente, mas que se instala ao longo do tempo, com a presença de placas de gordura nas artérias.

Então, o que se recomenda é manter uma alimentação rica em frutas, verduras e alimentos integrais desde cedo, praticar atividades físicas e ter cuidado com a carga de estresse, além de não fumar — alerta o cardiologista Artur Herdy.

Para jovens com histórico familiar, o alerta é maior. De acordo com o médico, pessoas cujas mães tiveram infarto antes dos 65 anos ou cujos pais apresentaram a doença antes dos 55 devem fazer avaliação periódica, a fim de saber se também desenvolveram a doença e, se for o caso, iniciar o tratamento adequado.

Prática de esporte e "mal súbito"

O cardiologista Artur Herdy acrescenta que a prática intensa de esporte pode antecipar uma doença cardíaca, mas pontua que esses são casos extremos, e que estão relacionados a uma atividade esportiva muito intensa e praticada ao longo de muito tempo.

O médico também diferencia os casos de morte súbita, que são considerados em casos de pessoas com menos de 35 anos.

— Nesses casos, que afetam atletas jovens, principalmente adolescentes, geralmente a causa são doenças cardíacas hereditárias não diagnosticadas - como arritmias — pontua Herdy.

Nos últimos meses, dois jovens morreram dessa forma em Itapiranga, no Oeste do Estado: eles jogavam futsal quando sofreram um mal súbito e não resistiram.

Avaliação reduz mortes

Artur Herdy comenta ainda que é importante que, antes de iniciar uma prática esportiva, as pessoas procurem um médico e se submetam a exames para avaliar a saúde cardíaca. De acordo com ele, em países onde a avaliação médica é obrigatória, houve redução significativa na morte de atletas com menos de 30 anos.

— No Brasil, nós temos a recomendação de que os atletas consultem um médico antes de iniciar atividade, mas não há lei — comenta.

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