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    Mesmo sem algas tóxicas, saneamento continua sendo problema para Lagoa da Conceição, diz professor da UFSC

    IMA divulgou comunicado informando que melhoria da qualidade da água nessa terça-feira

    07/04/2021 - 12h54

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    Juliana
    Por Juliana Gomes
    Foto feita em 26 de janeiro após vazamento de lagoa de esgoto tratado na Lagoa da Conceição
    Foto feita em 26 de janeiro após vazamento de lagoa de esgoto tratado na Lagoa da Conceição
    (Foto: )

    Em novo comunicado, o Instituto do Meio Ambiente (IMA) voltou a afirmar nessa terça-feira (6) que não há microalgas tóxicas na água da Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Com isso, não há restrição à balneabilidade nem ao consumo de pescados do local, conforme o Instituto. A Lagoa chegou a ser ser considerada 100% imprópria para banho e para consumo de peixes.

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    De acordo com o biólogo e professor dos cursos de pós-graduação em Ecologia e Oceanografia da UFSC, Paulo Horta, a redução da temperatura e as marés favoreceram a renovação da qualidade da água, mas ainda assim, é necessário discutir melhorias no saneamento da cidade.

    - A situação melhorou bastante, mas continuamos alertando sobre a necessidade de aprimorar a análise da água e pescado. (É necessário) Detalhar a presença de metais e outros poluentes na água, em respeito à precaução para a segurança sanitária e alimentar - afirmou Horta.

    > Não há microalga tóxica para humanos na Lagoa da Conceição, aponta análise preliminar do IMA

    A conclusão do IMA se deu após monitoramento da qualidade da água, em conjunto com a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram). A orientação agora é que a população não entre na água se tiver espuma, manchas marrons ou amarelas e após a chuva.

    Em fevereiro, centenas de peixes e crustáceos apareceram mortos na Lagoa da Conceição. Embora, os problemas de poluição da água se arrastem há anos, a preocupação se acentuou em 25 de janeiro, quando uma lagoa artificial de esgoto tratado da Casan se rompeu, invadiu e destruiu as casas de 35 famílias da Servidão Manoel Luiz Duarte e foi parar na Lagoa da Conceição. 

    A Companhia afirmou que o material era tratado e que os moradores estão sendo indenizados.

    - Os processos são cíclicos, a gente tem a intensificação do fenômeno da eutrofização quando está quente. Com a temperatura mais alta, se acelera o consumo de oxigênio e aí acontece tudo aquilo que a gente observou, a mortalidade dos peixes etc. Com as frentes frias, a redução da temperatura, as grande marés que a gente teve, há essa renovada na água da Lagoa - explicou.

    Conforme o professor, as algas têm um ciclo de vida curto e, ao morrerem, a biomassa fica no fundo. Um diagnóstico desse material, para dimensionar as medidas para necessárias revolver o problema é urgente, segundo Horta.

    - Isso pode funcionar como uma pequena bomba relógio, que pode crescer na medida em que a gente vai colocando mais poluição na água. Talvez no próximo verão, ou antes disso, na próxima primavera a gente pode ter novamente problemas relacionadas à eutrofização do sistema, porque a gente ainda não tratou do problema - alertou.

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