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    Estiagem

    Metade dos rios monitorados pela Epagri estão em situação de estiagem e abastecimento de água é crítico em algumas cidades do Oeste

    Barragem de Chapecó está com 28% da capacidade. Jaborá e Águas Frias recebem água de fora

    24/03/2020 - 16h49 - Atualizada em: 24/03/2020 - 16h56

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    Darci
    Por Darci Debona
    Estiagem em Santa Catarina afeta nível dos rios
    Rio Bonito, em Jaborá, é um exemplo da falta de chuva em algumas regiões de Santa Catarina
    (Foto: )

    Metade dos rios monitorados pelo Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia da Epagri estão sem situação de estiagem. De acordo com o pesquisador de hidrologia da Epagri/Ciram, Guilerme Miranda, das 40 estações monitoradas, 21 estão com os níveis abaixo do normal, sem 4 em situação de atenção, seis em alerta e 11 em emergência.

    A situação é mais grave no Oeste, Meio Oeste e Serra. Mas tirando a região Norte, há problemas em todo o estado, como por exemplo o rio Canoas, em Camboriú, e a barragem de Taió. Estes, além do Rio Chapecó, em São Carlos, são exemplos de locais em emergência.

    Gráfico dos rios da Epagri/Ciram
    Pontos em vermelho são os rios em situação de emergência pela estiagem
    (Foto: )

    - A situação é mais complicada no Oeste e a tendência é piorar pois não há previsão de chuva nesta semana. Neste mês choveu 31 milímetros em média no Meio Oeste, 32mm no Oeste e 38 no Extremo Oeste, quando a média é 150mm. Desde junho do ano passado vem chovendo pouco nessas regiões. No Meio Oeste choveu 600mm a menos do que o esperado desde o último ano – explicou Miranda.

    Gráfico de chuvas da Epagri/Ciram
    Gráfico mostra que em algumas regiões choveu 600 milímetros menos do que o esperado
    (Foto: )

    Com a redução na vazão dos rios a geração de energia e o fornecimento de água estão sendo afetados. A hidrelétrica Foz do Chapecó, que fica no Rio Uruguai, em Águas de Chapecó e tem capacidade para gerar 855 megawatts, 25% da demanda de Santa Catarina, não gerou nada entre as 5h de domingo e às 16h desta terça-feira. A Hidrelétrica de Machadinho, que fica em Piratuba, também no Rio Uruguai, e tem capacidade de 403 megawatts, também está parada.

    Barragem de Chapecó tem apenas 28% de água

    Em Chapecó a barragem do Engenho Braun, que fica no Lajeado São José, que abastece Chapecó, estava em 28% na manhã desta terça-feira, segundo o superintendente regional da Casan, Daniel Scharf.

    Barragem Engenho Braun, em Chapecó
    Barragem no Lajeado São José, em Chapecó, está com 28% da capacidade
    (Foto: )

    Ele espera que, com o transporte de água da BRF com caminhões, que vão buscar água no Rio Uruguai, o nível da barragem não caia tanto. Também tem um complemento de cerca de 30% da barragem Santa Terezinha, no rio Tigre, em Guatambu.

    Chapecó é uma das três cidades consideradas em situação crítica, ao lado de Águas Frias e Jaborá, que estão sendo abastecidas com caminhões-pipa, que buscam água em Nova Erechim e Presidente Castello Branco, respectivamente.

    Outras cidades em alerta são Dionísio Cerqueira, São Miguel do Oeste, Xaxim, Xanxerê, Saltinho, Bom Jesus do Oeste, Anchieta e Entre Rios. Neste município também há risco de ter que buscar água em cidades vizinhas.

    A Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Aris), também considera critica a situação de ouros municípios, devido ao problema de abastecimento no meio rural. Estão nessa lista Guatambu, Caxambu do Sul, Iporã do Oeste, Planalto Alegre, Peritiba, Saudades e Seara. Todos estão transportando água para propriedades do interior, com caminhões-pipa.

    A Defesa Civil recebeu notificação de 27 municípios que decretaram situação de emergência até a semana passada, mas esse número já é maior, só que ainda não foi atualizado.

    Safra terá perdas de pelo menos 9% no milho e 5% na soja

    A falta de chuva também vai afetar a produção de grãos. O pesquisador Haroldo Tavares Elias, do Centro de Socieconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, Haroldo Tavares Elias, prevê uma redução de 9% na safra de milho, o que representa uma quebra superior a 200 mil toneladas. A expectativa inicial era colher 2,75 milhões de toneladas do cereal.

    Estiagem provoca perdas nas lavouras de milho
    Lavoura de milho que secou por falta de chuva, em Jaborá, no Meio Oeste
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    Na soja a quebra deve ser de pelo menos 5%, o que dá mais de 100 mil toneladas. A estimativa inicial era de uma safra de 2,5 milhões de toneladas. Há perdas também no feijão e nas pastagens.

    - Esses números podem até aumentar com a continuidade da estiagem pois na região de Campos Novos e Lages, há perdas de 26 a 28% nas lavouras de soja e milho. Também há relatos de perdas de 25% na safrinha de milho, na região de São Miguel do Oeste- ressaltou Elias.

    Há também perdas nas lavouras de feijão e nas pastagens, o que aumenta o custo de produção de leite.

    Sem previsão de chuva forte

    O meteorologista do grupo NSC, Leandro Puchalski, disse que as regiões onde menos choveu até agora foram Oeste, Meio-Oeste e Serra. Ele destacou que há uma chuva passageira prevista nesta semana para Norte, Vale do Itajaí e Grande Florianópolis. Nas demais regiões somente há previsão de chuva para o final de semana.

    Ele afirmou que até o final do mês não há previsão de volumes elevados de chuva. O que vier pode amenizar, mas não resolve a situação.

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