O áudio em que Flávio Bolsonaro (PL) pede dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL) já está com o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), de acordo com a colunista Vera Magalhães, de O Globo. Mendonça foi indicado à Corte pelo ex-presidente em 2021.

Continua depois da publicidade

O áudio integra o material bruto extraído do celular do banqueiro. Além do STF, o conteúdo também foi enviado à Procuradoria Geral da República (PGR) e à defesa de Vorcaro

Registros divulgados pelo site Intercept Brasil nesta quarta-feira mostram mensagens entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, com uma negociação para que o banqueiro assumisse o compromisso de repassar 24 milhões de dólares — valor que equivalia, na época, a aproximadamente R$ 134 milhões — para financiar o filme.

Ao menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação da moeda nas datas das transferências — já haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, conforme o Intercept. O valor foi enviado em seis operações para custear o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.

Daniel Vorcaro é acusado de comandar um esquema de fraude que provocou um prejuízo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em 18 de novembro, um dia depois da prisão, o Banco Central (BC) decretou a liquidação do Banco Master.

Continua depois da publicidade

Relembre caso do Banco Master

O que diz Flávio Bolsonaro?

Em nota, Flávio admitiu o pedido de financiamento ao Banco Master, mas negou irregularidades e defendeu a instalação da CPI do Banco Master para “separar os inocentes dos bandidos”. Flávio se coloca como “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, sem uso de dinheiro público, segundo ele.

“Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do Master”, escreveu.

Nota de Flávio na íntegra

Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.