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    EM MEIO À PANDEMIA

    Modelo de Joinville em confinamento na Índia pede ajuda para voltar para o Brasil

    Ana Carolina Queiroz e grupo com mais de 50 brasileiros não puderam sair do país asiático após voos serem cancelados e aeroportos fechados

    07/05/2020 - 06h30 - Atualizada em: 07/05/2020 - 08h40

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    Hassan
    Por Hassan Farias
    A modelo Ana Carolina Queiroz foi a trabalho para a Índia
    A modelo Ana Carolina Queiroz foi a trabalho para a Índia
    (Foto: )

    A modelo de Joinville Ana Carolina Queiroz, 23 anos, é uma das brasileiras presas na Índia por causa do lockdown (confinamento) imposto pelo governo indiano em razão da pandemia do novo coronavírus. Ela tomou a frente de uma mobilização que reúne mais de 50 brasileiros que pedem ajuda ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil para retornarem para casa após o fechamento dos aeroportos e o cancelamento dos voos comerciais no país asiático.

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    Ana Carolina viajou a trabalho para a Índia e chegou na capital Déli em 30 de janeiro, quando os casos de coronavírus já eram registrados na China, mas ainda não havia uma previsão das proporções mundiais que o vírus tomaria.

    A previsão era ficar na Índia até 27 de abril, quando ela viajaria para trabalhar na Tailândia. No entanto, em 22 de março o governo indiano estabeleceu o lockdown, impossibilitando a entrada e saída do país.

    — Eles foram mais rígidos do que em outros países e começaram com lockdown total. Fizeram um teste no domingo para ver se as pessoas respeitariam e três dias depois impuseram as regras. Estava previsto para durar 21 dias, mas foram estendendo e agora o prazo é 18 de maio, o que deve ser prorrogado mais uma vez — explica a modelo.

    Segundo Ana Carolina, o lockdown funciona por regiões. Em algumas as pessoas estão sem trabalhar e sem poder sair de casa. Era a situação da joinvilense até poucos dias. Era proibido sair até pra ir ao mercado ou farmácia. No entanto, agora a área onde ela está hospedada já permite saídas com máscaras e luvas. Deslocamentos fora das redondezas são possíveis apenas com carro.

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    Em abril, um avião enviado pelo governo brasileiro conseguiu buscar cerca de 300 brasileiros na Índia. No entanto, Ana Carolina afirma que não tinha conhecimento do plano de resgate e, assim como ela, muitos continuaram sem poder sair do país. Outras 52 pessoas já entraram em contato com ela relatando o mesmo problema. Por isso, ela resolveu tomar a frente da situação e tentar sensibilizar o Itamaraty para a condição dos brasileiros.

    — Tem pessoas em situações muito críticas, com bebê que nasceu aqui e estão esperando documentos do hospital para voltar com criança para o Brasil quando for possível. Tem muita mulher no nosso grupo, pessoas de outras cidades em que o lockdown foi mais pesado, gente que está ficando sem alojamento porque não estão mais aceitando estrangeiros — relata.

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    Ana Carolina durante a viagem pela Índia
    Ana Carolina durante a viagem pela Índia
    (Foto: )

    Brasileiros esperam novo voo para retornar para casa

    Ana Carolina conta que entrou em contato com a embaixada brasileira, mas foi informada de que não há previsão de um segundo voo para levar as pessoas para casa. Segundo ela, o motivo seria o alto custo para a viagem.

    — O Ministério das Relações Exteriores estava dizendo que ia fazer o voo de repatriação para todo mundo, mas ficaram brasileiros para trás. Não é nem justo dizerem que talvez não consigam um outro voo — aponta.

    Outros estrangeiros têm saído do país com ajuda dos respectivos governos. Uma ucraniana que mora no mesmo apartamento onde Ana Carolina está hospedada, por exemplo, tem voo para casa no próximo dia 10.

    A modelo foi informada que o Itamaraty está checando com voos organizados por outros países a possibilidade de encaixar os brasileiros. No entanto, até agora não houve novidades. Enquanto a situação não se resolve, a modelo conta com o apoio da família que está em Joinville para conseguir superar as dificuldades.

    — Estou em contato todos os dias com a família. Já é difícil passar por essa situação, longe da família é ainda pior — descreve.

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    Contraponto do Itamaraty

    Por meio de nota, o Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores informou que já intermediou o retorno de brasileiros e que, até o momento, não há previsão de novo fretamento. Além disso, também pontuou que os brasileiros que estão na Índia estão recebendo apoio da Embaixada do Brasil em Nova Delhi e do Consulado em Mumbai. Leia a nota na íntegra:

    "Recordamos que o Itamaraty já fretou avião para o retorno de 329 brasileiros do Nepal e da Índia, em 14 de abril, ao custo de US$ 889.064,00. Não está previsto, no momento, novo fretamento, embora a situação seja constantemente reavaliada à luz da evolução dos acontecimentos.

    A Embaixada do Brasil em Nova Delhi e o Consulado em Mumbai continuam a prestar o apoio possível aos brasileiros que se encontram na Índia. Há que ressaltar que as dimensões continentais daquele país e as severas restrições de movimentação interna prejudicam consideravelmente a capacidade de ação das representações brasileiras, que continuam, ainda assim, a trabalhar ininterruptamente para prestar auxílio e buscar soluções para os problemas enfrentados pelos nacionais.

    Recomendamos aos nacionais a manter contato com as representações brasileiras e acompanhar as publicações em seus sites e em suas mídias sociais. Contato alternativo também pode ser realizado junto ao Grupo Especial de Crise, cujo número para casos na Ásia e Oceania é +55 61 98260-0613."

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