Moradores da região de Praia Brava, no Norte de Florianópolis, saíram às ruas neste sábado (24) para protestar contra a morte violenta de Orelha, um cachorro comunitário. O animal de 10 anos precisou ser sacrificado após ser agredido a pauladas por um grupo de adolescentes na semana passada. A Polícia Civil investiga o caso.
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Nas camisas personalizadas e frases dos cartazes, o pedido era um só: “Justiça por orelha”. Acompanhados dos próprios cães domésticos, os participantes também fizeram uma oração durante a manifestação desta manhã.
A crueldade veio à tona no último dia 15. Nessa data, o cachorro, também conhecido como Preto, recebeu pauladas e ficou gravemente ferido. Segundo a comunidade, ele era cuidado por pessoas que moravam nos arredores, além de pescadores.
Uma das moradoras da Praia Brava fez uma postagem em uma rede social afirmando que o ato chegou a ser filmado por um vigia que, ao divulgar as imagens, teria sido ameaçado pelos pais dos suspeitos, segundo ela. Devido à complexidade dos machucados e ao estado dele, o animal foi eutanasiado.
Outro cachorro, um caramelo, também teria sido pego pelos jovens e levado no mar para se afogar. O cão conseguiu fugir e acabou adotado pelo delegado-geral de Santa Catarina, Ulisses Gabriel.
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— A Polícia Civil jamais se deixa levar por qualquer tipo de pressão. A justiça será feita, independente de quem sejam os autores dessa triste e lamentável ação criminosa contra esses dois animais — afirmou o delegado-geral.
A polícia segue ouvindo testemunhas, envolvidos e analisando imagens para dar andamento à investigação. Em relação ao grupo de adolescentes que pode estar envolvido no caso, se confirmado, será encaminhada a cópia do relatório investigativo à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (DEACLE) “para a lavratura do procedimento policial cabível, em razão da especialização nas atribuições pela idade dos envolvidos”.
Sobre a possível ameaça ao vigia que teria gravado o crime, a Polícia afirmou que investiga a suposta participação de um pai e de um policial civil que teriam coagido a testemunha. Se a suspeita for confirmada, eles podem responder por crimes como coação no curso de processo e abuso de autoridade, praticados por maiores de idade.

