O policial militar e ex-secretário de Cultura do governo Jair Bolsonaro (PL), André Porciúncula, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possuir apenas R$ 164 mil em bens nas eleições de 2024, apesar de afirmar ser o proprietário de uma casa avaliada em cerca de R$ 3,6 milhões no Texas, nos Estados Unidos. As informações são da colunista Malu Gaspar, de O Globo.

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O imóvel, localizado em Arlington, nos arredores de Dallas, foi comprado em fevereiro deste ano por meio do fundo Mercury Legacy Trust, administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro (PL), Paulo Calixto. O mesmo advogado também administra o fundo Havengate, que recebeu parte dos recursos destinados ao filme “Dark Horse”, financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

A compra levantou suspeitas de que a residência pudesse ser destinada ao próprio Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos. Em entrevista ao portal Metrópoles, porém, Porciúncula afirmou ser o verdadeiro dono da casa e disse que o imóvel foi financiado junto a um banco americano. Segundo ele, o trust foi usado porque ele pagaria menos juros no financiamento e menos impostos de herança no futuro.

Patrimônio caiu 68% em dois anos

Na eleição de 2024, quando disputou uma vaga de vereador em Salvador pelo PL e não se elegeu, Porciúncula declarou R$ 164 mil em bens — composto por uma Honda HR-V 2018 avaliada em R$ 86 mil; uma moto Honda NXR160 Bros de R$ 8 mil; e participações em duas empresas de segurança, somando R$ 70 mil.

Já em 2022, quando tentou se eleger deputado federal pela Bahia usando o nome “Capitão André Porciúncula”, o aliado de Eduardo Bolsonaro informou possuir R$ 522 mil em patrimônio. Entre os bens declarados na época estavam um terreno no Alphaville de Brasília, avaliado em R$ 350 mil, e outra motocicleta, que não apareceram na declaração posterior.

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Ligação com filme sobre Bolsonaro

Porciúncula é próximo de Eduardo Bolsonaro e foi auxiliar do deputado federal Mario Frias (PL-RJ) na Secretaria Especial de Cultura do governo Bolsonaro. Frias também atua como produtor executivo do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro e é alvo de investigações pela ligação com o Banco Master.

Mensagens reveladas pelo portal Intercept Brasil mostram Eduardo Bolsonaro defendendo que os pagamentos do projeto fossem realizados nos Estados Unidos. Segundo a reportagem, parte dos recursos teria sido enviada ao fundo Havengate por meio de operações internacionais ligadas ao ecossistema do Banco Master.

Veja fotos sobre o filme “Dark Horse”, biografia de Bolsonaro

Ex-secretário não quis responder questionamentos

Questionado pelo O Globo sobre a diferença entre os bens declarados ao TSE e a aquisição da casa no Texas, o ex-secretário afirmou que considera o assunto “pessoal” e disse que não responderia às perguntas.

“Desculpe, mas todas essas questões são pessoais. Não tenho cargo público, não vejo motivo para dar explicações” declarou à coluna.

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