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Morgana Santana: conheça a youtuber catarinense  que tem mais de três milhões de seguidores

A jovem de 21 anos, mora em Indaial e criou seu primeiro canal aos 12 anos

31/01/2020 - 11h15

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Por Janaína Laurindo
(Foto: )

Para muitos a profissão de youtuber é vista como uma brincadeira, mas a catarinense Morgana Santana, que conta com mais de 3 milhões de seguidores na plataforma de compartilhamento de vídeos mais famosa da internet, mostra que o trabalho é levado muito a sério.

Ela se diverte enquanto produz o conteúdo dos vídeos que são publicados quase que diariamente, mas precisou de muita dedicação para atingir o patamar em que consegue ganhar dinheiro com o canal. E, por isso, se habilita a orientar quem está planejando entrar neste meio.

— O período de dedicação e esforço é longo, então o primeiro passo é não pensar no dinheiro, porque ele será consequência. Você precisa em primeiro lugar de dedicação. E ter disponibilidade para produzir muitos vídeos.

Trajetória

A jovem de 21 anos, nasceu em Itapema, criou seu primeiro canal aos 12 anos. Com apoio e supervisão da mãe publicou alguns vídeos, a desenvoltura chamou a atenção de uma de suas professoras, que resolveu mostrar para o restante da turma o que a menina estava produzindo, mas a ação seria para divulgar e estimular Morgana ocasionou episódios de bullyng. Foi o suficiente para que ele apagasse tudo que já tinha produzindo. Mas o desejo de se comunicar continuou e aos 15 anos ele fez um novo canal, que hoje recebe uma média de 12 milhões de visualizações mensais.

Público

Ela diz que na rua percebe que as mães e avós dos adolescentes são as que mais se aproximam, por isso, acho que é um canal para família.

— Agora estão falando bastante do meu casamento. É engraçado que eles sabem tudo das nossas vidas — diz a jovem.

Projetos para 2020

Morgana, que atualmente mora em Indaial, no Vale do Itajaí, não cogita trocar a cidade pelos grandes centros como fizeram outros youtubers e influenciadores catarinenses com destaque nacional. No entanto, reconhece que poderia ser importante para sua carreira. Em 2020, a youtuber planeja lançar em parceria com o Youtube uma coleção de camisetas com sua assinatura. Também projeta produzir uma websérie.

Leia também: Vídeos mais vistos do Youtube em 2019: Funk do ticolé e sertanejo de Marília Mendonça estão no topo da lista

Confira a entrevista completa:

Quando descobriu que tinha facilidade para se comunicar através de vídeos?

Eu acho que isso vem desde criança. Eu sempre fui desinibida. Com 8 para 9 anos eu fazia vídeo ensinando a lavar louça, a dar banho no gato. Vídeos bem caseiros. Eu nem sabia o que era internet ou Youtube na época. Somente aos 12 anos comecei a ter contato com a internet, daí criei meu Orkut e conheci o Youtube, que naquela época era muito jornalístico. Não existe muitos youtubers, era uma plataforma mais formal. Com 12 anos eu comecei a postar no meu primeiro canal, chamado Cantinho Barbie.

Você publicou seu primeiro vídeo aos 12 anos, mas excluiu o canal depois de sofrer bullyng. Como foi esse momento para você?

Não deletei o canal, mas apaguei todos os vídeos. Na época uma professora resolveu mostrar meus vídeos de uma forma positiva, para mostrar a minha facilidade de comunicação e também para incentivar os alunos, mas eu vi de uma forma ruim. Como ninguém fazia, era uma novidade, eu fiquei com vergonha. Além disso o pessoal começou a julgar: ‘ah, tá querendo ser famosa’, ‘tá querendo ser apresentadora de TV’. Ninguém fazia isso. Fiquei muito mal e demorei um pouco para criar um novo canal. Isso só aconteceu quando mudei de escola. Na época eu estava planejando a minha festa de 15 anos, e criei o canal que tenho até hoje.

Você começou ainda criança, teve incentivo da sua família?

Quem me incentivava bastante era a minha mãe, tanto que minha primeira câmera foi ela que comprou. As edições eu sempre fiz, desde dos 11 anos. Eu sempre ficava mexendo até descobrir. Eu era bem nerd de computador. Ela sempre me apoiou, mas como não tinha muito conhecimento de internet ela não tinha como me ajudar mais do que isso.

Hoje sua profissão é youtuber, sente que ainda existe o preconceito?

A profissão ainda é vista como uma brincadeira. Nesse sentido eu sofri bullyng até os 17 anos, durante o ensino médio e terceirão. Também foi nessa idade que comecei a namorar o Willian, que hoje é meu marido, e ele foi um dos maiores incentivadores. Ele me ajudou bastante. Nesse momento o canal cresceu muito e as coisas mudaram bastante. Tanto é, que se você for ver meus vídeos daquela época vai ver que parecia que eu estava triste, porque eu tinha vergonha que alguém fosse ver no colégio e depois zombar do que eu falei. Quando eu comecei a fazer faculdade, fiz um ano de arquitetura – parei para me dedicar ao Youtube -, os vídeos são totalmente alegres e divertidos. O meu humor mudou completamente. Quando você está sofrendo bullyng você fica mais retraída.

Como é o seu processo de criação de conteúdo?

Quando eu estava começando eu produzia o que eu gostaria de assistir. Eu procurava na internet e não encontrava, daí eu ia lá e fazia. Na época que eu comecei a gravar, por conta da minha festa de 15 anos, não tinha nenhum outro vídeo com dicas. Eu pegava revistas como a Capricho e a TodaTeen e repassava as dicas, só que em forma de vídeo.

Quando você começou a ter lucro com o canal?

Eu comecei a ganhar dinheiro tem três anos. Mas só há dois eu comecei a ter a possibilidade de me virar sozinha e pagar as minhas contas.

Você consegue identificar com qual público conversa?

Sim. Hoje eu trabalho com Instagram e Youtube. No Youtube eu posto vídeo cinco vezes na semana e tem meses em que eu posto todos os dias e acaba que o público que mais assiste é o adolescente, mas eu considero um canal família porque quando eu vou na rua, as mães, as avós dos adolescentes são as que mais se aproximam. Agora eles estão falando bastante do meu casamento. É engraçado que eles sabem tudo das nossas vidas. O público do Instagram é mais velho, de 18 à 30 anos, um público que gosta de vídeos curtos.

Existe uma preocupação sobre o seu poder de influenciar as pessoas?

Sim. Meu conteúdo é bem família e para todas as idades. Não falamos palavrão nos vídeos, cuidamos também para algumas atitudes como, eu e o Willian não ficamos nos beijando nos vídeos. Até porque eu tenho primas e sobrinhas que participam dos vídeos, então eu penso bastante nelas.

Você mora em Indaial, mas atinge um público em todo o país?

Sim, meu público é nacional. Eu não produzo conteúdo para um público regional. Minhas estátisticas mostram que as grandes capitais — São Paulo, Fortaleza, Rio de Janeiro e Belo Horizonte — são as que mais consomem meus vídeos, mas isso é justamente pelo maior número populacional.

E quando você viaja sente a diferença do público?

O publico do Sul de forma geral é mais fechado. Eles ficam ‘será que é ela?’. Depois eu eles mandam mensagens falando que me viram. Ou quando um vem bater foto os outros criam coragem e também pedem fotos. Nas grandes cidades é diferente, acho que eles já estão mais acostumados a ver youtubers e famosos e sempre pedem fotos.

Com a expansão do seu canal vê a possibilidade de ir morar em um grande centro?

A grande maioria de youtubers que bombaram na internet já sairam do estado. Normalmente vão para São Paulo, por ter mais acesso a eventos e também aos parceiros. Pensamos e não pensamos. A gente vê que tantos já deixaram o estado, mas daí ficamos pensando que talvez seria melhor ficar.

Qual dica para quem deseja iniciar um canal no Youtube?

A maioria inicia um canal pensando em ganhar dinheiro, e sim, youtubers ganham bastante dinheiro em determinado patamar, mas é difícil, é uma longa caminhada até chegar nesse lugar de ‘vou ganhar dinheiro’. O período de dedicação e esforço é longo, então o primeiro passo é não pensar no dinheiro, porque ele será consequência. Você precisa em primeiro lugar de dedicação. E ter disponibilidade para produzir muitos vídeos. Os pais devem acompanhar tudo de perto. Comprar uma câmera boa. Não adianta querer ver o filho se destacando nas redes sociais, mas não fazer um investimento. O Youtube exige uma qualidade. A dedicação dos pais é tão importante quanto das próprias crianças e adolescentes. Cuidados com a segurança, como não mostrar o uniforme escolar, também é um fator importante.

Você acredita que as plataformas Youtube e Instagram continuam em alta por mais tempo?

O Youtube é do Google e para armanezar todo esse conteúdo é preciso ter uma plataforma muito forte e eles têm. Acho muito difícil acabar tão cedo.

Algum novo projeto para 2020?

Neste mês estamos lançando uma coleção de camisetas com assinatura do canal. Essa é a primeira vez que assino um produto. Tem também o planejamento de uma websérie. E também a paródia da música que é a aposta de hit do Carnaval 2020, Tudo OK, que lançamos na última terça-feira.

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