Uma organização criminosa especializada em homicídios por encomenda e espionagem ilegal foi desarticulada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (28). A descoberta da facção se deu por meio de investigações da morte de Roberto Zampieri, advogado assassinado a tiros aos 57 anos em frente ao próprio escritório, em 2023. As informações são do g1.
Continua depois da publicidade
Clique aqui para receber as notícias do NSC Total pelo Canal do WhatsApp
Na ação desta quarta-feira, foram presos cinco suspeitos de atuar como mandantes e coautores do assassinato de Zampieri no Bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, há cerca de dois anos.
O advogado é considerado peça central no inquérito. No celular dele, foram encontrados registros de negociações envolvendo a venda de sentenças judiciais, com menções a juízes de diversos tribunais e até gabinetes de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A morte de Zampieri foi o que levou à descoberta da organização criminosa envolvida com espionagem e mortes por encomenda — com participação de militares ativos e da reserva.
Continua depois da publicidade
Veja o que se sabe e o que ainda falta saber sobre o caso
Como o crime aconteceu?
Roberto Zampieri foi assassinado com 10 tiros dentro do próprio carro em frente ao escritório, em 2023. Na época, câmeras de segurança locais mostraram que ele foi surpreendido por um homem de boné, que disparou pelo vidro do passageiro e depois fugiu.
Equipes de socorro médico foram acionadas, mas a vítima de 57 anos não resistiu. Foi possível comprovar também que o suspeito chegou a ficar cerca de uma hora aguardando Zampieri sair do local.
O que acontece com os suspeitos
Os cinco suspeitos deverão responder por homicídio duplamente qualificado pela traição, por emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido, de acordo com a Polícia Civil.
Um outro agravante do crime foi o fato de ter sido praticado mediante pagamento ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe.
Continua depois da publicidade
A descoberta do grupo de espionagem
Segundo a PF, os cinco faziam parte de um grupo criminoso que se autodenominava “Comando C4” – ou “Comando de Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos”.
Essa organização estaria envolvida com esquemas de espionagem e assassinatos sob encomenda, com participações de militares ativos e da reserva.
Informações da PF obtidas pela GloboNews indicam que o grupo mantinha tabelas impressas com o “preço” de cada assassinato, a depender da “função” de cada vítima. Eles também tinham uma tabela para a espionagem, de acordo com o perfil do alvo:
- Ministros do STF: R$ 250 mil;
- Deputados: R$ 100 mil;
- Senadores: R$ 150 mil.
Esquema de venda de sentenças
A morte de Zampieri levou a polícia a descobrir um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) que, posteriormente, levou à identificação de suspeitas também sobre o Superior Tribunal de Justiça (STJ), dando início a Operação Sisamnes, deflagrada pela PF.
Continua depois da publicidade
Em novembro do ano passado, três servidores do TJMT foram afastados por suspeita de participação no esquema.
Em agosto do mesmo ano, mensagens extraídas do celular de Zampieri resultaram também no afastamento de dois desembargadores.
Um empresário, dono de diversas empresas espalhadas pelo país, incluindo uma de transporte em Mato Grosso, foi apontado pelas investigações como um dos intermediadores das vendas de sentenças.
O que falta saber?
A PF ainda trabalha para identificar outros integrantes do grupo criminoso, além de outros possíveis envolvidos na morte do advogado.
Continua depois da publicidade
*Sob supervisão de Leandro Ferreira
Leia também
Operação contra fraudes em licitações mira servidores públicos e empresários em 19 cidades de SC
VÍDEO: Abandono de cão tem filhotes mortos e cachorra correndo atrás de ex-tutor em Joinville

