Uma manifestação pedindo por justiça pelo cão Orelha, vítima de maus-tratos, marcou a manhã dos moradores do bairro Praia Brava, região Norte de Florianópolis, neste sábado (17). O animal foi agredido na última quinta-feira (15) e precisou passar por eutanásia.

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Segundo a Associação Praia Brava, o ato começou por volta das 10h deste sábado. Em nota, a associação lamentou a morte do cão Orelha, também conhecido como Preto, e se solidarizou com “todos que se sentem entristecidos por esse episódio, reconhecendo a comoção e o sentimento coletivo que a situação desperta”.

“Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado de forma espontânea por pessoas da comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém afetivo, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que ali vivem”, diz trecho da nota (veja na íntegra abaixo).

A morta de Orelha também gerou indignação nas redes sociais: “como moradora, espero que os responsáveis por essa crueldade não fiquem impunes, que respondam por seus atos cruéis perante a lei, independente da posição social. As caminhadas não são mais as mesmas sem eles”, escreveu uma pessoa.

“Sou morador há 20 anos da Praia Brava, isso não pode passar impune. Queremos Justiça pelo Orelha!”, publicou outra pessoa.

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Veja as fotos da manifestação

Polícia diz que adolescentes são os principais suspeitos

Segundo o delegado-geral de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, que se manifestou sobre a morte do animal, os suspeitos pelo crime seriam adolescentes. Orelha vivia há mais de 10 anos na região, segundo a comunidades, e era cuidado por pessoas que moravam nos arredores, além de pescadores.

Uma das moradoras da Praia Brava fez uma postagem em uma rede social afirmando que o ato chegou a ser filmado por um vigia do local que, ao divulgar as imagens, teria sido ameaçado pelos pais dos suspeitos, segundo ela.

Diante da repercussão da morte de Orelha, o delegado-geral afirmou que a Polícia Civil, em conjunto com a Delegacia de Proteção Animal, de titularidade da Delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, “tomará rápidas providências” com relação aos suspeitos.

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“Teriam sido adolescentes que teriam agredido com pauladas esse cachorrinho. Eles serão levados à Justiça”, disse Ulisses.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que o cão precisou ser eutanasiado após ser encontrado ferido. Em relação ao grupo de adolescentes que pode estar envolvido no caso, se confirmado, será encaminhada a cópia do relatório investigativo à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (DEACLE) “para a lavratura do procedimento policial cabível, em razão da especialização nas atribuições pela idade dos envolvidos”.

Sobre a possível ameaça ao vigia que teria gravado o crime, a polícia afirmou que investiga a suposta participação de um pai e de um policial civil que teriam coagido a testemunha. Se a suspeita for confirmada, eles podem responder por crimes como coação no curso de processo e abuso de autoridade, praticados por maiores de idade.

Confira a nota da Associação da Praia Brava na íntegra

“A Associação Praia Brava (APBrava) manifesta solidariedade diante da morte do cão comunitário Orelha, figura conhecida e querida por moradores e frequentadores da Praia Brava.

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Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado de forma espontânea por pessoas da comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém afetivo, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que ali vivem.

A Associação lamenta profundamente a perda e se solidariza com todos que se sentem entristecidos por esse episódio, reconhecendo a comoção e o sentimento coletivo que a situação desperta.

Ao mesmo tempo, a entidade esclarece que as circunstâncias do ocorrido estão sendo apuradas pelas autoridades competentes e que o devido processo legal deve ser respeitado, evitando conclusões precipitadas ou exposições indevidas.

A Associação Praia Brava reafirma seu compromisso com a convivência harmoniosa, com o respeito à vida e com a confiança nas instituições públicas para o correto esclarecimento dos fatos.

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Daniel Araújo
Presidente da APBrava”