“Desovando corpo” é o título de um vídeo publicado em setembro de 2022 no Instagram por um dos instrutores presos pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos. Nas imagens publicadas por ele na época, gravadas na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), dois homens aparecem segurando uma pessoa dentro de um saco preto e a arremessam da estrutura. O local é o mesmo onde a jovem morreu, no sábado (13), após ser lançada de rope jump sem as cordas de segurança instaladas. Na abertura do vídeo de 2022, também aparece o nome da empresa Altaqueda.

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A publicação foi feita no perfil de Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, um dos três presos pelo caso. Desde a morte da jovem, o vídeo tem recebido diversos comentários com críticas. Egoroff se apresenta nas redes sociais como bombeiro civil e praticante de rapel e rope jump.

O que é o rope jump?

Em depoimento à Polícia Civil, os responsáveis pela operação do salto afirmaram não conseguir explicar por que Maria Eduarda foi lançada da ponte sem estar conectada às cordas de segurança. Um dos investigados declarou que as inspeções eram realizadas normalmente antes dos saltos. (assista o depoimento abaixo)

— No dela estamos sem entender até agora — afirmou.

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Ao relatar o que ocorreu após a queda, ele disse ter descido até o local onde a jovem recebia atendimento.

— Tipo assim, eu estava na ponte, desci lá embaixo e tinha uma enfermeira fazendo RCP [manobra de emergência realizada quando alguém sofre parada cardiorrespiratória]. Aí o resgate chegou e eu subi [para o alto da ponte] — contou.

Segundo a delegada Andrea Levy, responsável pela investigação, os três funcionários envolvidos na operação e que seguem presos declararam não se lembrar de “quem era o responsável por instalar ou fiscalizar os equipamentos de segurança naquele salto”.

Da esquerda para a direita: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves (Foto: Reprodução)

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Outro investigado afirmou que a colocação e a checagem das cordas eram realizadas de forma alternada entre os integrantes da equipe, sem uma definição fixa sobre quem deveria executar cada tarefa.

— Às vezes a gente coloca, outro confere; outro confere, outro coloca. Às vezes a gente faz, outro vem e vê se está certo. Era mais ou menos isso — disse.

Questionado sobre quem deveria ter instalado ou conferido as cordas no salto de Maria Eduarda, respondeu que não se recordava.

O caso é investigado como homicídio com dolo eventual, quando há a assunção do risco de provocar a morte, mesmo sem intenção direta de matar. Além das circunstâncias que levaram ao acidente, a Polícia Civil também apura o desaparecimento de uma câmera que estaria com a jovem no momento da queda.

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Assista ao depoimento dos três instrutores

A defesa dos instrutores informou que pretende ingressar com pedido de habeas corpus. Em nota, o advogado Rafael Gomes dos Santos afirmou discordar da acusação por homicídio doloso e sustentou que os clientes não tiveram intenção nem assumiram o risco de provocar a morte da jovem.