João Antonio Pivetta, um dos homens presos durante as investigações sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas em um salto de rope jump, afirmou que acreditava trabalhar para uma empresa regularizada e que os responsáveis pela operação transmitiam a impressão de seguir todas as normas de segurança. No entanto, o grupo “Entre Cordas”, responsável pelo salto não possuía empresa formalizada.
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Solto nesta quarta-feira (8), após passar 18 dias preso, ele deu a primeira entrevista desde que deixou a prisão.
“Para a gente, era uma empresa extremamente regularizada. Eles diziam que tinham uma estrutura. […] Eles realmente passavam uma noção técnica muito grande. A impressão que eles passavam era de que eles eram a única empresa que estava regularizada, tudo certinho, onde tinha equipe técnica responsável pela segurança. Eu acreditei”, disse em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo.
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As investigações da Polícia Civil, no entanto, apontaram que o grupo “Entre Cordas”, responsável pelo salto em que Maria Eduarda morreu após ser lançada sem estar presa às cordas de segurança, não possuía empresa formalizada. A empresa, que planejava realizar mais de 100 saltos no dia da morte, teria um faturamento bruto acima de R$15 mil. Cada salto tinha valor fixo de R$ 180, com uma cobrança adicional de R$ 110 por gravações com câmeras GoPro.
Inicialmente, João havia sido preso por suspeita de ocultar provas, em razão do desaparecimento da câmera que estava com Maria Eduarda durante o salto. A investigação, porém, afastou essa hipótese. Segundo ele, sua função era exclusivamente na parte inferior da ponte, após a conclusão do salto.
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“A minha função não tem [verificação de] segurança. Eu começo a atuar depois do salto, depois que a pessoa chegou à parte de baixo, depois que fizeram a liberação, as checagens, e a pessoa saltou. A minha função é soltar o mosquetão, orientar a pessoa a subir de volta e só”, afirmou.
Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil não indiciou João nem Gabriel Barros Martins, outro integrante do grupo que também foi solto nesta quarta-feira. O inquérito apontou que, após a queda, João se aproximou da vítima para verificar sinais vitais e acionou, por rádio, o pedido de socorro especializado.
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João diz ter vivido “sentimento aterrorizante” ao escutar impacto da queda
Na entrevista, ele afirmou que não viu o momento em que Maria Eduarda despencou de cerca de 40 metros, mas ouviu o impacto e classificou toda a situação como “aterrorizante”.
“É um sentimento de angústia constante. Um sentimento aterrorizante, até porque a gente não tem notícias de como as coisas estão, o que está acontecendo. É extremamente angustiante. Graças a Deus, agora estou mais aliviado, sinto-me grato pelas equipes de investigações, que fizeram o trabalho delas, conseguiram investigar tudo e verem que, de fato, eu não tinha nada a ver com aquilo”, declarou.
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Enquanto João e Gabriel foram liberados e não respondem criminalmente pelo caso, outras quatro pessoas seguem presas e foram denunciadas pelo Ministério Público pela morte da jovem. A denúncia sustenta que os responsáveis pela operação permitiram a realização do salto sem que a vítima estivesse conectada ao sistema de segurança, o que provocou a queda fatal.
Entenda como deveria ter sido feito o salto de rope jump
Relembre o caso
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu na Ponte do Esqueleto em Limeira, em São Paulo, no dia 13 de junho, após ser lançada sem cordas em um penhasco de 40 metros de altura. O salto foi promovido pela empresa Entre Cordas que, em depoimento, admitiu não possuir CNPJ, alvará municipal ou autorização formal para realizar os saltos. Foram apreendidos comprovantes de transações bancárias.
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A queda fatal foi gravada pelo próprio celular da jovem. As imagens mostram que a corda de segurança principal não estava presa ao corpo da vítima no momento do salto. O vídeo foi obtido pelo Fantástico e mostra o momento que Maria Eduarda é carregada por três instrutores e lançada. O momento do lançamento foi cortado no vídeo, já que as imagens são fortes. Também é possível ver, no registro, um cartaz da empresa responsável pelos saltos, a “Entre Cordas”.
O que é o rope jump?
O rope jump é uma modalidade de salto em altura na qual a pessoa se lança de uma plataforma, ponte ou estrutura elevada presa a um sistema de cordas e equipamentos de segurança. Diferentemente do bungee jump, em que a corda elástica fica conectada ao praticante durante toda a queda, o rope jump utiliza cordas de escalada e técnicas específicas para controlar o movimento e amortecer a queda.
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