A recente morte de três pessoas no mesmo dia, em decorrência de acidentes de trabalho em Santa Catarina, reacende um cenário preocupante. O estado figura entre os cinco primeiros que mais registraram acidentes de trabalho a cada 100 mil trabalhadores, segundo dados levantados pelo Ministério Público do Trabalho.
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As últimas mortes aconteceram todas no mesmo dia: uma terça-feira, 30 de junho. Uma delas foi em Joinville, no Norte de Santa Catarina. As informações preliminares mostram que o trabalhador, identificado como Jailson Manhães da Silva, atuava como terceirizado de uma das fábricas do grupo Krona e morreu por conta de uma descarga elétrica.
Já as outras duas mortes foram na cidade de Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina. Na ocasião, uma parede de um barracão em construção desabou sobre cinco trabalhadores. Dois deles saíram ilesos e um ficou ferido. Eles eram funcionários de uma empreiteira de União da Vitória (PR).
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Mais de 38 mil acidentes de trabalho em SC foram registrados em 2025
Segundo dados do Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Ceará, Santa Catarina registrou 38.563 acidentes de trabalho e 170 mortes em 2025. O número de ocorrências é maior do que o registrado em 2024, quando foram 37.294 acidentes e 147 óbitos. Já em 2023, foram 43.217 acidentes de trabalho e 186 mortes.
Já em um relatório publicado pelo Ministério Público do Trabalho em abril de 2026, considera os registros de 2016 até 2026. O levantamento considera as CATs, sigla para Comunicações de Acidente de Trabalho, que são os registros oficiais feitos quando um trabalhador sofre um acidente ou desenvolve uma doença relacionada à atividade profissional.
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Entre 2016 e 2025, SC somou 459.716 acidentes registrados por CAT e 1.865 mortes. Com esse volume, o Estado alcançou uma Taxa CAT de 239,45, indicador que mede a quantidade de acidentes em relação ao número de trabalhadores, e ficou com a quarta maior taxa do país.
Para o técnico em Saúde e Segurança do Trabalho da Univille, Claudemir Fernandes Martins, o cenário de acidentes em Santa Catarina exige atenção em alguns pontos, um deles é a cultura de prevenção. Apesar de o Brasil ter normas específicas de segurança, ainda há uma tendência de trabalhadores e empresas acreditarem que o acidente “não vai acontecer”.
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— Aqui no Brasil temos muitas normas, mas também temos uma forte tendência de achar que o acidente nunca vai acontecer conosco. E, com isso, a gente negligencia algumas etapas do trabalho, seja trabalhadores mais jovens que sem experiência acabam deixando processos ou os mais antigos que, pelo excesso de confiança, também acabam pulando etapas e se colocando em risco — afirma.
Outro ponto é a questão da letalidade de certos campos de trabalho. Uma das áreas mais “perigosas”, segundo o MPT, é justamente a construção civil, que foi o caso dos trabalhadores do Oeste. No acumulado nacional de 2016 a 2025, a construção de edifícios foi o segundo segmento econômico com mais mortes por acidentes de trabalho, com 820 óbitos, atrás apenas do transporte rodoviário de cargas.
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E por fim, a gestão dos terceirizados, principalmente em atividades de maior risco. Segundo Claudemir, a empresa contratante precisa ter responsabilidade direta sobre a orientação e o treinamento desses profissionais, mesmo quando eles não fazem parte do quadro fixo.
Para o técnico, esse cuidado é essencial porque o trabalhador terceirizado nem sempre conhece a rotina, os caminhos e os riscos específicos do local onde vai atuar. Por isso, a prevenção precisa começar antes da execução do serviço.
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— O terceiro não está ali diariamente, não conhece todos os processos. Então, quando você contrata um terceiro, é importante que também oriente e treine esse trabalhador — completa.





