O mosquito de laboratório, infectado pela bactéria Wolbachia e bem conhecido pelos moradores de Joinville após ajudar a erradicar mortes por dengue na cidade, chegará a 100% dos bairros. O anúncio foi feito pela prefeita Rejane Gambin na manhã desta sexta-feira (10). O objetivo é reduzir ainda mais o número de casos da doença que pode ser fatal.

Continua depois da publicidade

No ano passado, 22 pessoas morreram em Santa Catarina devido à dengue. O número, porém, é 93,5% menor do que o registrado em 2024, quando 341 morreram devido a complicações da dengue. Em Joinville, a prefeita Rejane Gambin destacou, em entrevista à CBN Joinville, que o número de casos reduziu na maior cidade do Estado após o início da soltura dos mosquitos infectados, há dois anos.

— Ano retrasado, 80 mil casos, 80 mortes. Esse ano, não chegamos a 50 casos, nenhuma morte. No ano passado, nenhuma morte. O método Wolbachia, junto com as outras ações do município, vão permitir que a gente cada vez mais tenha esse “fantasma” da dengue, também a zika e a chikungunya, longe da nossa cidade — afirma.

Continua depois da publicidade

Veja fotos dos mosquitos infectados 

Como o uso da bactéria reduziu o número de casos de dengue

A Wolbachia é uma pequena bactéria que está presente em cerca de 60% dos insetos. Inicialmente, pesquisadores indicaram que a Wolbachia teria pouco ou quase nenhum risco aos humanos. 

Conforme o World Mosquito Program, os mosquitos infectados com Wolbachia têm o potencial de substituir populações de hospedeiros não infectados ao longo de várias gerações. Isso significa que se um mosquito Aedes aegypti recebe a Wolbachia, por meio de uma microinjeção embrionária, fica impedido de transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya.

Continua depois da publicidade

Em anúncio feito pela gestão municipal, foi divulgado que após as fases iniciais de uso, que tiveram início em 2024, a soltura dos mosquitos modificados alcança 100% do perímetro urbano e começa em agosto deste ano, quando carros oficiais passam pelas ruas de todos os bairros do perímetro urbano de Joinville, liberando os insetos no ar.

Uma das principais “peças-chaves” deste avanço significativo nos trabalhos com o método Wolbachia fica concentrado no bairro Nova Brasília, onde uma “fábrica” é a responsável por produzir os insetos modificados.

Continua depois da publicidade

— Ela tem um período de baixa, assim, onde a operação não está acontecendo com aquela “força” toda, mas ela sempre esteve lá e a gente agora, claro, usa ela porque ela é uma ferramenta muito importante — explica.

Apesar do avanço do método, a prefeita afirma que ações de prevenção continuarão acontecendo na cidade toda, como já ocorre atualmente.

Continua depois da publicidade

— Claro que a gente continua também com os mutirões, com a educação nas escolas, para as crianças, com o cuidado, falando cada vez mais para o joinvilense que ele precisa ajudar também: limpando a sua casa, não deixando potinhos virados para cima, para ter água onde talvez o Aedes possa se desenvolver e depois levar dengue para alguém — destaca.

Como foi o início do método Wolbachia em SC

A metodologia foi aplicada pela primeira vez em território catarinense em 2024, na maior cidade do Estado: Joinville foi selecionada pelo Ministério da Saúde para receber o Método Wolbachia devido aos grandes números de casos e mortes relacionadas à dengue registrados nos últimos anos.

Continua depois da publicidade

Apenas em 2024, 83 pessoas morreram e 80.232 casos de pessoas infectadas foram confirmados na cidade. O número varia nos anos anteriores, com 39 mortes e 44.086 casos em 2023; 19 mortes e 21.304 casos em 2022; 5 mortes e 16.423 casos em 2021; e zero mortes e 8.743 casos confirmados em 2020.

Como a Wolbachia foi descoberta

Apesar de chegar em Santa Catarina em 2024, o Método Wolbachia surgiu na Austrália há cerca de 15 anos. A metodologia foi aplicada pela primeira vez em 2011, no Norte da Austrália. Mas as pesquisas com a Wolbachia começaram há mais de cem anos, em 1924, quando dois pesquisadores norte-americanos, Marshall Hertig e Simeon Burt Wolbach, descobriram uma pequena bactéria no mosquito Culex pipiens.

Continua depois da publicidade

Após mais de uma década de estudos, Hertig a nomeou como Wolbachia pipientis em 1936. E foi apenas entre as décadas de 1980 e 1990 que o pesquisador e professor Scott O’Neill passou a estudar a Wolbachia e a dengue de forma associada.

*Sob supervisão de Leandro Ferreira