Um motociclista foi atingido por uma linha com cerol enquanto trafegava pela BR-470, em Navegantes. O homem precisou levar cerca de 100 pontos no rosto, pois ficou ferido de uma ponta a outra das sobrancelhas, como mostra a imagem acima. O episódio ocorreu na última sexta-feira (24), por volta das 17h, e os bombeiros comunitários foram os primeiros a prestar socorro.
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A vítima é morador do bairro São Paulo e voltava para casa após o trabalho quando aconteceu o acidente. Por sorte, uma equipe de cirurgiões estava no Hospital de Navegantes quando Adilton Ribeiro deu entrada na unidade de saúde. Ele imediatamente recebeu atendimento. O médico bucomaxilofacial Daniel Reis contou que o motociclista teve muito sorte em não ficar cego.
— Foi feita toda limpeza e proteção do globo ocular. Depois, realizada contenção da artéria supra orbital. E, então, os pontos. O que salvou ele foi o capacete.
Os profissionais saíam de uma cirurgia quando foram avisados da chegada de Adilton. A cena, conta o médico, infelizmente é comum em Navegantes. No ano passado, após um acidente exatamente igual provocar a morte de um jovem motociclista, um projeto de lei do vereador Julio Bento (PSD) foi aprovado na Câmara de Navegantes aumentando para até R$ 10 mil quem for flagrado usando cerol.
O problema, segundo o parlamentar, é que não há fiscalização. A reportagem da NSC questionou a prefeitura sobre flagrantes do gênero e multas emitidas, mas não teve retorno.
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Cena que se repete
A cena se repete exatamente um ano após a morte de Luiz Eduardo Scloneski. O jovem de 21 anos também pilotava uma moto na BR-470, em Navegantes, quando foi atingido por uma pipa com linha de cerol. O material atingiu o pescoço da vítima, caiu às margens da rodovia e morreu degolado.
Ele estava com a esposa na garupa, mas não chegou a ser atingida pelo cerol e sobreviveu.
A Polícia Civil abriu inquérito para tentar identificar quem estava soltando a pipa com cerol que matou Luiz. O uso do produto é proibido por lei no Brasil. O delegado à frente do caso citou, à época, que possivelmente se trata de crianças. Porém, passado um ano, não há informações sobre o desfecho do caso.
A polícia também não informou se vai apurar o caso ocorrido no último fim de semana.

