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    Mulher arrastada por carro em Florianópolis relata agressão: ‘esse cara poderia ter me matado’

    Vítima criticou o fato de o crime ter sido enquadrado como “lesão corporal leve” e disse que vai buscar justiça

    09/06/2020 - 09h43 - Atualizada em: 09/06/2020 - 11h49

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    Por Guilherme Simon
    Larissa da Rocha
    Larissa da Rocha contou detalhes da agressão em depoimento
    (Foto: )

    Arrastada por um carro por cerca de 20 metros após uma discussão no trânsito na última sexta-feira (5) no acesso à ponte Pedro Ivo Campos, em Florianópolis, a administradora Larissa da Rocha, de 39 anos, falou sobre o ocorrido em depoimento ao Hora de Santa Catarina. Ela relatou como foi a agressão, criticou o fato de o crime ter sido enquadrado como “lesão corporal leve” pela Polícia Civil e disse que vai buscar justiça.

    — O sujeito me arrastou em um carro em movimento por mais de 20 metros e não vai acontecer nada com ele? Será que eu precisaria morrer para o delegado achar que foi mais que uma lesão corporal leve? Esse cara poderia ter me matado, se a roda do carro dele passasse em cima da minha cabeça, poderia ter perdido as pernas ou os braços — desabafou Larissa em texto enviado à reportagem.

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    O fato aconteceu na manhã de sexta, na região continental da Capital catarinense. Larissa contou que também estava de carro e que a violência teve início porque ela fez uma manobra que desagradou o motorista do outro veículo, que vinha logo atrás. De acordo com o Boletim de Ocorrência da Polícia Civil, o autor da agressão é o veterinário Alvady Di Domenico Neto, de 33 anos.

    Segundo Larissa, o homem ficou indignado e começou a buzinar e a persegui-la. Depois, emparelhou o carro dela, jogou spray de pimenta no vidro e a xingou com diversos palavrões. Mais adiante, quando os dois veículos já estavam no acesso à ponte Pedro Ivo Campos, na Via Expressa, o motorista bateu propositalmente na traseira do carro dela.

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    — (Depois que ele bateu no veículo) desci do carro para acertarmos a negociação da batida, foi quando ele começou a dar a ré pra fugir. Muito nervosa, segurei o cinto de segurança dele, falando que não iria deixá-lo fugir (...) Foi aí que ele fechou o vidro do carro, prendendo meu braço e me arrastando com o carro em movimento por aproximadamente 20 metros — relatou a mulher.

    Larissa contou ainda que, depois de conseguir se soltar, já na ponte Pedro Ivo Campos, bateu a cabeça no chão e ficou tonta. Como o trânsito estava lento no local, o carro não ganhou tanta velocidade e ela sofreu apenas ferimentos leves. 

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    O motorista tentou fugir, mas foi interceptado por um policial civil que presenciou a cena. Larissa e o motorista foram levados à Central de Polícia Civil da Capital. Após ser ouvido, ele foi liberado. 

    — Fiz o BO (Boletim de Ocorrência), fiz exame de corpo de delito, e passei a manhã inteira na delegacia pra sair com um termo circunstanciado, por lesão leve (...) Será que o delegado teria essa mesma postura se fosse com a sua esposa ou sua mãe? — cobrou Larissa.

    Agora, ela diz que vai procurar um advogado para defendê-la em busca de justiça.

    — Foi a situação mais horrível que já passe na vida. A gente acha que vive numa sociedade onde as pessoas não são capazes de fazer algo assim. Preciso fazer alguma coisa, porque agora quem está em pânico sou eu.

    Contraponto

    A Hora de Santa Catarina questionou a Polícia Civil sobre o caso no começo da manhã. Uma nota foi enviada pela assessoria de imprensa no começo da tarde desta terça.

    Na nota, o delegado Laurito Akira Sato, coordenador da Central de Plantão Policial de Florianópolis, disse que a tipificação penal teve como base o exame pericial de corpo e de delito feito pelo Instituto Geral de Perícias (IGP).

    “A Polícia Civil já solicitou as imagens da entrada da ponte e, surgindo fatos novos, a tipificação penal poderá ou não vir a ser alterada. Por fim, nos solidarizamos com a vítima, salientando que continuaremos trabalhando em prol da sociedade em consonância com os princípios fundamentais da administração pública", completou.

    A reportagem também fez contato com o veterinário Alvady Di Domenico Neto através de mensagem de celular na manhã desta terça-feira (9), mas ele disse que no momento não poderia falar.

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