Durante às celebrações pelos seis meses de inauguração do Parque Municipal Catarina Ghisi Serafim, no bairro Santa Luzia, em Criciúma, um novo elemento passou a chamar a atenção de quem circula pelo espaço: um mural em grafite que transforma paredes em memória viva da cidade.
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Criada pelo artista Ricardo Herok, a obra, selecionada por edital público da Fundação Cultural de Criciúma (FCC), marca as comemorações do centenário de emancipação político-administrativa do município. Mais do que intervenção artística, o mural se propõe a ser um registro visual da formação da identidade criciumense.
A arte reúne símbolos que ajudam a contar essa trajetória: a chegada dos primeiros imigrantes italianos, a mineração e o trabalho das escolhedeiras de carvão, mulheres que marcaram a rotina das minas, e o início da industrialização da região.
As cores em tons de ferrugem reforçam a ideia de passagem do tempo e de uma história construída no esforço diário de diferentes gerações. Já a palavra “Cresciuma”, grafada em estilo cursivo, remete ao nome original do município, usado pelos primeiros imigrantes, e reforça a ligação entre passado e presente.
Para o prefeito Vagner Espindola (PSD), o mural amplia o significado do parque como espaço público.
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— Celebrar os seis meses do Parque da Santa Luzia com uma obra que resgata a história de Criciúma é uma forma de aproximar ainda mais a população das suas raízes — afirmou.
Já a presidente da Fundação Cultural de Criciúma, Cristiane Maccari Uliana Zappelini, ressaltou o incentivo à arte urbana e aos artistas locais por meio de edital público, destacando o mural como ferramenta de identidade e acesso à cultura.
Veja detalhes do mural feito em parque de Criciúma
Quem são os personagens homenageados no novo mural de Criciúma?
A história representada na obra remonta aos primeiros movimentos de formação do município. Em 6 de janeiro de 1880, chegaram à região os primeiros imigrantes italianos vindos de cidades como Veneza, Belluno e Treviso. A partir desse grupo inicial, formado por 22 famílias, teve início o povoado que daria origem à cidade.
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Sobrenomes como Pizetti, Scotti, Sônego, Benedet, Casagrande e De Luca estão entre os que ajudaram a compor essa formação inicial. Em meio a dificuldades, doenças e conflitos no processo de ocupação, a colônia cresceu e se consolidou como base da futura cidade.
Décadas depois, a economia local passou a se estruturar fortemente na extração do carvão. Em 1915, foi aberta a primeira mina em Cresciúma, no bairro Pio Corrêa, dando início a um ciclo que transformaria profundamente a região.
Nesse contexto, surgem as escolhedeiras de carvão, mulheres responsáveis pela triagem manual do minério. Em bancadas, separavam impurezas e selecionavam o carvão de melhor qualidade, em um trabalho exaustivo, marcado por poeira, frio e longas jornadas.
— Era cansativo, mas a gente vivia daquilo ali — relembrou Benta Bitencourt de Assis, nascida em 1925 e uma das trabalhadoras que atuaram nessa função.
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A história do carvão também se conecta ao desenvolvimento urbano, com a chegada da ferrovia e a expansão industrial, até a emancipação oficial do município em 4 de novembro de 1925, quando Cresciúma se tornou cidade e passou a organizar seus próprios poderes administrativos.
Parque que também é memória
Inaugurado em 31 de outubro de 2025, o Parque Municipal Catarina Ghisi Serafim se consolida como um dos principais espaços públicos da cidade. O nome homenageia uma moradora da comunidade, filha de imigrantes italianos e escolhedeira de carvão, cuja trajetória se mistura à própria história do bairro Santa Luzia.
Hoje, o parque reúne lazer, esporte, natureza e cultura, e com o novo mural, passa também a funcionar como um espaço de preservação da memória coletiva.








