Cinco salas, entrada gratuita, exposições temporárias a cada 45 dias e tanto artistas locais quanto nacionais. Esse é o ciclo que move o Museu de Arte de Blumenau (MAB) desde que abriu as portas em dezembro de 2004, em um prédio histórico de 1875 na Rua XV de Novembro, em Blumenau. De tempos em tempos, as paredes mudam. As obras saem, chegam outras, e quem passa pelo centro da cidade encontra um museu que nunca é exatamente o mesmo de uma visita para a outra.

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— O MAB tem só 22 anos de idade, ele é o terceiro museu de arte aqui do estado de Santa Catarina. O primeiro é o Museu de Arte de Santa Catarina de Florianópolis, que tem mais de 70 anos. O segundo é o Museu de Arte de Joinville, que tem mais de 50 anos. Nós temos pouco mais de 20 anos, mas, mesmo assim, estamos com uma visibilidade muito interessante — revela a gerente Mia Ávila.

O MAB ocupa um prédio histórico de 1875 na emblemática Rua XV de Novembro (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

O próprio museu descreve o objetivo principal como “a socialização da arte em todos os seus níveis, catequizando o indivíduo e ajudando a formar cidadãos mais críticos e conscientes do papel fundamental da cultura para nossa vida”.

O número de visitantes varia bastante e depende de uma série de elementos, como a programação daquela temporada e período do ano, mas a média gira entre 500 e 600 pessoas por temporada. Nas noites de abertura, o museu costuma receber entre 150 e 200 pessoas só naquelas horas. E não são só blumenauenses, o MAB atrai visitantes de outras cidades, seja por excursões escolares ou turísticas.

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Com 20 anos de história, o museu renova suas paredes a cada 45 dias com exposições inéditas (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

As cinco salas têm nomes próprios e personalidades distintas: A Galeria do Papel; Galeria Municipal de Arte e Sala Alberto Luz; Sala Elke Hering; Sala Pedro Dantas; e Sala Roy Kellermann. Cada temporada distribui os artistas entre esses espaços, criando uma espécie de percurso que o visitante pode fazer na sequência que quiser.

“O intuito de reconhecer, valorizar, preservar e difundir o patrimônio artístico-cultural em geral, vem sendo sua missão desde sua fundação”, explica o MAB pelo site oficial.

Por ser focado em exposições temporárias, o MAB nunca é o mesmo de uma visita para a outra (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

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Entenda como funcionam exposições

É por meio das exposições temporárias que artistas, tanto blumenauenses quanto de diversas outras regiões do Brasil, se inscrevem pelos editais e conseguem um espaço para expor as artes e colaborar com demais artistas. Neste ano, 48 artistas no total, de sete estados brasileiros diferentes, se inscreveram para participar das cinco temporadas de exposição deste ano.

A temporada atual, a primeira deste ano, fica aberta até 26 de abril com obras de artistas de Santa Catarina e Paraná. Elas exploram temas como origem, transformação, corpo, limite e expansão através de pinturas, gravuras, esculturas, fotografias, arte digital e até quadrinhos. A abertura foi no dia 12 de março, com apresentação musical, declamação de poemas e mostra comemorativa aos 25 anos da trajetória poético-literária de Terezinha Manczak.

Consolidado como o terceiro museu de arte de Santa Catarina, o MAB celebra duas décadas de fomento à cultura (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

A próxima virada de exposições acontecerá em 7 de maio, quando o MAB abre a segunda temporada de exposições do ano. A abertura segue o ritual que já virou uma tradição: conversa com os artistas expositores, apresentação musical e as cinco salas abertas ao mesmo tempo para que o visitante transite pelas mostras no próprio ritmo.

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No total, 24 projetos foram selecionados para as temporadas de 2026, com temáticas diversificadas. Elas são:

  • Natureza e Paisagem: Diálogos entre o meio ambiente e a arte
  • Memória e Tempo: Reflexões sobre a história e a existência
  • Social e Identidade: Arte como ferramenta de transformação e visibilidade
  • Abstração e Experimento: Novas formas e linguagens visuais
Além das obras, a arquitetura do MAB é um convite para mergulhar na história de Blumenau (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

Santa Catarina lidera a seleção com 13 projetos, distribuídos entre quatro de Blumenau, quatro de Florianópolis, dois de Joinville, um de Gaspar, um de Balneário Camboriú e um de Rio Negrinho. Paraná soma quatro projetos, sendo dois de Curitiba, um de Matinhos e um de São José dos Pinhais. São Paulo teve quatro projetos aprovados, todos da capital paulista. Completam a seleção Minas Gerais, com um projeto de Belo Horizonte, um de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e um de Goiânia, em Goiás.

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O que ver em cada sala nesta 1ª temporada

  • Sala Roy Kellermann: a exposição “MUNDOvo”, de Marafigo (PR), investiga a origem, a potencialidade e a criação. Ela é inspirada no conto “O Ovo e a Galinha”, de Clarice Lispector. A exposição articula gravuras, pinturas, objetos escultóricos e bordados que convidam o público a refletir sobre o desdobramento da vida e da arte;
  • Sala Pedro Dantas: a mostra “Os Ratos – Arte Underground”, de Thiago Souza (SC), traz consigo a linguagem dos quadrinhos underground, explorando os limites entre narrativa gráfica e artes visuais, em obras de grande formato sobre papel Paraná;
  • Sala Elke Hering: “Círculos e Ciclos”, de Francinete Alberton (PR), apresenta uma reflexão sensível sobre os ciclos do corpo feminino, da menarca à menopausa, por meio de pintura, escultura em bronze, fotografia e arte digital, propondo uma leitura cromática intensa e afirmativa sobre transformação e continuidade;
  • Galeria Municipal de Arte – Sala Alberto Luz: duas exposições ampliam o diálogo sobre limite e subjetividade. “Extensões de Separação”, de Isadora Batista (SC), investiga a pintura como espaço de tensão e expansão, onde cor, linha e forma produzem campos de passagem e reorganização perceptiva. Já “Entre formas e afetos”, de Prisciani May e Jociane Lesuk (PR), propõe um encontro entre corpo, ética e fragmentação do olhar, articulando experiências femininas e subjetividade;
  • A Galeria do Papel: a mostra “Diálogos Gráficos” reúne serigrafias e litografias de quatro nomes fundamentais da história da arte: Maria Bonomi, Renina Katz, Silvio Oppenheim e Massuo Nakakubo. As obras integram um conjunto doado pelo Itaú Cultural, uma parceria que fortalece o acervo público e permite ao visitante um mergulho na variedade de texturas, contrastes e gestos que o suporte em papel proporciona.
As salas do MAB recebem obras que desafiam a percepção visual e exploram a subjetividade humana. (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

Como visitar

A visitação segue regras simples. De terça a sexta-feira, o museu recebe grupos agendados pelo telefone (47) 3381-6176 ou pelo e-mail gerenciamab.smc@blumenau.sc.gov.br. Já nos sábados e domingos, as portas ficam abertas para qualquer visita espontânea, sem necessidade de marcar horário. O funcionamento é das 10h às 16h e a entrada é sempre gratuita.

O museu fica na Rua XV de Novembro, 161, no Centro Histórico de Blumenau, onde funciona a Secretaria Municipal de Cultura e Relações Institucionais.

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