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    "Não existe economia forte com muitas mortes e sistema colapsado", diz infectologista de Joinville

    Luiz Henrique Melo também é coordenador da vigilância em saúde de Joinville e falou sobre a pandemia em evento online

    17/03/2021 - 15h12 - Atualizada em: 17/03/2021 - 20h44

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    Hassan
    Por Hassan Farias
    foto mostra o médio luiz henrique melo
    O infectologista faz parte do comitê da Prefeitura de Joinville para combater a pandemia
    (Foto: )

    O infectologista Luiz Henrique Melo, médico coordenador de vigilância em saúde de Joinville, avalia que não existe uma economia ativa e forte quando a situação da saúde chega ao limite e analisou os "lockdowns" curtos que estão ocorrendo em Santa Catarina. As declarações foram dadas durante um evento online realizado pelo Comitê Popular Solidário, na terça-feira (16), em que o especialista foi convidado para falar sobre o avanço da pandemia do coronavírus na maior cidade do Estado.

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    — Tem muita pressão sobre os órgãoes que tomam decisão para manter a economia aberta. Não existe economia forte se você têm muitas mortes, insegurança e o sistema de saúde colapsado. Então, é preciso ter equilíbrio dentro desta balança — defendeu.

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    Segundo Melo, as pandemias sempre levam à mortalidade e à perda econômica. O que vai determinar se haverá mais ou menos mortes e prejuízos para a economia é a maneira com que se lida com a pandemia. Em Joinville, mesmo com o aumento no número de leitos, as mortes e as internações continuam crescendo.

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    Durante a conversa com o Comitê Popular Solidário, o infectologista ainda refletiu sobre um hipotético lockdown em Joinville. Segundo ele, de nada adiantaria o município adotar a restrição total se as demais cidades do Estado também não aderirem à mesma medida. 

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    — Se as cidades ao redor no Estado não fizessem, nós não esvaziaríamos a nossa rede hospitalar porque as cidades que continuassem com grande número de casos iriam mandar os pacientes para nós — afirmou.

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    Melo defendeu a criação de uma proposta nacional de enfrentamento à Covid-19, com adaptações locais de acordo com a velocidade de contágio e a disponibilidade do sistema de saúde para oferta de leitos.

    "Lockdown funciona, mas é um remédio amargo"

    Melo disse que o Brasil ainda não adotou o verdadeiro lockdown desde o início da pandemia. Segundo ele, o país tem restrições parciais, que são confundidas pela população com o lockdown total. 

    — As pessoas falam que o lockdown não funciona. Não funciona o lockdown tabajara nacional. Na Itália, a pessoa só podia sair de casa para ir ao médico e no supermercado, com autorização prévia. Isso é lockdown e funciona, mas é um remédio amargo —esclarece.

    O especialista ressaltou que a medida, se adotada, impactaria na economia. Porém, apontou o exemplo dos Estados Unidos, que vacinam 1% da população por dia e investiram US$ 2 trilhões para a economia se manter ativa e as pessoas aderirem com mais facilidade às restrições.

    — Assim a questão econômica deixa de ser um empecilho e as pessoas têm menor dificuldade para aderir às recomendações. Eu compreendo as dificuldades que medidas como essa trazem, mas temos que entender que estamos em uma situação diferente — pontuou.

    Melo ainda ressaltou que essa ação teria que ser federal, com a determinação de regras e cada Estado ou município poderia fazer adaptações, de acordo com a realidade e capacidade. Segundo ele, assim o país teria menos dificuldades para enfrentar o grave problema pelo qual está passando.

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