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    Investigação parlamentar

    “Não teve caça às bruxas e não acabou em pizza”, diz relator da CPI dos respiradores

    Deputado Ivan Naatz (PL) avaliou relatório final da comissão que investigou compra do governo e disse que vai apresentar esta semana novo pedido de impeachment

    19/08/2020 - 11h09 - Atualizada em: 19/08/2020 - 11h10

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    Por Jean Laurindo
    Relator da CPI deu entrevista coletiva sobre o relatório final da CPI nesta quarta-feira
    Relator da CPI deu entrevista coletiva sobre o relatório final da CPI nesta quarta-feira
    (Foto: )

    O relator da CPI dos respiradores, deputado estadual Ivan Naatz (PL), confirmou que vai apresentar ainda esta semana à presidência da Assembleia Legislativa (Alesc) um requerimento pedindo o impeachment do governador Carlos Moisés (PSL) com base na investigação parlamentar que apurou a compra dos ventiladores pulmonares contra a covid-19 em SC.

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    Segundo Naatz, o documento vai ser analisado pela procuradoria da Alesc, que vai analisar se o processo deve caminhar de forma separada ou em conexão com o pedido de impeachment que já está em tramitação na Assembleia. Ao contrário do pedido que já é analisado pelos deputados, esse requerimento pelo impedimento do governador não vai envolver a vice-governadora Daniela Reinehr, que não é citada em nenhuma parte do relatório final da CPI dos respiradores. Com isso, abre-se caminho para um possível processo de impeachment apenas do governador Moisés.

    Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (19), o deputado avaliou o relatório final da CPI dos respiradores, apresentado na noite de terça-feira. Ele classificou a compra dos respiradores como “a maior mancha” que Santa Catarina já sofreu em termos de dinheiro público e disse que, quem criticava os trabalhos da CPI “quebrou o bico”.

    – Não teve caça às bruxas. Alguns diziam que iria acabar em pizza, também não acabou em pizza. Alguns diziam que era desperdício de dinheiro público, não foi. Falhas é possível que a gente cometa, mas os nobres deputados trabalharam muito na CPI. Quem torceu contra perdeu a aposta – afirmou.

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    O parlamentar admitiu que a CPI tem viés político, mas 

    - Sim, CPI é política, é isso mesmo. Mas ela também cumpre uma função constitucional da Assembleia Legislativa, de fiscalizar os atos do poder Executivo. Ela é política e fiscalizatória. Pior se os deputados não tivessem cumprido seu papel, de mostrar aos catarinenses o que aconteceu de verdade na compra dos respiradores - respondeu.

    O deputado voltou a fazer críticas fortes ao governador, dizendo que Moisés se mostrou "ineficiente" para gerir o Estado e que "chegou ao Estado sem conhecer a palavra goveranbilidade e obviamente paga o preço por isso".

    Naatz defendeu que a CPI teve função diferente da força-tarefa que investiga o caso na esfera criminal, formada por Ministério Público, Polícia Civil e Tribunal de Contas do Estado, e afirma que a apuração parlamentar permitiu aos catarinenses “acompanhar a face de cada uma das pessoas que participaram desse processo”.

    Agora, segundo ele, além do pedido de impeachment, os documentos elaborados pela CPI vão ser enviados também ao Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC).

    – A CPI apresenta o rol dos culpados e exige o ajuizamento de ações para recuperar o prejuízo. Recuperar o valor vai ser difícil porque foi uma ação do crime organizado, mas (é possível) processar pessoas e tomar o patrimônio delas para recuperar parte do prejuízo – apontou.

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