Ninguém será deixado para trás, diz Macron em discurso de vitória na França

Abstenção no pleito foi de 27,6%, uma das mais altas em décadas

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Apoiadores de Macron se reuniram na região da Torre Eiffel (Foto: Ludovic Marin/AFP)

Reeleito presidente da França neste domingo (24), Emmanuel Macron fez acenos a outros campos políticos e prometeu mudanças em seu segundo mandato. “Serão anos difíceis, mas históricos”, afirmou, em um discurso de cerca de dez minutos no campo de Marte, em Paris.

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Macron derrotou a ultradireitista Marine Le Pen. À 0h30 desta segunda (25), pelo horário local, ainda 19h30 de domingo em Brasília, a apuração oficial já tinha sido 97% concluída e apontava o atual presidente com 57,4% dos votos. A abstenção foi de 27,6%, uma das mais altas em décadas.

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No começo da tarde, a projeção de institutos de pesquisa indicara a reeleição do político, com a rival admitindo a derrota 15 minutos depois.

O momento do anúncio foi de festa e alívio na região da Torre Eiffel, na capital francesa, onde se reuniram os apoiadores de Macron. Mensagens de apoio vieram também de líderes europeus -segundo o Palácio do Eliseu, o primeiro telefonema após a divulgação das projeções foi com o premiê alemão, Olaf Scholz.

Por volta das 21h30 em Paris, o presidente reeleito chegou ao campo de Marte com a mulher, Brigitte, sob a canção que é considerada o hino da União Europeia, “Ode à Alegria”, um trecho da Nona Sinfonia de Ludwig van Beethoven. 

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Em uma fala de menos de dez minutos, agradeceu aos eleitores, mencionando inclusive aqueles que “votaram em mim não porque apoiam minhas ideias, mas para bloquear a ultradireita”. A eles, afirmou: “Quero dizer que estou ciente de que esse voto me prende nos próximos anos”.

Macron reconheceu que a França sai da eleição como um país dividido, mas prometeu: “Ninguém vai ser deixado para trás”.

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As falas deixam claro que o presidente sofreu com uma série de desgastes em seu primeiro mandato, permitindo o avanço de nomes antissistema -no primeiro turno, atrás da rival derrotada neste domingo, ficaram o esquerdista radical Jean-Luc Mélenchon e o ultradiretista Eric Zemmour, à frente de nomes dos partidos políticos mais tradicionais, o socialista e o republicanos.

O nome que assumiu se dizendo um centrista radical, com o tempo enveredando-se para a centro-direita, fez acenos à esquerda também durante a campanha no segundo turno, em direção aos eleitores de Mélenchon, que teve chances reais de ultrapassar Le Pen.

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Quando Macron mencionou o nome da rival, parte do público que o assistia iniciou uma vaia, sugerindo ainda que a derrotada se mudasse para Moscou -sua ligação com a Rússia de Vladimir Putin foi repisada ao longo da campanha e usada pelo rival no único debate entre ambos.

No discurso, porém, Macron parou de falar para pedir que ela não fosse vaiada. “De agora em diante, não sou o candidato de um partido, mas sim o presidente de todas e todos.”

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Ao final, Macron disse que seu próximo mandato não será uma continuidade, mas falou em cinco anos melhores para o país e para os mais jovens. E anunciou que vai trabalhar por uma França republicana, mais comprometida com os valores sociais e verdes.

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Ao fim, emocionado, convidou a mulher para subir ao palco e ouviu uma cantora entoar o hino francês, A Marselhesa.

Reeleito recebe mensagens de apoio e cobrança 

Assim que a projeção da reeleição de Macron foi divulgada, líderes europeus começaram a enviar mensagens parabenizando o fracês. Le Pen, vale lembrar, é uma antieuropeísta convicta -se, neste 2022, não prometeu tirar o país da União Europeia, afirmou que pretendia “reformar o bloco por dentro”.

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Scholz, o espanhol Pedro Sánchez e o português António Costa chegaram a escrever um artigo no jornal francês Le Monde, nesta semana, pedindo voto no colega.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, foi o primeiro a parabenizar Macron, com um tuíte. “Nesse período turbulento, precisamos de uma Europa sólida e da França totalmente comprometida com uma UE mais soberana e estratégica”, escreveu.

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Ele foi seguido pelos premiês da Bélgica, Alexander de Croo, e da Holanda, Mark Rutte, e pelo britânico Boris Johnson. “Espero continuar trabalhando juntos nos problemas mais importantes para os nossos dois países e para o mundo”, disse Boris, que teve fricções recentes com a França por causa do brexit e da questão dos refugiados no Canal da Mancha.

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Sánchez e o italiano Mario Draghi também comemoraram a reeleição de Macron –este último classificou a notícia de “maravilhosas para toda a Europa”.

“Fico feliz de poder continuar nossa excelente cooperação. Juntos, vamos fazer a França e a Europa avançarem”, escreveu Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, no Twitter. A francesa Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, destacou “a forte liderança de Macron, essencial nesses tempos incertos”.

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O ucraniano Volodimir Zelenski parabenizou o reeleito chamando-o de “verdadeiro amigo”. Macron buscou protagonismo nas negociações diplomáticas ao longo de toda a Guerra da Ucrânia.

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PL), bem como o Itamaraty, não havia se manifestado sobre a eleição francesa até as 20h deste domingo. O político teve momentos de tensão com Macron ao longo do mandato, especialmente por causa da questão ambiental.

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Neste domingo, o francês ainda foi alvo de cobranças internas. Ao falar em seu discurso em ter recebido votos para “bloquear a ultradireita”, Macron também de certa forma mirou uma resposta à ambientalista Sandrine Rousseu.

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Assim que as projeções indicaram a reeleição, ela cobrou o presidente. “Acho que a pergunta é ‘ele percebe que foi eleito com votos de esquerda? Ele está consciente?'”, questionou. “Fomos responsáveis 1.000 vezes [pelos votos recebidos por ele] nos dois turnos, mas ele mudará sua política?”

Ela pediu que os franceses renovem a Assembleia Nacional nas eleições legislativas, marcadas para junho, para que “o novo mandato de Macron não se assemelhe ao anterior e que, em última análise, este governo seja um governo de coabitação”.

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