Como começar um livro? Alguns se inspiram em sonhos, enquanto outros buscam retratar a própria história. Em Santa Catarina, Juliana Sakae e Tabira Estevão são dois jornalistas que, por meio da escrita, transformaram suas buscas pessoais em obras literárias. Os dois comemoram, no dia 25 de julho, o Dia Nacional do Escritor, data que homenageia profissionais responsáveis por transformar ideias em textos que informam e emocionam, sejam dos romances às crônicas ou da poesia ao jornalismo literário.

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O livro de Juliana Sakae, “Eu, Brasil”, nasceu de um projeto pessoal que começou após a morte da mãe em 2013. Com a ideia de preservar memórias familiares para as futuras gerações, a autora iniciou a pesquisa entrevistando os avós em Florianópolis, antes de viajar a Pernambuco para explorar a origem do avô. A narrativa evoluiu de um relato íntimo para uma investigação mais ampla sobre suas heranças culturais e histórias apagadas.

— Uma amiga que me falou assim: “Ju, por que que em vez de tu escrever a história dos teus antepassados, tu não escreve a história da investigação? Porque o que tu não descobrir conta mais sobre a história do Brasil do que os próprios documentos” — relata.

A autora diz que foi a partir desse momento que transformou a abordagem original e decidiu narrar não apenas as histórias familiares. Com uma trajetória profissional dedicada a projetos ligados a direitos humanos e documentários, Juliana traz para a literatura uma sensibilidade e um rigor investigativo. A obra foi construída ao longo de quase uma década, incluindo viagens, entrevistas e mergulhos em bibliografias frequentemente marginalizadas.

Além disso, a jornalista destaca a importância de incluir perspectivas femininas e racializadas na literatura brasileira. Ela menciona autores influentes que a ajudaram a entender quem vivia as dores retratadas, como Djamila Ribeiro e Jorge Okubaro. Livros como “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves, e “A Queda do Céu”, de Davi Kopenawa, também moldaram sua perspectiva durante a escrita.

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O livro que nasceu de sonho

Já o livro de Tabira Estevão, “Head’s Up – O Único Oponente”, é um romance histórico-ficcional ambientado entre fevereiro e março de 1964. Ele parte do amplo material que o jornalista havia reunido para escrever uma monografia de conclusão de curso, em 2010. A estrutura é baseada em cinco partes, cada uma representando uma posição de heads-up no poker, onde os capítulos se desenvolvem a partir dessas ações.

Ao falar sobre como deu início a escrita, Tabira conta que o prólogo surgiu em um sonho e que o enredo da história se moldou a partir da descrição desta imaginação.

— O meu livro começa assim: “Quem é esta mulher? Que pacote é esse? Quem é esse homem? Que carro é esse? Por que esse acontecimento?” Todo o enredo se desenvolve a partir desta ação — conta.

Tabira começou a escrever o livro em 2012 e terminou em 2017. Entretanto, conta que, durante o período, alguns imprevistos ocorreram, como a vez que o filho danificou o computador com água, o que causou uma pausa significativa, afetando a linha de raciocínio e prolongando o processo.

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— Essa pausa foi um pontapé muito importante para eu perder uma linha de raciocínio do livro, porque eu estava intensamente mergulhado na narrativa, mas foi bom revisitar tudo de novo. Se eu não tivesse perdido o material, teria terminado o projeto em quatro ou cinco meses — conta o jornalista.

Após o lançamento, o autor conta que uma emoção muito grande ao ver o livro materializado após um processo longo de edição.

O livro de Tabira concorre à categoria “Romance de Entretenimento”, do Prêmio Jabuti de 2025. Inicialmente, não havia nenhum interesse de inscrever a história em qualquer premiação. Na verdade, a intenção nem era escrever um romance, mas um conto ou crônica. A expectativa, agora, é estar entre os classificados, mas compreende que há uma grande concorrência.

— Só o fato de ser admitido, para mim, já é uma grande conquista. O resultado sai final do ano, então vamos aguardar roendo as unhas — brinca.

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*Sob supervisão de Luana Amorim

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