O professor Ricardo Lautert enfrenta a segunda eleição. Estreou em 2016, quando concorreu a uma vaga na Câmara de Vereadores de Joinville, onde mora e trabalha como professor. Representa a bandeira do PSTU e, assim como os correligionários, pauta a campanha no que o partido define como “chamado para a rebelião”, focado na tentativa de mudar o atual sistema político.

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Confira abaixo o que o candidato tem a falar em mais uma entrevista da série com os candidatos catarinenses ao Senado produzidas pelo Diário Catarinense.

Perfil

Nascimento e idade: 04/11/1981 | 36 anos

Naturalidade: Francisco Beltrão (PR)

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Profissão: professor

Escolaridade: superior

Carreira política: nunca foi eleita para cargo público

Vídeo: confira as principais propostas de Ricardo Lautert, candidato ao Senado pelo PSTU

Em 2016, você foi candidato a vereador em Joinville, mas não se elegeu. O que o levou a tentar uma vaga no Senado?

Fui candidato a vereador em Joinville há dois anos. E a gente está fazendo um chamado nessas eleições, que é um chamado para a rebelião. Estamos convocando todos os trabalhadores, jovens da periferia, povo negro, LGBT e todos os oprimidos da nossa sociedade a se rebelarem contra esse sistema. Esse é o caráter da nossa candidatura. É preciso nos organizarmos nos bairros e nas escolas, nos locais de trabalho para derrubar os de cima, que são o grande empresariado, os banqueiros, quem lucra muito com esse sistema. A minha candidatura vem nesse sentido de fazer uma divulgação do nosso projeto e dizer que a única saída é essa, de a gente se organizar e lutar. Desde 1989 a gente está votando, mas não tem surtido resultado satisfatório. A vida da população, de forma geral, não tem mudado.

Esse chamado para a rebelião é uma bandeira do partido?

É uma ideia para a gente se organizar agora nas eleições e posterior à eleição também. Que a gente se organize nos locais de trabalho, sindicatos e grêmios estudantis. Que a gente se organize para definir quais devem ser as prioridades para a população em geral. Então, é nesse sentido que a gente defende e faz a propaganda da rebelião, porque no sistema em que a gente está, sinceramente, não tem atendido às nossas demandas e dos trabalhadores.

O PSTU não tem um histórico de protagonismo em Santa Catarina, e na campanha eleitoral deste ano o partido tem pouco espaço no horário da propaganda eleitoral. Como contornar isso?

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Primeiro, a gente tem que aproveitar o espaço para falar que as eleições não são nada democráticas, elas oferecem alguns segundos de TV para algumas candidaturas, como é o nosso caso, e minutos para outras. Então, não é um processo democrático. A gente não acredita que as eleições vão mudar as nossas vidas, e as ferramentas que a gente utiliza para tentar alcançar mais pessoas são através das redes sociais, das panfletagens que a gente faz na porta das fábricas, escolas. Então, é basicamente dessa forma que a gente tenta alcançar um maior número de pessoas. A ideia é utilizar muito bem as redes sociais, internet, WhatsApp, para a gente divulgar as nossas ideias.

Como eliminar a corrupção no Legislativo? O que você acredita que precisa mudar na relação do Executivo com o Legislativo para que isso ocorra?

A primeira questão é o financiamento das campanhas. A gente defende que as eleições tenham financiamentos públicos, mas não precisa ser um grande investimento. Com um pequeno investimento é possível apresentar as candidaturas. Somos contra o financiamento privado nas candidaturas nas campanhas eleitorais, e isso determina para quem as pessoas vão governar. Basicamente, as empresas que patrocinam as candidaturas depois cobram seus favores, depois na forma de aprovações de leis. Passa por aí a questão da corrupção no Legislativo, principalmente.

Você já afirmou que defende o fim do Senado. No entanto, é candidato justamente ao Senado. Como seria isso?

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A nossa candidatura é antissistema, podemos definir dessa forma. Defendemos o fim do Senado por entender que é uma instituição conservadora, que gasta cerca de R$ 150 milhões por ano só em salários aos senadores e privilégios. Então, a gente defende o fim por essas questões. E também já temos uma Câmara Federal, que é a Câmara dos Deputados, e poderia muito bem não ter o Senado, já que é uma instituição bem conservadora nesse sentido e também utiliza muitos recursos. A gente propõe a substituição a longo prazo da Câmara dos Deputados pelos conselhos populares, que são uma forma de organização que os trabalhadores podem decidir, legislar, inclusive, sobre seu futuro e sua vida. O sistema de representação que a gente tem hoje é bastante débil com investimento privado de campanhas, corrupção. A gente defende um outro sistema de representação.

E nesse caso como o senhor atuaria pelo fim do Senado?

As duas coisas. Se eu for eleito um dos projetos seria o fim do Senado, obviamente. Mas também acho que ganhar a consciência da classe trabalhadora, da juventude, de que esse modelo não serve. Então também passa por um processo de conscientização, mas acima de tudo acho que é o programa mais geral que a gente tem, que é a ação divulgada nessas eleições, que é esse chamado a rebelião. A necessidade de fazer uma revolução no nosso país.

O senhor também defende a revogação das reformas recentemente aprovadas, como a trabalhista? De que maneira um senador pode atuar para isso?

Seria uma revogação por completo da reforma trabalhista, da lei das terceirizações, da reforma do ensino médio, que atinge os trabalhadores de educação e a juventude estudantil, seria a revogação dessas leis que não contribuem em nada para a classe trabalhadora e a juventude. Pelo contrário, são ataques. De reforma elas não tem nada. Seria uma contra reforma e também a reforma da previdência. Somos totalmente contra a reforma da previdência, inclusive se a gente tivesse esse poder a gente revogaria a reforma da previdência feita por Lula em 2003. A gente faria também a revogação dessa lei.

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O senhor atua também no Sindicato dos Trabalhadores em Educação. Foi dali que surgiu a vontade de entrar na política? Quais as propostas para a área da Educação em SC?

A minha militância política começou bem cedo, aos 17, 18 anos quando comecei a estudar, fazer faculdade. Me formei na Universidade Federal de Santa Catarina. Minha militância política começou no movimento estudantil e depois se aprofundou para a questão do trabalho, da má remuneração. Desde 2004 sou professor e durante todos esses anos tenho passado muitos problemas com a educação em nosso Estado. Um deles, por exemplo, é a não aprovação da Base Nacional Comum Curricular e a revogação da reforma do ensino médio. Essas seriam as primeiras medidas, mas gente não pode esquecer de falar da valorização do professor. O último governo, governo Colombo, congelou nosso salários por três anos e aumentou a contribuição na previdência. Ele fez já uma mini reforma na previdência em nosso Estado. Os servidores contribuíam com 11% e hoje contribuem com 14% e tiveram seus salários, na prática, congelados com aumentos de 2% a 3% que não correspondem nem a inflação. Então é preciso melhores condições de trabalho e também de salário.

Quais projetos ou como o senhor pretende atuar para garantir que o governo federal libere mais recursos para Santa Catarina?

A primeira medida é suspender o pagamento da dívida pública. Com o dinheiro desse orçamento a gente consegue fazer muita coisa, inclusive encaminhar mais dinheiro para todos os Estados. 40% do orçamento da União é destinado para o pagamento de juros e arrolagens da dívida e tudo mais. Passa por aí, pelas isenções fiscais, pela suspensão do pagamento da dívida que a gente arrumaria recursos para dar conta de todas as obras sociais que a gente gostaria de fazer.

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Quais outras bandeiras o senhor defende e pretende legislar em prol, se for eleito?

A gente precisa falar sobre as mulheres do nosso Estado. Existem dois problemas graves que as mulheres enfrentam que um é a violência e o outro, um pouco mais polêmico, é a questão do aborto. Mas em relação a violência as mulheres são vítimas de feminicídio, por exemplo, em 2017 teve um índice de 12 feminicídios por dia. A gente precisa de políticas públicas e investimento para combater a violência machista em nosso país. Passa também por esse dinheiro que a gente tem aí da suspensão do pagamento da dívida essas questões aí. Também em relação à violência contra a mulher temos dados alarmantes em SC, então a gente precisa acabar com o machismo na nossa sociedade. Parte disso, nós sabemos, que o machismo é parte do nosso sistema capitalista, a gente defende uma revolução para acabar com o machismo em nossa sociedade. A questão do abordo, por exemplo, hoje 4 milhões de mulheres realizam o aborto, então, sendo criminalizado ou não as mulheres vão continuar realizando o abordo, muitas delas por não ser legalizado, por ser crime fazem em estruturas precárias e acabam morrendo ou tendo graves seqüelas. Então a gente defende a descriminalização do aborto. Defende a legalização do aborto para que as mulheres possam fazer de forma segura e isso não passa por uma questão moral ou religiosa, mas sim na defesa da vida de uma parte da classe trabalhadora e isso é importante falar também. As mulheres ricas tem dinheiro para fazer o abordo, as mulheres pobres tem as conseqüências e muitas das conseqüências é a morte.

O Senado ainda é muito conservador, de que maneira o senhor iria atuar para implantar essas políticas públicas e defender esses projetos?

Como senador eleito a gente iria propor projetos e faria a luta da defesa dessas questões aí, mas principalmente nos movimentos também. Fortalecendo os movimentos feministas nas cidades, estaria junto da luta das mulheres, no caso da educação estaria junto da luta dos trabalhadores, dos sindicatos. Passa muito pela representação parlamentar, que é um meio que a gente tem que utilizar, mas também no fortalecimento das greves e manifestações e lutas que esses setores promovem.

E que políticas públicas e projetos seriam esses?

Um projeto que poderia ser votado é a criminalização e a prisão de assediadores e assassinos de mulheres, por exemplo. Ainda se discute muito nas delegacias de mulher o que você fez para que o homem te agredir e coisas do gênero. Então a gente precisa romper com essa idéia de que a culpa é da mulher e culpabilizar a mulher pela agressão que ela sofreu pelo fato de ser mulher. Acho que projetos podem ser destinados nesse sentido e um rigor maior nessas leis, principalmente nos feminicídios, estupros e violência contra a mulher. As penas devem ser maiores com relação a isso.

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