Uma nova variedade de banana descoberta em Santa Catarina acaba de ser reconhecida pelo Ministério da Agricultura. Ela recebeu o nome de Clarinha e, na prática, é uma mutação espontânea de outro tipo de banana. A principal característica dessa fruta é a cor mais clara até o ponto de colheita. A expectativa, segundo a Epagri, é que isso a torne mais atraente para o mercado consumidor.
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A família de Ricardo Rech cultiva banana em Luiz Alves, no Vale do Itajaí, há mais de três décadas e sempre percebeu entre as plantas alguns pés com características fora do comum. A diferença chamou a atenção de pesquisadores, que passaram a estudar pouco mais de 700 mudas. Foi assim que a ciência conseguiu comprovar o que o agricultor já tinha notado anos atrás.
— Foi lá nos anos noventa que a gente começou a plantar banana ali e vimos que tinha essa diferença na coloração do pé. Até colocávamos mais adubo para ver se ela esverdeava a folha, mas não, ela ficava clarinha. Aí fomos arrancando muda e plantando, e realmente ela é diferente — conta Ricardo.
Ao longo dos últimos seis anos, a variedade foi objeto de testes na estação experimental de Epagri em Itajaí. Com a pesquisa, as equipes identificaram que a Clarinha tem a mesma capacidade de produção da Caturra convencional em número de pencas, peso do cacho e diâmetro da fruta. Porém, com a vantagem de ser esteticamente mais atrativa aos olhos humanos.
— Coletamos a planta em 2018, multiplicamos ela aqui na estação experimental, plantamos ela aqui comparando com a planta de onde ela derivou. Então constatamos que ela se mantinha da mesma forma produtiva e produzia uma fruta no ponto de colheita mais clara que a Nanicão e que essas outras variedades — explica Ramon Scherer, engenheiro agrônomo e pesquisador da Epagri.
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Para comprovar que de fato essa era uma variedade ainda não classificada, os pesquisadores fizeram testes para medir a quantidade de clorofila, um pigmento verde, na casca da banana. O resultado chamou a atenção: a banana Clarinha tem 43% menos clorofila que a Caturra tradicional.
— Isso então possibilita ao produtor vender uma fruta com uma característica mais apreciada pelos consumidores e então pode ser uma alternativa de uma nova opção para os produtores — afirma Scherer.
Após as pesquisas, a banana Clarinha foi registrada no Ministério da Agricultura e deve ser lançada comercialmente no fim de março, durante o 2º Dia de Campo da Fruticultura (FRUTIEEI), na Estação Experimental de Itajaí.
— Hoje nós consideramos que Luiz Alves e Corupá são os dois maiores produtores de banana de Santa Catarina. Então temos um mercado bastante amplo que a nossa fruta chega. E, nesse aspecto, a nossa qualidade é fundamental para que a gente consiga manter e até conseguir novos mercados — pontua Bruno Krauss Salvador, engenheiro agrônomo da Epagri.
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Esta é a sexta variedade identificada em Santa Catarina. As últimas foram em 2011, quando lançaram a Catarina e o Nanicão Corupá.
Segundo a Epagri, a maior parte das variedades de banana comerciais teve origem em mutações espontâneas, selecionadas e multiplicadas por agricultores. Quando a planta apresenta características de interesse, como resistência a determinadas doenças ou tamanho mais baixo para facilitar a colheita, ela é multiplicada e acaba se tornando uma nova variedade.


