Uma nova lei federal, a Lei nº 15.468/2026, vai obrigar todas as escolas públicas e particulares do Brasil a ensinar educação política e cidadania na sala de aula. A medida já foi oficializada e altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), exigindo que temas como democracia e direitos façam parte do currículo regular. A aplicação prática da nova regra agora depende do Ministério da Educação (MEC), que corre contra o tempo para definir como o conteúdo será inserido no dia a dia dos alunos.

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A nova legislação determina que os estudantes tenham contato com conceitos sobre o funcionamento das instituições democráticas, os direitos e deveres dos cidadãos e as formas de participação na vida pública.

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A regra mexe com a rotina de quase todo o sistema educacional do país, que hoje conta com cerca de 178 mil escolas de educação básica e atende mais de 47 milhões de alunos, segundo o Censo Escolar. Em Santa Catarina, a rede estadual, as municipais e o forte setor de ensino privado precisarão adaptar seus projetos pedagógicos para cumprir a nova exigência.

Como a educação política será ensinada

Uma das principais dúvidas de pais e educadores é se a nova lei vai sobrecarregar a grade horária das crianças e adolescentes. A legislação deixa claro que a medida não cria uma nova disciplina obrigatória na grade curricular.

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Em vez disso, os conteúdos sobre política e cidadania deverão ser integrados de forma transversal às áreas de conhecimento que já existem, com destaque especial para as matérias que estudam a realidade social, cultural e política brasileira, como história, geografia e sociologia.

Caberá ao MEC e ao Conselho Nacional de Educação (CNE) a tarefa de definir como esses temas serão distribuídos ao longo da vida escolar, definindo objetivos de aprendizagem compatíveis com cada faixa etária por meio da atualização da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Na sequência, estados, municípios e redes privadas terão o desafio de promover as adequações em seus currículos locais e materiais didáticos.

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Os desafios para implementar a nova lei

Especialistas em pedagogia apontam que o verdadeiro sucesso da nova lei dependerá do suporte dado aos professores na ponta da linha. Além de atualizar os currículos, as escolas públicas e privadas de Santa Catarina precisarão investir em formação continuada para capacitar seus corpos docentes, garantindo que as atividades sejam conduzidas com base no pluralismo de ideias e no respeito às diferentes visões de mundo.

Após a definição das diretrizes nacionais pelo MEC, a fiscalização para garantir que as escolas estejam cumprindo a nova LDB de forma adequada ficará sob a responsabilidade dos conselhos estaduais e municipais de educação de cada região.

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A polêmica em torno da neutralidade partidária nas escolas 

A aplicação da nova lei já divide opiniões e promete manter o debate aquecido entre pais, professores e parlamentares, que se remete a discussões anteriores como as do projeto “Escola sem Partido”.

Durante a votação em plenário, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) declarou voto contrário à matéria por ver muita subjetividade no tema em um período de polarização.

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“Quem é que vai ministrar essa aula? São aqueles docentes formados em escolas de nível superior, onde nós sabemos qual é a corrente ideológica que predomina. Nós estaremos abrindo um flanco para uma ideologização desde a tenra idade nas nossas crianças e adolescentes; por isso esse projeto não conta com meu voto”, alertou o parlamentar.

Por outro lado, os defensores da medida sustentam que a proposta é essencial para a formação de cidadãos conscientes, limitando-se a explicar o funcionamento do Estado, a divisão dos poderes e os direitos garantidos pela Constituição Federal, sem qualquer direcionamento partidário.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.