O Palácio do Planalto desenhou para 2026 uma dobradinha econômica que visa o bolso do contribuinte e o cotidiano da força de trabalho. Com a sanção da nova tabela do Imposto de Renda (IR) em vigor desde janeiro, o governo federal aposta no aumento da renda disponível para impulsionar o consumo interno. O argumento é o “efeito multiplicador”: ao liberar cerca de 15 milhões de brasileiros do pagamento do tributo — com ganhos anuais que chegam a R$ 4 mil para quem recebe R$ 5 mil —, o governo projeta uma injeção de liquidez direta no mercado de serviços e varejo.

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O “14º salário” e a justiça fiscal

A nova tabela, que isenta rendimentos de até R$ 5 mil, beneficia diretamente 15 milhões de brasileiros. Na prática, um trabalhador nessa faixa terá um fôlego financeiro de aproximadamente R$ 4 mil anuais — valor que o Planalto já apelidou de “14º salário”. O financiamento dessa desoneração vem do topo da pirâmide: um imposto mínimo progressivo (até 10%) sobre rendas superiores a R$ 600 mil por ano, mirando lucros e dividendos que antes escapavam da tributação pesada.

Qualidade de vida e a escala 6×1

A balança dessa estratégia, contudo, é complexa. Para compensar a perda de arrecadação, o Executivo reforça a taxação sobre o topo da pirâmide, impondo alíquotas progressivas sobre grandes fortunas e dividendos.

O governo abraçou a pauta da redução da jornada de trabalho. O apoio à transição para o modelo 5×2 (40 horas semanais) é visto como uma resposta ao avanço tecnológico. Embora o setor produtivo catarinense e a indústria nacional alertem para um aumento de até 22% no custo da hora trabalhada, a aposta do governo é na geração de até 4,5 milhões de novos postos para suprir as lacunas das escalas reduzidas.

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.