Com R$ 3,73 bilhões garantidos pelo Novo PAC, o governo federal iniciou negociações na China e na Alemanha para atrair montadoras de ônibus elétricos ao Brasil. A estratégia busca reduzir a dependência de veículos importados, estimular a produção nacional e transformar o país em um polo da eletromobilidade na América Latina.
Continua depois da publicidade
Além de apresentar garantias de compra pública, as comitivas formadas por técnicos do Ministério das Cidades e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tentam atrair investimentos em baterias, infraestrutura de recarga e fabricação nacional de componentes de alta tecnologia.
Brasil busca expertise chinesa e alemã em eletromobilidade
Na China, a missão brasileira concentra agendas em Shenzhen, cidade que abriga a maior frota urbana eletrificada do mundo, com cerca de 16 mil ônibus elétricos em operação. A comitiva pretende conhecer o modelo industrial da BYD e avaliar parcerias para expansão da produção no Brasil.
Paralelamente, técnicos do BNDES percorrem Pequim e Frankfurt para detalhar linhas de crédito voltadas ao transporte sustentável. O pacote federal prevê R$ 6,5 bilhões para mobilidade limpa e infraestrutura de recarga.
Novo PAC dá previsibilidade financeira às montadoras
O principal trunfo apresentado pelo governo é a previsibilidade de demanda criada pelo Novo PAC Seleções. A linha de Renovação de Frota reservou R$ 3,73 bilhões para apoiar a substituição gradual de ônibus movidos a diesel.
Continua depois da publicidade
Desse total, R$ 1,27 bilhão será destinado diretamente a estados e prefeituras para aquisição de veículos de baixa ou zero emissão. Outros R$ 2,46 bilhões ficarão disponíveis para concessionárias privadas do transporte coletivo.
A partir desse volume de compras públicas, o governo tenta convencer fabricantes estrangeiras a produzir no país componentes estratégicos, especialmente baterias de íons de lítio, que hoje representam a parcela mais cara dos ônibus elétricos.
Ônibus elétricos ainda pesam no caixa das prefeituras
Apesar do avanço da eletromobilidade, o preço ainda é o principal obstáculo para as cidades brasileiras. Um ônibus elétrico importado pode custar até três vezes mais que um modelo a diesel.
O Ministério das Cidades argumenta que a substituição reduz significativamente a emissão de poluentes. Segundo estimativas do governo, cada coletivo elétrico pode evitar a emissão de cerca de 110 toneladas de dióxido de carbono por ano.
Continua depois da publicidade
Mesmo com os custos elevados, grandes centros urbanos já iniciaram testes operacionais. O Distrito Federal incorporou recentemente 45 ônibus elétricos fabricados pela China Railway Rolling Stock Corporation (CRRC) para avaliar desempenho das baterias em clima seco e altas temperaturas.
Já São Paulo concentra atualmente a maior operação do país, com mais de 1,2 mil ônibus elétricos ou de baixa emissão integrados ao transporte público. A mobilidade paulistana combina modelos nacionais e importados financiados por bancos públicos.
Os resultados dessas operações serão decisivos para medir o interesse de montadoras chinesas e alemãs em instalar unidades industriais permanentes no Brasil.
*Com edição de Luiz Daudt Junior.





