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Tristeza

"Nunca vamos superar", diz filha que perdeu os pais para a Covid em menos de um mês em SC

Oscar e Elza Pain ficaram internados em Xanxerê; casal estava junto há 44 anos

02/12/2021 - 13h43 - Atualizada em: 02/12/2021 - 13h46

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Camilla
Por Camilla Martins
Oscar e Elza Pain foram vítimas da Covid-19 em menos de um mês
Elza não chegou a ser comunicada sobre a intubação e morte do esposo
(Foto: )

Em um intervalo de três semanas uma família foi dilacerada em Ponte Alta, no Oeste de Santa Catarina por causa da Covid-19. O casal Oscar Pain e Elza Pain morreu vítima da doença após ter enfrentado dias de internação e complicações causadas pelo novo coronavírus.

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O casal, que estava junto há mais de 40 anos, deixou três filhas. Jucélia, a mais velha, relata que o pai passou por uma cirurgia delicada e sofreu hemorragia intestinal. Após receber alta, Oscar, que tinha 68 anos, se queixou de dores, febre e em seguida foi diagnosticado com o novo coronavírus. 

— Foi tudo muito rápido. O pai internou no dia 28 [de outubro], foi para a UTI no dia quatro e morreu no dia 10 de novembro — explica. 

Segundo Jucélia, a mãe foi hospitalizada em 31 de outubro, foi encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva em 8 de novembro e faleceu nesta quarta-feira (1), no Hospital Regional São Paulo (HRSP), em Xanxerê. O intervalo curto entre as internações fez com que Elza nem ficasse sabendo sobre a intubação e morte do esposo. 

Diante do drama da doença e da internação, Juliane, outra filha do casal, também não pôde apresentar pessoalmente a nova integrante da família ao pai. 

— Ele conheceu a neném só por foto e a minha mãe viu a bebê meia horinha antes de ir para o hospital — conta Jucélia.

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Sarita, outra filha do casal e gêmea da Juliane, relata que a luta dos pais contra a Covid-19 foi intensa e uma das revoltas da família é não entender como o casal contraiu o vírus. Os dois haviam recebido a segunda dose da vacina no mês de maio. 

— Essa dor nunca vamos superar, nunca vamos aceitar. É um sentimento de ódio e revolta. Pessoas maravilhosas, humildes, muito queridas pela nossa cidade e cidades vizinhas. Se cuidavam ao extremo, a nossa mãe nem saía de casa se não fosse para ir ao médico. Os dois tinham as duas doses da vacina. Dói lembrar o quanto eles lutavam para viver e não queriam nos deixar sozinhas aqui — afirma. 

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Bastante abalada, Sarita fez um relato em forma de homenagem aos pais. 

— Obrigada por ter dedicado sua vida a nós, obrigada por terem sido sempre amigos e presentes. Nosso amor por vocês é eterno e não há morte que consiga enfraquecê-lo, e também a nossa saudade será eterna e inconsolável. Descansem em paz, pai e mãe, é hora de repousarem ao lado de Deus. Nós aqui estamos em paz e buscando consolo no amor que vocês nos deixaram. Amaremos vocês para sempre. “Até que a morte os separe”... Nem a morte os separou em 44 anos de união no amor mais lindo do mundo — disse. 

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