Quem passa pela Paulista Mercado e Conveniência, na Avenida Ceniro Luiz Ribeiro Martins, no bairro Ceniro Martins, em São José, dificilmente sai sem conhecer Antônio. Grande, estabanado, carente e dono de uma personalidade impossível de ignorar, o cão comunitário virou atração entre clientes — e, mais recentemente, um fenômeno nas redes sociais.
Continua depois da publicidade
Hoje, o perfil do cão, “Antônio o Caramelo”, soma 212 mil seguidores no Instagram, enquanto o vídeo mais assistido ultrapassa 4,3 milhões de visualizações. Mas, antes da fama, Antônio era apenas um cachorro desconhecido que apareceu nos fundos da loja há cerca de um ano.
— A gente não sabe se ele foi abandonado ou se ele chegou andando. Não sabemos se ele é andarilho, mas ele apareceu num vizinho atrás da loja — conta Leticia Melo, que trabalha no mercado ao lado da família.
Assista ao vídeo mais visto de Antônio “aprontando”
Continua depois da publicidade
O acolhimento veio naturalmente. A família já tinha o costume de cuidar de cães comunitários. Um dos exemplos é Magrela, cachorra que frequenta o local há cerca de 10 anos e que, atualmente, vive parte do tempo na casa de uma vizinha, mas continua visitando o mercado diariamente.
Com Antônio, a expectativa inicial era a mesma: receber comida, carinho e seguir caminho. Só que ele decidiu ficar.
— Toda vez que ele escutava o barulho do portão abrindo, ele corria muito feliz. Era engraçado o jeito dele chegando — lembra Leticia.
Antônio nunca foi exatamente discreto. Ainda jovem, com pouco mais de um ano, o cachorro rapidamente mostrou ser “dono da loja”. Passou a roubar objetos, correr pelos corredores e “furtar” o que achava interessante. O comportamento brincalhão logo virou rotina.
Continua depois da publicidade
— Ele é muito bebê ainda, apesar do tamanho. É crianção, pula, morde, quer brincar o tempo inteiro — diz.
As trapalhadas renderam também alguns desafios. Antônio pulava nos clientes, ocupava os espaços do mercado e, muitas vezes, precisava ser contido para não machucar alguém sem querer. Em alguns momentos, Leticia e o pai chegaram a cogitar impedir a entrada do cão na loja.
A ideia, porém, não durou muito.
— Toda vez que ele chegava, ele ganhava a gente de novo. Ele brincava, chamava atenção… não tinha como.
O ponto sem volta aconteceu quando Antônio aprendeu a subir na cadeira do caixa. A partir dali, passou a agir como dono oficial do espaço.
Continua depois da publicidade
— Ele fazia a gente sair da cadeira que ele gostava. Tinha uma mais confortável e ele incomodava até conseguir sentar nela — conta, aos risos.
Fama na internet
Foi justamente essa convivência cheia de cenas engraçadas que começou a chamar atenção nas redes sociais. Leticia passou a publicar vídeos do cachorro no Instagram do mercado, inicialmente para poucos seguidores. Ainda assim, percebeu que Antônio sempre rendia mais visualizações do que qualquer outro conteúdo.
Até que uma cliente sugeriu criar um TikTok exclusivamente para o cachorro.
— Eu nunca tive TikTok e não queria fazer porque já tinha muita coisa para cuidar. Mas ela insistia toda vez que eu postava ele — lembra.
Quando finalmente criou o perfil, Leticia publicou um primeiro vídeo narrado “sem muita pretensão”. Foi dormir e, no dia seguinte, percebeu que a página havia explodido.
Continua depois da publicidade
— Começou a subir muito rápido. Três mil seguidores, cinco mil, oito mil… Quando vi já tinha perdido totalmente o controle.
Hoje, o cão acumula mais de 307 mil seguidores na rede social. Os vídeos sempre passam das 100 mil visualizações.
Além do jeito brincalhão, o que mais conquistou o público foi a relação de Antônio com o pai de Leticia. Segundo ela, o cachorro muda completamente quando o vê.
— O amor que ele sente pelo meu pai é algo surreal. E meu pai ama ele também. Eles têm uma conexão diferente.
Continua depois da publicidade
Mesmo após a fama, Antônio continuou sendo um cão comunitário. Durante o dia, circulava pela região e, à noite, acompanhava o fechamento da loja. Até que uma noite de chuva mudou a rotina.
Com pena de deixá-lo na rua durante o frio, Leticia chamou Antônio para entrar no carro. Ele entrou imediatamente, sentou no banco como se já soubesse exatamente o que fazer e colocou a cabeça para fora da janela. Depois disso, nunca mais quis ficar para trás.
— Hoje, quando a gente vai fechar a loja, ele fica parado na porta olhando, como se tivesse medo de a gente ir embora sem ele — conta.
View this post on InstagramContinua depois da publicidade

