Da sacada da igreja onde está abrigada há uma semana, Henriete Schultz viu a própria casa ser arrastada pela enchente em Rio do Sul. O imóvel ficou literalmente no meio da Rua Alexandre Von Humboldt, no bairro Budag, a cerca de 150 metros de onde está o terreno da família. É o que mostram as imagens do cinegrafista Adriano da Nahaia, feitas na manhã desta sexta-feira (24).

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Nascida na cidade e conhecedora da realidade das cheias que assolam o Alto Vale do Itajaí há décadas, a diarista de 55 anos diz que a tristeza é sempre muito grande.

— É desolador você ver a tua casa indo embora. Dá vontade de se jogar na água e amarrar uma corda, porque você pensa que depois que a água baixar não tem para onde ir — desabafa.

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Henriete, dois filhos e a netinha saíram de casa na quinta-feira (16) com água na cintura, porque tentaram salvar o máximo de bens possível. A família foi para a casa de uma vizinha, que fica um pouco mais alta na mesma rua, mas a enchente avançou rapidamente e eles precisaram deixar o local. O próximo destino foi então o abrigo na igreja. De lá, na manhã de sexta (17), ela viu a casa se desprender da fundação.

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No começo flutuava, mas estava presa pela fiação, o que impedia de ir muito longe. Porém, em determinado momento daquele dia, os cabos não aguentaram a pressão, se romperam e a casa começou a “andar”. Chegou a cruzar uma avenida, indo ainda mais longe de onde parou, mas com o recuo da água voltou alguns metros. Foi a segunda maior enchente da história de Rio do Sul.

A casa de Henriete é construída com placas de aço e isopor. Ela ganhou o imóvel após a enchente de 2011, quando a residência dela, à época de madeira, ficou com água na altura do telhado e precisou ser desmanchada. Na época, mais imóveis foram erguidos no mesmo modelo para outras famílias, através de uma parceria da prefeitura com empresas privadas.

Enquanto aguardava, a diarista morou por um ano com a filha até o novo lar ficar pronto. Na última década, comprou os bens para uma vida confortável, mas parte de foi nessa última inundação. Os guarda-roupas, por exemplo, tinham sido deixados e ela viu pertences boiando na inundação.

O amparo, desta vez, veio de uma vizinha, que decidiu ir embora e cedeu a casa para que a doméstica possa morar com a família até encontrar uma solução para a residência hoje localizada no meio da rua. Desde quando a água baixou de 10 metros — nível do rio que provoca a inundação na região — os filhos de Henriete se dedicam a limpar o futuro novo lar, para que possam deixar o abrigo.

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A esperança agora é que seja possível recolocar a casa de volta no terreno de Henriete. Um engenheiro deve fazer essa avaliação na próxima semana e dar a palavra final. Apesar dos prejuízos e da tristeza, a moradora de Rio do Sul mostra gratidão:

— Temos que agradecer que estamos vivos.

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